Na quarentena, jovens que querem concorrer ao cargo de vereador têm apostado na organização de “encontros virtuais” para que possam se apresentar a potenciais eleitores. As reuniões acontecem em pequenos grupos, por meio de plataformas como o Zoom, e cumprem também o papel de angariar voluntários para a campanha.
Nesse cenário, até clubes do livro viraram palco do debate político, e algumas reuniões chegam a propor aulas de dança para quebrar o gelo e motivar a discussão.
Para a cientista política e pesquisadora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Carolina de Paula, esse tipo de encontro “funciona como aquele velho trabalho de corpo a corpo, tão forte nas campanhas municipais”. “As campanhas locais têm essa proximidade, que o Zoom tenta trazer. Você pode até realizar, por exemplo, reuniões com temas específicos”, afirmou Carolina.
Pré-candidato a vereador em Maceió, Anísio Lima (PSDB) tem lançado mão dessa estratégia. “Eu falo para meus amigos que sou pré-candidato e que gostaria de me apresentar para amigos deles”, disse Anísio.
“No início, para ficar mais rápido, a gente também segmentava essas reuniões: ‘Hoje vou conversar com o pessoal da empresa júnior, hoje com gente de projetos sociais, hoje com jovens de movimento estudantil e da igreja’, e assim a gente vai fazendo.”
Ganham força outras estratégias de diálogo com o eleitorado. Caso da pré-campanha de Vivian Mendes (PT), que quer concorrer à Câmara de São Paulo
Vivian tem organizado um “clube do livro feminista” virtual, no qual cerca de 40 mulheres se encontram semanalmente para discutir a leitura de uma obra, que também possibilita que ela apresente suas bandeiras.
“Tem bastante gente que acabou entrando na nossa pré-campanha por conta do clube, gente que participou e se interessou”, disse ela.
Dança
Colega de partido de Vivian, a pré-candidata a vereador em São Paulo Luna Brandão tem buscado formas de dialogar com uma parcela mais ampla da população, e chegou a propor aulas de dança em encontros que organizou. Para ela, “atividades lúdicas e culturais” aproximam as pessoas do debate.
“Você traz uma quebra para o ambiente da política, que é muito engessado.” A atividade, disse Luna, ajuda a “quebrar o gelo, debater preconceitos contra o corpo e ter um tema gerador para organizar o debate”.
