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Dezembrite: Como driblar a ansiedade que chega com o fim do ano

Organizar prioridades, evitar comparações e revisar metas pode ajudar a combater o estado de exaustão que surge no fim do ano

Dezembrite: Como driblar a ansiedade que chega com o fim do ano
- Cansaço e estresse são alguns dos sinais da “dezembrite”, quando o corpo e a mente mostram que não conseguem mais sustentar o ritmo imposto ao longo dos meses
Foto de perfil de Flávio Carvalho

Flávio Carvalho

Formado em Jornalismo pela Faesa, atua na Rede Tribuna desde 2012, onde começou como estagiário. Já integrou a equipe de produção de pautas para a editoria de Cidades, e há mais de 8 anos cobre cultura e celebridades no jornal. Na área de assessoria de comunicação, estagiou em instituições públicas e privadas. Também atendeu artistas capixabas e festas.

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“Então é Natal, e o que você fez?”. O questionamento presente no clássico natalino de Simone e muito feito em dezembro pode resultar em sofrimentos e comparações não só com a vida do outro, como também em relação aos anos anteriores.

Essa condição se popularizou e ganhou nome: “dezembrite”. No entanto, especialistas deixam claro que este não é um conceito existente na psicologia, na psiquiatria ou na psicanálise.

“Como dezembro é o mês que a gente encerra o ano e inicia outro, podemos usar essa expressão informal para tentar descrever e organizar uma série de sensações que podem ser comuns nessa época. Assim como existem termos populares como ‘síndrome do ninho vazio’ e até ‘borocoxô’”, explica o psicólogo Alexandre Brito.

Mas como driblar a “dezembrite”? Entre as dicas dadas por especialistas, estão escolher encontros que nutrem e não aqueles movidos por obrigação, e revisar metas com gentileza.

“É preciso valorizar as pequenas conquistas obtidas ao longo do ano e do cotidiano. As pessoas passam por esse sentimento de tristeza e ansiedade justamente por conta das comparações e exigências sociais. É importante aprender a decepcionar o outro. Isso é libertador”, afirma Alexandre.

O psicólogo salienta que qualquer pessoa está sujeita a esse estado de exaustão no final de ano e destaca que essa crise pode levar a reflexões construtivas.

“A crise é um sinal de que você precisa mudar e é algo que faz parte da vida. Não podemos simplesmente eliminar uma tristeza sem antes ‘conversar’ com ela. Ela pode ser um alerta de que você precisa cuidar de algo, então a melhor saída é lidar com ela”.

Para a psicóloga Kamila Vilela, dezembro carrega um imaginário social: clima de festa, reencontros, viagens e alegria. E, quando a realidade interna não acompanha esse “roteiro ideal”, a pessoa sente culpa, inadequação e até vergonha.

“É uma pressão silenciosa, mas muito forte: a obrigação de performar bem-estar, mesmo quando o ano inteiro foi pesado, gera um sofrimento adicional. É também quando as pessoas olham retrospectivamente e se perguntam: ‘fiz o suficiente?’ ou ‘conquistei o que planejei?’”, analisa.

Kamila aponta alguns sinais que podem demonstrar que alguém está enfrentando a “dezembrite”, como irritabilidade e impaciência acima do normal, desânimo, cansaço extremo e vontade de se isolar.

“É importante observar se esses sintomas passam rápido ou se começa a comprometer funcionamento e relações. Aí já não é só ‘dezembrite’, é sofrimento real, algo mais patológico”.

Estresse

Demandas urgentes



A universitária e empreendedora Rayla Barboza, 26 anos, lida com esse estresse e ansiedade gerados pela chegada do fim do ano. Demandas profissionais e domésticas são o que causam esse estado de “dezembrite”.

“Aparecem demandas urgentes e que precisam ser resolvidas antes das empresas entrarem em recesso. Fora os preparativos para o Natal e Ano Novo. Então gera essa ansiedade, esse questionamento de ‘será que vou dar conta?’”.

Fique por dentro 

Sono tem impacto direto no humor

O que é a “dezembrite”?

Um estado de exaustão que aparece no fim do ano quando o corpo e a mente mostram que não conseguem mais sustentar o ritmo imposto ao longo dos meses.

Ela funciona quase como um sintoma coletivo: dezembro é um mês que escancara o quanto vivemos no limite, tentando dar conta de múltiplos papéis, expectativas e metas. É o cansaço acumulado que finalmente encontra espaço para aparecer.

É um mês que convida, ou melhor, força, a comparação. E a comparação, em um contexto de redes sociais e hiperprodutividade, nunca é justa.

Quais são os sinais?

Irritabilidade e impaciência acima do normal.

Sensação de urgência constante, como se estivesse sempre “atrasada”.

Dificuldade de concentração e aumento de erros.

Tristeza inexplicável, apatia ou desânimo.

Cansaço extremo, mesmo após descanso.

Dificuldade de tomar decisões simples.

Vontade de se isolar ou, ao contrário, hiperengajar para tentar compensar.

Alerta

É importante observar se esses sinais são passageiros. Se começa a comprometer funcionamento e relações, aí já não é só “dezembrite” e deve ser tratado como algo mais patológico. Se os sintomas persistirem, busque ajuda profissional.

Como driblar?

Usar estratégias práticas, realistas e humanas. Não existem “listas mágicas”. É importante reduzir expectativas. Nem tudo precisa ser resolvido antes do ano acabar. É preciso se questionar: o que precisa ser fechado e o que pode esperar?

Criar pausas reais.

Simplificar o social, ou seja, escolher encontros que nutrem, não aqueles movidos por obrigação. O “não” também é uma forma de cuidado.

Revisar metas com gentileza.

Organizar prioridades: não para fazer mais, mas para fazer menos.

Desconectar da comparação: comparar a vida real com a vitrine dos outros é terreno fértil para frustração.

Sono, alimentação e movimento físico têm impacto direto no humor.



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