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Coronavírus

Coronavírus: Maioria dos capixabas não respeita a quarentena, aponta levantamento

A maioria da população do Espírito Santo passou a desrespeitar o isolamento social, considerado pelos especialistas a principal forma de conter o ...

Feira fica lotada em Jardim da Penha, Vitória. Comércio no local é liberado, mas a prefeitura orienta distanciamento

Última atualização

Feira fica lotada em Jardim da Penha, Vitória. Comércio  no local é liberado, mas a prefeitura orienta  distanciamento (Foto: Dayana Souza/AT)

A maioria da população do Espírito Santo passou a desrespeitar o isolamento social, considerado pelos especialistas a principal forma de conter o avanço do novo coronavírus.

Um levantamento feito através do monitoramento de telefones celulares mostrou que somente 46,7% dos moradores estão cumprindo a quarentena em casa.

No dia 22 de março, quando o isolamento no Espírito Santo entrava em seu terceiro dia, 73% dos moradores estavam obedecendo às determinações do governo do Estado e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na época, o Estado registrava 26 casos e nenhuma morte – até o sábado (11), já são 383 casos e 9 mortes. Ou seja, mesmo com o avanço da doença, a população passou a sair mais de casa e se aglomerar nas ruas.

O levantamento foi feito com base em dados fornecidos pelas quatro operadoras de celular no País (Oi, Vivo, Tim e Claro).

A tecnologia rastreia o celular do usuário e determina que ele não está cumprindo a quarentena se o aparelho estiver a mais de 200 metros de casa. O sistema não identifica as pessoas, garantindo privacidade e anonimato.

A reportagem de A Tribuna foi às ruas ontem e comprovou que o isolamento não está sendo respeitado. Em áreas comerciais e de feira em Vitória e Cariacica, a aglomeração de pessoas foi grande.

Na capital, as regras que precisam ser cumpridas por feirantes e clientes não foram obedecidas por todos. A feira de Jardim da Penha estava cheia apesar do pedido da prefeitura para que apenas uma pessoa por família vá ao local.

Em duas barracas de venda de pastel e caldo de cana, clientes consumiam no próprio local, o que está proibido. Em uma das barracas, a reportagem também flagrou cadeiras utilizadas por clientes, o que também é proibido.

O dono de uma das barracas tentou justificar: “A gente pede para o cliente levar para viagem, e tem colocado na sacola, mas muitos preferem comer aqui. O povo tem de se conscientizar”, disse.

A prefeitura também orientou que os clientes fizessem uso de máscaras individuais, mas grande parte estava sem utilizar. “Não tenho medo disso, não”, afirmou o jardineiro Samuel Coelho.

Dados são usados no Estado

O governo do Estado está utilizando o monitoramento da população através dos telefones celulares para tomar as decisões em relação ao novo coronavírus.

Os dados estão sendo analisados pelo Centro de Comando e Controle (CCC), que integra secretarias estaduais, Corpo de Bombeiros, polícias e outras instituições.

“Um dos dados considerados pelo setor de planejamento são as informações de movimentação de pessoas”, afirmou o governo do Estado por meio de nota.

O governo não detalhou, no entanto, se novas medidas serão tomadas a partir desses dados para que o isolamento seja mais respeitado.

Em pronunciamento no fim da tarde de sábado (11), o governador Renato Casagrande ressaltou a importância do isolamento social para conter a rápida transmissão da doença.

“Uma parte da população tem colaborado e não se aglomerando, mas infelizmente outra parte não vê problema. É bom que as pessoas se conscientizem, pois muitas pessoas estão morrendo”.

Feiras

Em relação ao desrespeito às regras nas feiras, a Prefeitura de Vitória respondeu em nota que a fiscalização está atuando e que “avalia semanalmente a situação das feiras livres e a permanência do funcionamento das feiras, levando em conta o cumprimento das regras estabelecidas”.


Saiba Mais


Como foi feito o levantamento?

  • Foi realizado com base em dados fornecidos pelas quatro operadoras de celular no País (Oi, Vivo, Tim e Claro).

  • A tecnologia rastreia o celular do usuário e determina que ele não está cumprindo a quarentena se o aparelho estiver a mais de 200 metros de casa.

  • O sistema não identifica as pessoas para garantir privacidade e anonimato.

  • Todos os estados brasileiros estão no radar do sistema. O levantamento analisa dados a partir de março, quando o isolamento começou.

  • Em São Paulo, o levantamento já está sendo utilizado para definir as políticas públicas.

Ranking no País

  • Goiás – 54,2%

  • Distrito Federal – 53,1%

  • Ceará – 52,8%

  • Piauí – 52,6%

  • Pernambuco – 51,5%

  • Maranhão – 50,9%

  • Amazonas – 50,5%

  • Paraíba – 49,9%

  • Rio Grande do Norte – 49,6%

  • Amapá – 49,4%

  • Rio de Janeiro – 48,8%

  • Sergipe – 48,5%

  • Pará – 47,5%

  • Rio Grande do Sul – 47,0%

  • São Paulo – 46,7%

  • Espírito Santo – 46,7%

  • Alagoas – 46,4%

  • Bahia – 45,8%

  • Minas Gerais – 45,8%

  • Acre – 45,3%

  • Paraná – 44,3%

  • Santa Catarina – 44,2%

  • Rondônia – 43,8%

  • Roraima – 43,1%

  • Mato Grosso – 41,2%

  • Tocantins – 41,0%

  • Mato Grosso do Sul – 39,6%

Fonte: Sistema In Loco.
 

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