
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o consumo de gás de cozinha aumentou em 23% no País em função do isolamento. Mais tempo em casa, mais consumo e as filas para comprar as botijas que restam no mercado têm dado voltas nos quarteirões.
O vice-presidente do Sinergás-ES, Cleber dos Santos Almeida, explicou que no Espírito Santo são consumidas 750 mil botijas de gás por mês e, com 23% a mais, esse número sobe 172 mil botijas. Além disso, segundo ele, é preciso acrescentar mais 90 mil botijas por causa de 10% dos consumidores que têm comprado para estocar.
“Isso dá 1 milhão de botijas por mês, sendo que a produção na Petrobras reduziu 50% por causa do coronavírus. Realmente a conta não vai fechar, mas chegaram três navios em Santos (SP) na semana passada e mais para o final desta semana ou início da próxima o abastecimento será normalizado. Vai ter gás para todo mundo, é só uma família não comprar 3, 4 botijas”, afirmou Cleber.
Preços abusivos
O vice-presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás no Espírito Santo (Sinergás-ES) pediu ainda que os moradores denunciem se flagrarem alguma distribuidora vendendo botija a preço abusivo.
“Uma botija varia de R$ 65 a R$ 75. Mas sabemos que tem gente que está usando até amigos e família para ficar na fila e comprar várias para depois vender por R$ 100, por exemplo. Quem flagrar esse tipo de situação, pode acionar o Procon. Se for possível, até tire uma foto do veículo ou pegue o telefone de quem está vendendo. O Procon vai agir”, pediu Cleber Almeida.
Fila com mais de 200 pessoas
Uma cerimonialista de 32 anos que mora no bairro Universal, em Viana, gravou um vídeo mostrando a situação dos vizinhos: pessoas umas atrás das outras, a maioria sem máscaras de proteção, à espera de atendimento em uma distribuidora de gás.
“Já contei cerca de 200 pessoas na fila, e isso é todo dia. Além da falta de gás, tem o problema da prevenção ao coronavírus. Todo dia tem fila e ninguém usa máscara, fica um perto do outro. As pessoas não respeitam o distanciamento de dois metros. Já temos caso confirmado aqui no bairro Universal e daqui a pouco vamos ter mais por causa disso”, relatou a cerimonialista.
Ela ainda destacou que tem apenas uma botija em casa, e já quase acabando. “Meu gás está praticamente no fim e não consigo comprar porque não vou ficar naquela fila. Se eu precisar, vou na casa da minha sogra porque ela foi para a roça e posso usar a botija dela. Mas e as pessoas que não têm opção?”, questionou.
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