- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
Cidades

Famílias da Itália e dos EUA adotam crianças capixabas

Nos últimos 6 anos, foram 25 adoções por estrangeiros. Crianças mais velhas, grupos de irmãos e adolescentes são mais procurados

Famílias da Itália e dos EUA adotam crianças capixabas
- Carla e Audrey celebram a maternidade ao lado dos filhos Rick e Davi, adotados há oito meses em Cariacica
Foto de perfil de Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho

Fernanda Coutinho é jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 2007, e tem aproximadamente 20 anos de experiência na profissão. É repórter multimídia das editorias de Cidades e Polícia do Jornal A Tribuna, com reportagens também publicadas no portal Tribuna On-line. Escreve reportagens especiais semanais para a editoria de Polícia do Jornal A Tribuna. Tem experiências com apresentações de podcasts e videocasts, além da participação ao vivo em telejornais da TV Tribuna, em colaboração com apresentadores, em casos de repercussão. Na função de redatora, atuou por 9 anos em editorias como Polícia, Cidades, Economia e Política do jornal impresso.

Última atualização

Vítimas da ausência de uma estrutura familiar segura, crianças e adolescentes capixabas que não encontram famílias no Brasil têm uma chance de recomeçar em outros países.

No Espírito Santo, italianos lideram as adoções internacionais, seguidos por norte-americanos. Espanha, França e Holanda também aparecem entre os países que já receberam crianças capixabas.

Desde 2019, 25 crianças e adolescentes foram adotados por estrangeiros, segundo a Comissão Estadual Judiciária de Adoção do Espírito Santo (Ceja-ES).

O perfil mais buscado envolve crianças mais velhas, grupos de irmãos e adolescentes, justamente aqueles que enfrentam mais dificuldades para conseguir uma família no Brasil.

No País, pessoas maiores de 18 anos, solteiros, casados, pessoas em união estável e casais homoafetivos têm direito à adoção. A única exigência legal é que exista uma diferença de 16 anos entre o adotante e a criança ou adolescente.

Hoje, 158 crianças e adolescentes aguardam adoção no Espírito Santo e há cerca de 800 pretendentes habilitados, segundo o Ceja-ES.

O juiz da Vara da Infância e Juventude de Colatina, Ewerton Nicoli, afirmou que entende como legítimo o desejo de pessoas que querem adotar bebês ou crianças pequenas. Mas destacou desafios nesse processo.

“A adoção é feita sob a perspectiva da criança e do adolescente. O interesse é procurar famílias para quem precisa de uma família. São os pretendentes que precisam compreender essa realidade.”

O psicólogo e coordenador da Ceja-ES, Helerson Silva, destaca os perfis mais procurados. “Mesmo tendo mais pretendentes do que crianças, os perfis muitas vezes não batem. Crianças maiores, grupos de irmãos e aquelas com alguma doença ou deficiência acabam ficando mais tempo nas instituições”.

Segundo o juiz Ewerton Nicoli, o cenário ideal seria justamente o de menos crianças aptas à adoção.

“O ideal é que não existam crianças aguardando famílias. O primeiro objetivo sempre é a reintegração à família de origem ou extensa, como avós, tios e parentes próximos”, explica o juiz Ewerton Nicoli.

Irmãos 

“A chegada deles foi uma bênção”



A policial militar Carla Sechin Lopes, 36 anos, é casada com a empresária Audrey Jane Dutra Boldrin, 43. Elas moram em Cariacica, e se tornaram mães dos irmãos Rick, de 5 anos, (blusa vermelha) e Davi, de 4 anos (blusa preta) há oito meses. “A decisão de adotá-los veio a partir da nossa decisão em sermos mães. A chegada deles à nossa família foi uma bênção”, revelou a policial militar.

Carla conta que as crianças estão super adaptadas e que ambas estão vivendo e realizando o sonho da maternidade. “A maior alegria é perceber o quanto eles são felizes. A maternidade se resume em amor. Independentemente de gerar ou adotar uma criança, ser mãe é amar sem esperar nada em troca”, diz Carla.

Projeto mostra o sonho e a busca por uma família

Para dar voz e visibilidade a crianças mais velhas, adolescentes, grupos de irmãos e aquelas que possuem alguma deficiência ou condição especial de saúde foi criado o projeto “Esperando por Você”, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, por meio da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-ES).

Só participam aqueles para os quais não foram encontrados pretendentes nacionais, nem internacionais. Atualmente, no Espírito Santo, 45 crianças e adolescentes com idades entre 4 e 17 anos aguardam a chance de uma nova família.

O psicólogo e coordenador da Ceja-ES, Helerson Silva, destaca que o projeto já mudou histórias. “São crianças como quaisquer outras, com sonhos, vontades e necessidade de afeto”, afirmou.

Ele explica que mais de 40 adoções já foram realizadas a partir da iniciativa, muitas delas com perfis que dificilmente seriam escolhidos nos cadastros tradicionais.

Segundo Helerson, o objetivo é justamente romper barreiras. “Essas crianças já tiveram esgotadas todas as possibilidades de adoção. O projeto existe para dar uma última visibilidade e chance real de família”, disse psicólogo e coordenador da Ceja-ES.

Os perfis de crianças e adolescentes podem ser acessados no site https://www.tjes.jus.br/esperandoporvoce/.

Nos vídeos, eles revelam suas qualidades, habilidades, potencialidades e sonhos.

Saiba Mais 

Cadastro

  • O processo de adoção começa com a habilitação dos pretendentes na Vara da Infância e Juventude ou no pré-cadastro no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).

Avaliações

  • Os interessados devem apresentar documentos e passam por avaliações psicossociais feitas por equipes do Judiciário, além de participarem de cursos obrigatórios.

Habilitação

  • Após análise do Ministério Público e decisão judicial, os habilitados entram no cadastro nacional e podem ser chamados quando surgir uma criança ou adolescente com perfil compatível ao indicado por eles.

Internacional

  • Os estrangeiros precisam ser habilitados no país de origem, comprovar condições psicológicas, sociais e financeiras.
  • Toda a documentação é novamente analisada pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja-ES). Essa modalidade só ocorre quando todas as possibilidades de adoção nacional forem esgotadas.



Mais Lidas

Ver tudo ›