Além de faro de gol, o que não falta a Beto é coragem. Pensando na saúde financeira da família, o atacante já se aventurou por destinos alternativos do mundo da bola e superou até mesmo o medo de guerra para atuar no Líbano.
Aos 32 anos, o centroavante de 1,88 m é um dos sete reforços do Vitória para a temporada 2020 e chegou a Bento Ferreira com muitas histórias e lições para contar. Além de defeder o Al-Ansar, do Líbano, na temporada 2016/2017, ele atuou por clubes da Polônia, China, Kuwait e Indonésia, de onde veio para o Estado depois de jogar pelo Perseru Serui.
“Para alguns países, eu confesso que saí do Brasil com medo e me surpreendi positivamente. Um deles é o Líbano. Fui para ficar a 200km da Síria, em Beirute, capital do Líbano, e com muito medo de guerra, mas foi um dos países mais tranquilos e bonitos em que eu vivi. O futebol não é lá essas coisas, mas tenho família com dois filhos e, financeiramente, para mim foi muito bom. O Líbano é muito pequeno, as cidades são muito pequenas. No Líbano, no centro está um sol e em três horas de carro você está na neve! É muito curioso e bonito”, lembra o atacante paulista.
Mas a história dele começou em um grande clube no Brasil. Ele foi revelado pelo Palmeiras, mas não soube aproveitar tão bem as oportunidades no início da carreira, o que serviu de lição. No Verdão, mesmo depois de ter sido o artilheiro do Paulistão Sub-20 e da Copa Cultura,em 2005, e da Série A2 do Paulistão pelo time B do Palmeiras, ele foi emprestado pelo clube em 2007 para a Juventus/SP, a pedido do então técnico Caio Júnior. E não voltou mais.
“Agradeço a Deus por ter vivido isso (jogar no Palmeiras), mas se eu pudesse voltar atrás teria feito coisas diferentes. Minha realidade é como a da maioria dos jogadores brasileiros. Venho de família humilde, pobre, sem instrução, então talvez algumas coisas me deslumbraram, e hoje não repetiria. Sempre que vejo um menino nesse caminho, eu falo que não é o caminho”, afirma.
Com Beto e outros seis reforços no elenco, o Vitória se prepara para estrear no Capixabão no próximo dia 25, quando recebe o São Mateus no estádio Salvador Costa. Antes, porém, o time alvianil faz amistoso com a Tombense/MG, fora de casa, nesta quarta-feira (08). Já no dia 20 de janeiro, o adversário será o Botafogo, em amistoso no estádio no Kleber Andrade.
TRIBUNA ONLINE: Você já jogou em cinco países diferentes e alternativos no meio do futebol (Líbano, Polônia, China, Kuwait e Indonésia). Onde teve mais dificuldades?
BETO: “Onde tive mais dificuldade foi na Polônia, até por questão de alimentação. Na China eu encontrei de tudo para comer. E sempre onde eu fui eu levei minha esposa e a adaptação foi mais fácil. Foram experiências boas”.
O Líbano talvez seja o mais curioso desses destinos. Como foi lá?
“Para alguns países, eu confesso que saí do Brasil com medo e me surpreendi positivamente. Um deles é o Líbano. Fui para ficar a 200km da Síria, em Beirute, capital do Líbano, e com muito medo de guerra, mas foi um dos países mais tranquilos e bonitos que eu vivi. O futebol não é lá essas coisas, mas tenho família com dois filhos e, financeiramente, para mim foi muito bom. O Líbano é muito pequeno, as cidades são muito pequenas. No Líbano, no centro está um sol e em três horas de carro você está na neve. É muito curioso e bonito”.
Como foi seu início de carreira no Palmeiras?
“Lá eu joguei com Zé Love, David Braz, Ilsinho e Elias, que ainda era atacante, entre outros. Foi uma passagem muito boa. Agradeço a Deus por ter vivido isso (jogar no Palmeiras), mas se eu pudesse voltar atrás teria feito coisas diferentes. Minha realidade é como a da maioria dos jogadores brasileiros. Venho de família humilde, pobre, sem instruções, então talvez algumas coisas me deslumbraram que hoje não repetiria. Sempre que vejo um menino nesse caminho eu falo que não é o caminho”.
E o que espera dessa sua passagem pelo Vitória?
“É um desafio novo, um Estado onde eu não tinha jogado ainda. Temos três objetivos claros, que são passar pelo CSA na Copa do Brasil, além de ganhar o Capixabão e conseguir o tão sonhado acesso à Série C.
Você chega para a posição que foi muito bem ocupada pelo Thauan, que foi o artilheiro do time na Copa Espírito Santo do ano passado, mas se transferiu para o Resende/RJ. Como é chegar para suprir essa ausência?
“Thauan fou muito bem, mas ele sozinho não teria feito os gols. Eu chego em uma equipe muito bem construída e minha primeira função é encaixar nessa equipe. Se isso acontecer, os gols vão sair naturalmente. Quero ser campeão pelo Vitória e a artilharia vai ser consequência do trabalho dentro de campo”.
