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Economia

Consumidor fica mais exigente e café ganha novo status

Preço deixa de ser o principal critério de compra, enquanto bebidas especiais conquistam mais espaço nas lojas

Consumidor fica mais exigente e café ganha novo status
- Guizelini disse que o que difere um café especial de outro é a quantidade de atributos positivos, aromas e sabores
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Gustavo Andrade

Jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa, atua como repórter multimídia no jornal A Tribuna e portal Tribuna Online, com foco na editoria de Economia e produção de reportagens especiais. Escolheu a profissão por sempre gostar de escrever, além da paixão por esportes e música. Possui experiência também com assessoria de imprensa e produção de vídeos.

Última atualização



O cafezinho que por décadas foi sinônimo de rotina automática e sem grandes variações nos lares passou por uma transformação profunda.

Hoje, ele não é apenas uma commodity ou um hábito matinal: ele ganhou status de bebida nobre, impulsionado por um consumidor mais exigente, atento à qualidade e disposto a transformar o ato de beber café em um verdadeiro ritual.

Essa mudança no consumo reflete nas gôndolas dos supermercados e no faturamento do setor, consolidando um mercado que cresce a passos largos. Se antes a escolha era baseada puramente no preço, hoje há busca ativa por entender o que se está bebendo, destacou Raul Guizelini, proprietário da rede de cafeterias Terrafé.

“Os cafés especiais são a categoria de melhor e maior qualidade. Significa que ele tem zero defeito. O que difere um café especial de outro é a quantidade de atributos positivos, de aromas e sabores que você consegue perceber”, disse.

Nos supermercados, o espaço dedicado aos cafés finos se multiplicou. Marcus Magalhães, consultor do agro e colunista de A Tribuna, apontou que esse movimento é uma resposta direta à busca da sociedade por valor agregado.

“Se o varejo não acreditasse, não faria o que fez, e o consumidor não daria a reciprocidade que estamos presenciando”, analisou.

Com isso, está cada vez mais impulsionada a busca por produtos de alta qualidade e com rastreabilidade, como saber se o café vem do Caparaó, das Montanhas Capixabas ou da Chapada Diamantina.

Para o consultor, o investimento em café de melhor qualidade ultrapassou a barreira do hábito diário:

“A sociedade entendeu que vale a pena investir num bom café à mesa. Muito mais que um vício, o café traz um prazer intrínseco grande, reunindo pessoas, famílias e negócios. É um processo sem volta”.

A geração Z, que está definindo compra, é uma geração que não se sujeita a comprar qualquer produto por qualquer preço, destacou Magalhães:

“É uma geração que busca, dentro do que cabe no bolso, produtos de qualidade. O café entra nesse perfil. Os jovens são os grandes impulsionadores do consumo de cafés especiais”.

Raul Guizelini corrobora com essa visão, citando o comportamento nas cafeterias: “Jovens de 15, 18, 20 anos estão se encontrando para tomar café — e, para eles, o gelado. Esse momento tem sido cada vez mais valorizado”.

Hobby e rotina

Proprietário da Kaffa Cafeteria, Vagner Benezath contou que o negócio surgiu em 2010, quando havia poucas cafeterias na cidade de Vitória. “Hoje, vemos um público muito mais curioso e interessado em qualidade. O café passou a ser um hobby levado a sério durante a rotina e em viagens ”.



Raio-X do mercado de cafés

O café está presente em 98% dos lares do brasil.

Ao todo, 21,409 milhões de sacas de café foram consumidas em 2025 no País. O brasileiro consumiu, em média, 1.400 xícaras por ano.

Mudança no perfil de consumo de cafés

Diferença entre cafés: o café tradicional é menos selecionado. O gourmet já é mais popular, agrada mais ao paladar de maneira geral. Já os cafés especiais são a categoria de melhor e maior qualidade. O que difere um café especial de outro é a quantidade de atributos positivos, de aromas e sabores que o consumidor consegue perceber.

Essa migração para produtos superiores segue uma máxima conhecida no setor de alimentação, de que a partir do momento que o consumidor prova cafés de melhor qualidade, é difícil voltar para o café mais simples.

Atualmente, os cafés especiais representam entre 7% e 8% do consumo no Brasil, com projeções de atingir 15% nos próximos cinco anos.

O mercado de cafés de qualidade cresce a dois dígitos ao ano globalmente, abrindo espaço para a expansão em mercados historicamente consumidores de chá, como a China.

Preço

O preço médio dos cafés especiais sofreu um aumento de 4,3%, quando comparado o período de janeiro de 2025 com dezembro de 2025. O aumento também foi percebido na categoria de cafés gourmets, que teve variação de 20,1%.

Já o preço de cafés superiores caiu em -3,5%. Os cafés tradicionais e extrafortes tiveram aumento de 5,8%. Cafés em cápsulas também registraram uma queda de -16,8%.

Nos últimos cinco anos, a matéria-prima aumentou 201% na espécie conilon e 212% na arábica. No varejo, o café aumentou 116%. No último ano, a variação de preço ao consumidor do café torrado e moído foi de 5,8%.

Em 2024, o aumento foi de 37,4%.

Comércio

O reflexo da maior exigência do consumidor é nítido no comércio. Quem frequenta supermercados já percebeu que o espaço dedicado aos cafés finos se multiplicou.

Cerca de 5 anos atrás, o que tinha na gôndola era um café padrão. Hoje, é possível escolher o café, a origem, o terroir que melhor convém para o consumidor.

As gôndolas já têm de 30% a 40% dos cafés oferecidos com valor agregado e especiais.

Futuro

Se o presente já se mostra promissor, o futuro do mercado de cafés especiais está garantido pelas mãos dos consumidores mais jovens. A Geração Z tem se posicionado como a grande impulsionadora de produtos de alta qualidade e com rastreabilidade – como saber se o café vem do Caparaó, das Montanhas Capixabas ou da Chapada Diamantina, por exemplo.

Fonte: Raul Guizelini, Marcus Magalhães, Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e Sindicato da Indústria do Café do Estado (Sincafé).

Escala de zero a 100 pontos para avaliar a qualidade

A pontuação dos cafés funciona como um “certificado de excelência”. Baseada na metodologia internacional da SCA (Specialty Coffee Association), ela avalia a qualidade sensorial dos grãos em uma escala de 0 a 100 pontos, definindo se o café é comum, gourmet ou especial.

Os cafés especiais que recebem essa pontuação específica passam por uma criteriosa avaliação de qualidade. Ela identifica diversos aspectos que tornam o sabor deles incrivelmente agradável, segundo Raul Guizelini, proprietário da rede de cafeterias Terrafé.

“Um café especial, você diz que é melhor do que o outro, tem mais sabores e aromas dentro da xícara. Então, o café especial tem uma pontuação específica, que a gente fala café 85 pontos, 87 pontos, 88 pontos e café campeão”, explicou.



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