O número de profissionais da área da saúde que estão infectados pelo novo coronavírus (Covid-19) praticamente triplicou em cinco dias no Espírito Santo. Até a noite de domingo (26), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) havia recebido 507 notificações.
Os dados equivalem a 27,8% das pessoas com a doença no território capixaba, que são 1.819. Na terça-feira, o número de profissionais contaminados era de 171.
A maioria são médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. Mas há também profissionais que atuam em outros setores de hospitais e unidades de saúde, como no administrativo, limpeza e almoxarifado.
Dos contaminados, 378 são mulheres. A faixa etária mais atingida entre os profissionais é de 30 a 39 anos, segundo a Sesa, que também informou que 89 possuem algum tipo de comorbidade, como problema no coração e diabetes.
Entre os infectados, uma morte foi registrada, mas a Sesa não informou qual a função que o profissional exercia. O município de Vila Velha é o que registra o maior número de profissionais com a Covid-19: 141, seguido de Vitória, com 130, e da Serra, com 128.
Do total, 177 profissionais foram curados. O cenário preocupa o presidente do Sindicato dos Médicos e vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Otto Baptista.
“É um aumento assustador. Os soldados da linha de frente do combate contra a Covid-19 estão caindo no Estado. Isso só prova que os nossos profissionais estão cada vez mais expostos”, disse.
Entre as reivindicações do sindicato, está uma escala envolvendo um rodízio de médicos, realização de testes nos profissionais e a garantia de uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
“A luz vermelha está acesa. É uma situação gravíssima. Nesse ritmo, em um mês teremos o dobro do número de profissionais infectados, e isso significa afastados também”, afirmou Otto.
O subsecretário de Regulação e de Organização da Atenção à Saúde, Gleikson Barbosa, informou que o número de EPIs existentes no Estado é suficiente para atender aos profissionais de saúde.
“Não estão em falta. E sobre a escala de trabalho dos profissionais, o que podemos falar é que é a mesma que sempre existiu, não mudou nada”, explicou.

