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Cidades

Usado de forma correta, celular pode ser ferramenta de inclusão para idosos

Especialistas afirmam que tecnologia pode ampliar autonomia, comunicação e estímulos cognitivos na terceira idade

Usado de forma correta, celular pode ser ferramenta de inclusão para idosos
- Maria José Couto Queiroz conta que usa o celular para necessidades, como falar com os filhos e a irmã.
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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Se por um lado o uso excessivo do celular por idosos tem acendido um alerta, por outro, o aparelho também pode ser um meio importante de inclusão digital para essa população. É por meio dele que muitos idosos conseguem manter contato com familiares, acessar serviços bancários, marcar consultas e pedir transporte por aplicativo, por exemplo.

Segundo a psicóloga clínica com especialização em Gerontologia Roberta Caliari, o celular pode ser uma ferramenta muito potente de inclusão, autonomia e conexão.

“Para muitas pessoas idosas, especialmente aquelas com alguma limitação de mobilidade, o celular pode ampliar bastante as possibilidades de interação com o mundo”, destaca.

A dificuldade, segundo Roberta, está no equilíbrio. “A questão não é usar ou não usar, mas como usar. O desafio é fazer com que o celular seja um facilitador da vida, e não um substituto das experiências e das relações”.

Fernanda Sperandio, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Estado (SBGG-ES), destaca ainda que o aparelho também pode estimular funções cognitivas quando usado de forma ativa, como em jogos, leitura e aprendizado. “O ponto-chave é o equilíbrio e o uso com propósito”.

A utilização de dispositivo eletrônico por esse público já virou até mesmo motivo de pesquisa por especialistas.

“Não há dúvida de que a inclusão digital para essa faixa etária é de grande valor. Tanto que utilizamos o termo ‘gerontotecnologia’ para uma área de estudo que se dedica a aplicar as novas tecnologias para auxiliar o dia-a-dia das pessoas idosas”, aponta a geriatra Caroline Pupim, professora da Emescam e vice-presidente da SBGG-ES.

Caroline ainda faz uma analogia de como o uso do celular pode gerar desafios à cognição, possibilitando processar informações e convertê-las em conhecimento.

“A pessoa decide aprender uma nova receita. A internet pode auxiliar nesse desafio. Mas os ingredientes precisarão ser comprados nas devidas quantidades. Só nesse processo inicial, foi exercitado atenção, memória, capacidade de planejamento e execução”.

“Ao ler ou ouvir a receita, essa pessoa desafiou sua capacidade de compreender a linguagem. E durante toda execução do ‘novo prato’, todos esses domínios da cognição serão, novamente, exercitados. No final, mesmo que ocorram adversidades, ela aprendeu algo diferente e fez um importante exercício cerebral”, destaca a médica.

Comunicação

Aos 83 anos, a aposentada Maria José Couto Queiroz conta que usa o celular para necessidades, como falar com os filhos e a irmã.

“O aparelho ajuda a me comunicar com as pessoas. Não sou de ficar mexendo o tempo todo e nem uso para pagamentos, assim não corro risco de cair em golpes”.

Ela conta que normalmente, além do uso para comunicação, também gosta de ver vídeos com o aparelho. “Mas nada de forma exagerada”, afirma.

Fique por dentro

Problema

O uso do celular torna-se problemático quando, por exemplo, o idoso negligencia outras atividades importantes ou usa o aparelho como única forma de lidar com emoções como tristeza e solidão.

Companhia

Muitas vezes, o celular aparece como uma forma de companhia para os idosos em um momento em que as conexões presenciais diminuem. O aparelho pode acabar sendo uma das poucas formas de interação disponíveis.

Confusão mental

Idosos que já apresentam alterações cognitivas, ou até mesmo quadros iniciais de demência, podem ter a confusão mental agravada pelo uso excessivo de redes sociais.

Compensação emocional

A aposentadoria, a viuvez e o isolamento social são fatores importantes para a utilização de celular por pessoas da terceira idade. O celular acaba funcionando como uma ferramenta de compensação emocional, oferecendo distração, contato social e sensação de pertencimento.

Tratamento

O acompanhamento psicológico é fundamental em casos de dependência digital. Em alguns casos, também pode ser necessário o acompanhamento médico e o uso de medicação.


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