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Pela 1ª vez, OMS recomenda canetas contra a obesidade

Órgão aconselha o uso de remédios como Ozempic, Wegovy e Mounjaro por adultos, combinando-os com atividade física e dieta

Pela 1ª vez, OMS recomenda canetas contra a obesidade
- Caneta ajuda a perder peso, mas não aumenta massa muscular e não cuida da saúde metabólica a longo prazo, explica médico
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização



A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou a primeira diretriz sobre o uso de terapias com GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, para tratar a obesidade.

As canetas antiobesidade, também indicadas para tratar diabetes, poderiam se tornar uma ferramenta essencial para combater a obesidade, segundo afirmou a OMS na última segunda-feira.

Em todo mundo, mais de 1 bilhão de pessoas estão obesas, de acordo com a OMS. No Espírito Santo, relatórios públicos do estado nutricional, fornecidos pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), apontam que, apenas neste ano, 153.896 adultos –não considerando idosos – estão em acompanhamento no Estado.

A primeira recomendação condicional da OMS aconselha o uso de medicamentos GLP-1 por adultos, para tratamento em longo prazo, combinando-os com atividade física e dieta.

Para a endocrinologista e professora da Multivix Lusanere Cruz, a diretriz da OMS é ainda mais importante para as seguradoras de saúde, médicos e Sistema Único de Saúde (SUS).

“Quando se coloca uma medicação em uma diretriz de um órgão internacional, um paciente que tem indicação começa a ter direito. É a primeira vez que estamos diante de uma medicação eficiente e segura para a perda de peso, mas com o custo elevado, para problema populacional, que é a obesidade”, destaca.

Mario Sergio Zen, endocrinologista do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam-Ufes) avalia que a recomendação da OMS funciona como uma “chancela”.

“Isso aponta o quanto esses medicamentos são importantes para o tratamento da epidemia de obesidade que vivemos hoje. É diferente do laboratório ou sociedades brasileiras indicarem; agora temos uma recomendação da principal instituição de saúde mundial”, destacou.

Para Maurício Dall’Orto, médico do ambulatório da Bluzz Saúde, a recomendação abre espaço para que sistemas de saúde e governos discutam incorporação futura nas medidas públicas de saúde, negociação de preços e estratégias de acesso. “Isso é essencial para que o tratamento não fique restrito a uma pequena parcela da população”.



Fique por dentro

Redução dos custos em pauta

Diretriz da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou sua primeira diretriz sobre o uso de terapias com GLP-1 para obesidade, recomendando-as condicionalmente como parte do tratamento de longo prazo para a doença.

A divulgação aconteceu na última segunda-feira. Os remédios são conhecidos pelos nomes comerciais Ozempic, Wegovy ou Mounjaro.

as novas diretrizes recomendam que as terapias com GLP-1 sejam utilizadas em adultos – exceto mulheres grávidas – “para o tratamento de longo prazo da obesidade”.

Além disso, a agência da ONU reforça que os medicamentos devem ser associados a uma alimentação equilibrada e à prática regular de exercícios físicos.

As autoridades também destacaram a urgência em ampliar a capacidade produtiva, reduzir os custos e estabelecer estratégias de aquisição — como compras compartilhadas entre países —, modelo que já mostrou eficácia em programas globais de saúde, como o de combate ao HIV.

O objetivo é assegurar que o uso dos GLP-1 seja distribuído de forma mais justa entre as populações.

Fonte: G1 e CNN Brasil.

O que muda no sistema de saúde brasileiro?

Com a nova diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que muda no sistema de saúde brasileiro? Advogado e presidente da Comissão Nacional de Direito Médico da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Eduardo Amorim explica que, sob o aspecto jurídico, uma diretriz da OMS não tem força de lei no Brasil.

“Podemos considerar mais uma orientação; não cria obrigações imediatas. No entanto, tem um peso técnico e político grande por se tratar da autoridade máxima da saúde no mundo. Sendo assim, essas diretrizes orientam políticas públicas e decisões regulatórias”.

Segundo o advogado, as diretrizes da OMS podem funcionar como um acelerador institucional, pois reduzem incertezas científicas, orientam prioridades sanitárias e ajudam a uniformizar decisões técnicas.

“Embora a decisão de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) dependa de etapas formais, o simples fato da OMS publicar a diretriz sobre o GLP-1 coloca o tema como prioridade na agenda regulatória”, aponta.

Aumento

Na avaliação do médico Maurício Dall’Orto, com a recomendação da OMS, deve-se esperar um aumento natural da procura por parte dos pacientes.

“Isso reforça a importância de orientar corretamente quem realmente tem indicação e como deve ser feito o acompanhamento”.

Mesmo com o avanço, o médico alerta que qualquer medicamento ajuda na caminhada da perda de peso, mas não resolve sozinho.

“Os agonistas de GLP-1 atuam em vias do metabolismo da fome e da saciedade, facilitando a perda de peso, mas não corrigem hábitos, não aumentam massa muscular e não cuidam da saúde metabólica a longo prazo”.



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