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Coronavírus

“Deus operou um milagre em mim”, diz professor que superou a Covid-19

Foram 20 dias internado em um hospital particular, lutando contra o novo coronavírus e recebendo orações de familiares e vizinhos. Na manhã de ontem, ...

Vizinhos se reuniram em frente ao apartamento de Edson Luiz (na janela) para agradecer a Deus a cura da doença

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Vizinhos se reuniram em frente ao apartamento de Edson Luiz (na janela) para agradecer a Deus a cura da doença (Foto: Beto Morais/ AT)

Foram 20 dias internado em um hospital particular, lutando contra o novo coronavírus e recebendo orações de familiares e vizinhos. Na manhã de ontem, o professor aposentado Edson Luiz Braga, de 68 anos, recebeu a notícia que esperava: a cura da Covid-19.

Ele voltou para a casa onde mora, na Mata da Praia, Vitória, e foi recebido com carinho. Assim como fizeram durante os dias em que a vítima estava doente, os vizinhos se reuniram na frente do prédio de Edson e agradeceram pela saúde do professor.

Ele conversou com a reportagem de A Tribuna e explicou como foi sua recuperação, o que sentiu enquanto estava internado.

A Tribuna – O que fez com que o senhor procurasse o hospital? Teve algum sintoma?
Edson Braga – No dia 6 de abril eu fui sozinho ao hospital. Estava com tosse e uma pequena dor nas costas. Não pensei em coronavírus, achei que estava com pneumonia. Mas assim que cheguei, em meia hora eu já estava na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). No mesmo dia eu fiz o teste para coronavírus e deu positivo.

Como foi sua primeira semana de internação?
Eu procurei ficar tranquilo. Estava na UTI, mas permaneci consciente. Se eu tive momentos de inconsciência, eu não me lembro. Eu não imaginava o nível dessa doença. É duas vezes pior do que eu pensei. Foi muito dolorido do começo. Fiquei completamente isolado, sem contato com a família.

Qual foi o pior sintoma que sentiu durante os dias de internação?
Quase não tive falta de ar, até mesmo porque logo entrei com oxigênio para ajudar. Febre foi muito pouca. Também foi ruim ficar entubado. O pior para mim eram as alucinações. Coisa que apareciam para mim, mas que eu sabia que não poderiam estar num quarto de hospital.

Que tipo de alucinação?
Eu via coisas. Como estrelas, por exemplo, traços coloridos, coisas estranhas. Tive alucinações, mas eu não me entreguei em momento algum. Essa foi a parte mais complicada para mim. É uma experiência muito forte.

Outro fator muito ruim foi a quantidade de remédios que eu tomava. Com isso, mesmo estando consciente, eu me sentia dopado o tempo todo.

Quando começou a apresentar melhoras?
Na última terça-feira, eu saí da UTI. Me falaram que a minha evolução estava muito boa e que, se eu continuasse assim, poderia voltar para casa no final de semana. Mas eu achei que fossem me dar alta só mesmo durante essa semana.

Quando recebeu a notícia que estava curado?
Hoje (ontem) pela manhã, a médica foi ao meu quarto e me disse que eu poderia voltar para casa. Fiquei emocionado quando soube que estava curado. Fiquei feliz em saber que eu poderia ir embora e me encontrar com a minha família novamente. Deus operou um milagre na minha vida. Eu pedi muito a Deus por essa cura e ele não me abandonou. Não me entreguei em momento algum. Tive fé, e isso foi muito importante para o meu tratamento, não tenho dúvidas.

Acha que alguma coisa mudou na sua vida depois dessa experiência?
Com certeza eu vou ver a vida de forma diferente. Tive muito tempo para refletir, para valorizar as coisas.

Hoje vejo que, muitas vezes, eu valorizava coisas que não tinham tanta importância assim. A minha vida mudou.

Qual a mensagem que o senhor pode passar para as outras pessoas?
Tomem cuidado com essa doença. Se cuidem. Ela é terrível. Eu vejo que muitas pessoas não estão levando a sério e a situação só tende a complicar ainda mais. A transmissão é muito rápida, todo cuidado é pouco. Eu mesmo não faço ideia de onde me infectei.

O senhor estava de quarentena antes de ser diagnosticado com a Covid-19?
Estava, mas eu saía de casa quando era necessário. Sempre usando máscara. Até mesmo porque eu tenho diabetes, ou seja, com risco maior. Agora vou continuar me cuidando, até mais do que estava antes. Estar curado é como despertar de um pesadelo.

O senhor soube que os seus vizinhos se reuniam e rezavam na frente do prédio enquanto estava internado?
Sim, soube. Fiquei muito feliz. Essas orações me ajudaram. Sem Deus a gente não é nada. Recebi mais de 300 mensagens de apoio no WhatsApp e ainda não tive tempo de agradecer a todos. Mas vou fazer isso, com certeza. Estou grato por tudo que fizeram por mim.

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