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Política

Gilvan da Federal é condenado por violência de gênero e fica inelegível por 8 anos

Decisão de punir o deputado federal é do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo

Gilvan da Federal durante votação do Conselho de Ética
Foto de perfil de Weslei Radavelli

Weslei Radavelli

Formado em Jornalismo pela Faesa de Vitória, em 2007, foi repórter de A Tribuna e passou por veículos de comunicação no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. Atualmente é editor de conteúdo do Tribuna Online.

Última atualização



O deputado federal Gilvan da Federal (PL) foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo pelo crime de violência política de gênero e ficará inelegível por oito anos. A votação no TRE foi concluída na tarde desta terça-feira (09), depois da devolução de pedido de vista do desembargador Adriano Sant’Anna Pedra, que acompanhou o voto da relatora, a desembargadora Janete Vargas Simões.

A violência foi cometida contra a deputada estadual Camila Valadão (PSOL), enquanto os dois eram vereadores na Câmara de Vitória, em 2021. Gilvan desferiu ataques diretos à então vereadora, usando expressões como “satanista”, “assassina de bebê”, “assassina de criança” e repetindo por diversas vezes que ela deveria “calar a boca”, durante sessões da Câmara de Vitória, enquanto exercia sua função parlamentar.

Em um dos ataques, após uma sessão sobre o Dia da Consciência Negra, Gilvan chegou a desinfetar a tribuna onde Camila havia discursado minutos antes.

Gilvan chegou a ser condenado a um ano, 4 meses e 15 dias de prisão em regime aberto e o pagamento de multa de R$ 10 mil à vítima, em primeira instância. 

Em 2022, Camila se elegeu para a Assembleia e Gilvan para a Câmara dos Deputados.

Com o resultado do julgamento no TRE, o parlamentar se torna inelegível por oito anos, com base na Lei da Ficha Limpa, e é o segundo político no Brasil a perder o direito por causa do crime de violência política de gênero, tipificado pela Lei 14.192/2021.

Em seu voto, o desembargador Adriano Sant’Anna Pedra destacou que os fatos demonstram com clareza a violência política de gênero. “As condutas praticadas pelo réu ultrapassaram o limite da crítica política, adentrando o espaço do constrangimento direcionado à então vereadora, em razão da sua condição de mulher. As expressões dirigidas a parlamentar, especialmente a ordem para que “calasse a boca”, repetida em ambiente legislativo e acompanhada de postura intimidatória, assumem o caráter de supressão da fala e de tentativa de neutralizar sua atuação política”, diz o voto.

“A violência política de gênero enfraquece a democracia. O que aconteceu na Câmara de Vitória em 2021 não foram ‘brigas’ ou ‘desavenças políticas’. O episódio em questão tem nome: violência política de gênero, tipificada pela legislação brasileira. É disso que se trata! A condenação que ele recebeu chega tarde. Foram dois anos sendo ameaçada, desqualificada, interrompida e xingada no exercício do meu trabalho, para o qual fui legitimamente eleita”, analisou Camila Valadão.

Em Brasília, Gilvan recebeu suspensão de três meses pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados por chamar a deputada federal e hoje Ministra Gleisi Hoffmann de “prostituta”. Além de episódios em que desejou a morte da ministra Marina Silva e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em suas redes sociais, Gilvan da Federal não comentou sobre este assunto. A assessoria de imprensa do parlamentar foi procurada. Este texto será atualizado assim que uma resposta for encaminhada.

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