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Viciados ocupam mais ruas e atacam idosos nos bairros

Cada vez mais ousados e ocupando ruas de bairros da Grande Vitória, usuários de drogas estão atacando vítimas para roubar ou somente agredir. Os ...

Dependentes químicos usam drogas durante o dia na Vila Rubim, em Vitória: problema é comum em várias cidades

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Dependentes químicos usam drogas durante o dia na Vila Rubim, em Vitória: problema é comum em várias cidades (Foto: Fábio Nunes/ AT)

Cada vez mais ousados e ocupando ruas de bairros da Grande Vitória, usuários de drogas estão atacando vítimas para roubar ou somente agredir. Os últimos casos aconteceram com duas idosas, de 60 e 77 anos, no bairro Vila Rubim, em Vitória.

Elas foram feridas com golpes de facão. O agressor, identificado pela polícia com Renilson Jesus dos Santos, de 34 anos, acabou preso. O primeiro ataque ocorreu a uma aposentada, de 77 anos, assim que o suspeito desceu a escadaria São Simão, na noite de terça-feira.

Moradores da região afirmaram que ele estava alterado e aparentava ter usado drogas. Ao descer a escadaria, ele viu a vítima conversando com vizinhas. Em seguida ele a atacou e desferiu diversos golpes na cabeça e no braço da idosa.

Em seguida, ele correu na direção da avenida principal do bairro e se deparou com a segunda vítima, de 60 anos. Ele agrediu a mulher com um golpe no braço direito e correu. O suspeito foi seguido e detido por moradores do bairro.

Ele chegou a ser agredido e uma radiopatrulha da Polícia Militar efetuou a prisão do suspeito. As vítimas foram socorridas e levadas para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), o antigo São Lucas, em Vitória.

A de 60 anos já recebeu alta e a outra continua internada. O suspeito foi para o mesmo hospital devido aos ferimentos que sofreu ao apanhar da população. Assim que recebeu alta, foi conduzido até a 1ª Delegacia Regional de Vitória.

Renilson foi autuado por tentativa de homicídio e encaminhado para o Centro de Triagem de Viana (CTV). Na tarde de quarta-feira (19), a reportagem de A Tribuna percorreu bairros da Grande Vitória e flagrou diversas cenas de moradores de rua fazendo o uso de drogas.

Segundo moradores, o problema cresce a cada dia. “Eles estão mais ousados, não aceitam ‘não’ como resposta. Os moradores ficam com medo, pois o risco de ataques é constante. E são pessoas que não têm nada a perder”, afirmou Cesar Saade, presidente da Associação Comercial da Praia do Canto.

Já Samuel Cabral, presidente da Associação de Moradores da Enseada do Suá, destacou que ataques também já ocorreram na região. “É um problema de longa data e só aumenta. Já houve casos de ataques e a situação ficou pior de cinco anos para cá”, revelou.

“Revoltante ver o que ela passou”

Filho da idosa acompanhou a mãe no hospital: “Ela foi atingida por vários golpes, no braço e na cabeça. Teve de colocar alguns pinos no braço. Agora é esperar que tudo fique bem” (Foto: Fábio Nunes/ AT)Preocupado com o estado de saúde da mãe, de 77 anos, que foi esfaqueada por um criminoso, na noite de terça-feira (18), em Vitória, um representante comercial, de 50 anos, conversou com a reportagem de A Tribuna e afirmou que ficou revoltado com a forma com que a idosa foi atacada.

A Tribuna – Como soube que sua mãe havia sido atacada na rua?
Representante – Ela estava na frente de casa conversando com vizinhas, que também são idosas. Foi quando ele chegou alterado e a atacou. Eu soube logo em seguida. Uma das vizinhas ligou para mim e contou que ela tinha sido golpeada e que era grave.

Qual a reação que teve na hora que soube?
Eu fiquei em estado de choque, sem chão e preocupado. É revoltante ver a minha mãe passando por isso. A tragédia poderia ter sido ainda maior, pois ela estava com outras idosas e ele poderia ter atacado-as com o facão também.

Por que não atacou?
Só não atacou porque na hora a minha mãe caiu no chão e as outras idosas saíram correndo. Elas conseguiram escapar.

Ele falou alguma coisa no momento do ataque?
Falou que estava possuído pelo demônio e que o satanás queria que ele matasse pessoas. Estava muito alterado. Não acho que ele queria roubar alguma coisa, a intenção dele era só atacar mesmo.

O que ele fez assim que agrediu a sua mãe?
Ele saiu correndo e algumas pessoas ainda tentaram pegá-lo, jogar algumas coisas contra ele. Só que de nada adiantou e ele conseguiu fugir e atacar outra idosa, um pouco mais à frente. Aí sim conseguiram prender ele.

Como sua mãe foi socorrida e por quem?
Um barbeiro que mora na região a levou para o hospital. O suspeito também foi para o mesmo hospital e quando saiu estava debochado. Falava que quem quisesse poderia tirar foto dele, que ele não estava nem aí.

O que acha que deve ser feito para mudar essa realidade dos usuários?
Isso já é uma questão de saúde pública, não é nem de segurança. Pelo que me contaram, ele estava desesperado, alucinado e gritava muito. É um mal que atinge cada vez mais a sociedade.

O que espera que aconteça com o agressor?
Que ele pague pelo crime que ele cometeu, que ele seja processado de forma rápida. Não pode demorar, tem que ter muito cuidado com uma pessoa assim. Ele poderia ter atacado outras mulheres na rua, poderia ter matado alguém.

E a sua mãe, o que ela falou?
Ela está consciente, mas falou que não se lembra de nada do que aconteceu na noite de ontem (terça-feira). É um choque muito grande para a família toda. Não dá nem para acreditar que aconteceu.

Como está o estado de saúde dela no momento?
Ela está estável, mas teve que passar por cirurgia. E tudo indica que vai ter que passar por outras para se recuperar completamente. Ela foi atingida por vários golpes, no braço e na cabeça. Teve de colocar alguns pinos no braço. Agora é esperar que tudo fique bem com ela, se Deus quiser vai ficar.

Suspeito disse que ia matar a mando do demônio

“Estava com o demônio no corpo, eu vi ele (o demônio). Ele mandou eu sair matando todo mundo”. Essa foi a justificativa dada pelo suspeito Renilson Jesus dos Santos, de 34 anos, quando foi pego e espancado pela população. Ele é acusado de esfaquear duas idosas na noite de terça-feira.

Moradores afirmaram que nunca viram o homem no bairro Vila Rubim, em Vitória, mas relataram que ele foi visto subindo uma escadaria para comprar drogas e, minutos depois, ter descido bastante alterado e já com o facão na mão, atacando as vítimas.

“Aqui tem muitas crianças porque é próximo da pracinha. Se ele não tivesse atacado as idosas, certamente atacaria as crianças,” disse uma vizinha de uma das vítimas que preferiu não se identificar.

Além disso, um dos problemas relatados pelos comerciantes é a grande quantidade de usuários na Vila Rubim que sobem o Morro do Quadro para comprar drogas. “O bairro é tranquilo, mas os usuários de drogas são muitos”, disse.

Prefeituras afirmam que há abordagens pelas cidades

Sobre os problemas com usuários de drogas em ruas de diversos bairros da Grande Vitória, a Polícia Militar informou que realiza policiamento ostensivo de rotina e que denúncias de casos de suspeitas de crimes em andamento podem ser feitas pelo Ciodes (190).

Já o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Fronzio Calheira, destacou que o município conta com o projeto Escola da Vida, que busca resgatar a população de rua e dependentes químicos. Ele destacou que abordagens são realizadas diariamente da cidade.

As prefeituras da Serra, de Vila Velha e de Cariacica também informaram que realizam abordagens a moradores de rua todos os dias e que possuem serviços especializados para o atendimento a usuários de drogas.

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