Em meio a uma escalada de tensões militares no Oriente Médio, capixabas em viagem para a região relatam momentos de tensão e medo vividos nos últimos dias. Eles revelam também a angústia de não saberem como e quando voltarão para casa.
Dubai – destino turístico conhecido pelo luxo e pelos cenários de tirar o fôlego – continuava operando durante todo o dia desta segunda-feira (02). A região foi um dos alvos de ataques no último fim de semana no conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos.
O empresário e pastor capixaba Róscio Scofield, de 47 anos, está hospedado em Dubai com a esposa, Gabriela Scofield, 44, e as filhas Valentina, 14, e Lavinia, 6.
Ele presenciou de perto ataques com mísseis e drones atribuídos ao Irã e as ações de defesa dos Emirados Árabes.
A família chegou à região no dia 21 de fevereiro. A programação previa retorno ao Brasil no último sábado, mas o voo foi cancelado após o fechamento do espaço aéreo na região.
“Recebi uma mensagem da companhia aérea informando que o voo estava cancelado. Comecei a entrar nas redes sociais e vi que já havia retaliações em países vizinhos. Ali percebi que algo maior estava acontecendo”, contou.
No fim da tarde de sábado, já no hotel em Dubai, a família ouviu o primeiro grande estrondo. “Foi um barulho muito forte. Eu fui para a varanda e vi uma fumaça preta muito perto do nosso hotel. Enquanto eu filmava, começou um ataque de mísseis e drones. A bateria antimíssil começou a atirar. O chão tremia, os vidros do hotel tremiam”, relatou.
Róscio revelou que a todo momento tentou acalmar as filhas, que ficaram desesperadas.
Durante a madrugada, após alertas emitidos para os celulares, eles tiveram de descer para a parte baixa do hotel, onde dormiram no carpete. “Foi uma madrugada tensa, praticamente sem dormir”.
Já ontem, o empresário afirmou que o clima era melhor na cidade. “Estamos no hotel, a maior parte do tempo acompanhando informações e tentando alternativas para voltar”.
Segundo Róscio, o governo local informa diariamente a quantidade de drones e mísseis interceptados — número que, segundo ele, supera 90% dos ataques.
“A cidade tem tentado manter a normalidade e a rotina. Há temor, mas não há mais desespero. O governo aqui está arcando com todas as despesas de hospedagem. São muito organizados”.