O paranaense Marcelo Nascimento da Rocha, conhecido como “Marcelo VIP” e apontado como um dos maiores golpistas do Brasil, morreu na terça-feira, 9, aos 49 anos, devido a complicações de uma cirrose hepática. Ele ficou conhecido nacionalmente após se passar pelo empresário Henrique Constantino, filho de um dos fundadores da companhia aérea Gol. A história inspirou um filme estrelado por Wagner Moura.
Nascido em Maringá, no interior do Paraná, Marcelo morava em Curitiba com a esposa e dois filhos. Na cidade, ele mantinha uma empresa de produção de shows e eventos, além de fazer trabalhos como palestrante e escritor.
Marcelo VIP morreu no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville (SC). Ele estava em uma viagem a trabalho, segundo o advogado Nilton Ribeiro, que foi seu defensor em diversos processos nos últimos 15 anos.
“A cirrose não era tanto por bebida, mas sim pela bariátrica que ele fez e ficou sujeito a problemas como esse”, contou o advogado. “Marcelo foi um cliente que virou amigo. Ele morava com a esposa e os filhos, era próximo da mãe e dos irmãos”, disse Ribeiro.
Segundo ele, Marcelo VIP teve a punição por estelionato extinta no começo deste ano após cumprir a pena. Nos últimos anos, ele passou pelo regime aberto e depois por liberdade condicional. “Ele cumpriu toda a pena por estelionato, tinha crimes contra a fé pública na grande maioria. Ele passou muito tempo no regime fechado”, afirmou o advogado.
Ribeiro se refere ao período em que Marcelo VIP esteve preso em Cuiabá (MT), onde ficou entre os anos de 2009 e 2014. No decorrer da vida, ele foi detido mais de dez vezes e condenado a mais de 30 anos de prisão. Marcelo também chegou a ficar detido no presídio de Bangu, no Rio de Janeiro.
“O Marcelo nunca praticou algum crime para ter dinheiro. Ele sempre via essas situações como desafios e queria mostrar que era capaz. É um caso diferenciado de estelionato. Quando ele se passou pelo filho do dono da Gol, não ganhou nada. Pelo contrário, gastou muito dinheiro. Muita gente o critica, mas quem o conhecia gostava muito”, disse o advogado.
História de filme
Os golpes praticados por Marcelo da Rocha ganharam notoriedade no País. Em 2001, em uma festa de carnaval no Recife, ele fingiu ser o filho de um dos fundadores da Gol, conseguindo ficar entre famosos em camarotes e concedendo entrevistas para programas de TV se passando pelo empresário.
Esse episódio rendeu o livro “VIPs – História reais de um mentiroso”, publicado em 2005 e escrito por Mariana Caltabiano. Em 2010, o golpista participou do documentário com o mesmo nome, dirigido pela autora do livro. No ano seguinte, a história ganhou roteiro de ficção no filme “VIPs”, estrelado pelo ator Wagner Moura.
Marcelo da Rocha foi velado nesta quarta-feira, 10, na Capela Pedro Fuss, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. A cerimônia de cremação estava prevista para as 16 horas.