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“Sou uma leoa”, afirma idosa curada do coronavírus

Com 70 anos, muita determinação e sem perder a esperança e sobretudo a fé, a pensionista Laucília Tomazelli Sartório lutou para vencer o novo ...

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Dona Laucília deixa o hospital sob aplausos da equipe de saúde (Foto: Divulgação)

Com 70 anos, muita determinação e sem perder a esperança e sobretudo a fé, a pensionista Laucília Tomazelli Sartório lutou para vencer o novo coronavírus e depois de 10 dias internada no Hospital Evangélico de Vila Velha recebeu a notícia mais esperada: a de que estava liberada para ir para casa.

Laucília, que deixou o hospital na última terça-feira (14) em meio a muita comemoração, foi a primeira paciente da unidade curada da Covid-19.

Considerada grupo de risco pela idade e por apresentar um histórico de hipertensão e asma, ela foi isolada após confirmação do diagnóstico e recebeu os cuidados da equipe médica.

O hospital informou, por meio da assessoria, que a hidroxicloroquina foi administrada na paciente. No entanto, destacou que ainda não há comprovação científica sobre a eficácia da substância.

Já em casa, Laucília conversou na quarta (14) com a reportagem de A Tribuna e confessou: “Sou uma leoa. Se a gente não tiver força não vence.”

A Tribuna – Quando começou a passar mal?

Laucília Tomazelli Sartório – Eu até me perdi nas datas, mas tem cerca de um mês. No início achei que pudesse ser dengue, tomei remédio por seis dias, mas não melhorei. Tive febre alta, entre 38º e 39ºC.

Dona Laucília venceu a luta contra o coronavírus  (Foto: Divulgação)Fui levada para um hospital em Vila Velha, onde fiz exame e mostrou que eu estava com pneumonia. Fui medicada e liberada. Por 10 dias, tomei antibiótico, mas não melhorei. A febre persistia, não tinha vontade de comer. Estava bem caída.

Ligamos para o meu plano de saúde e a equipe veio aqui e passsou mais 10 dias de medicamento, mas no oitavo dia piorei e meus filhos me levaram para o hospital novamente. Lá, fizeram uma tomografia e viram que eu tinha piorado e afetado meus dois pulmões.

Passei a noite no pronto-socorro e no dia seguinte minha família decidiu me levar para o Hospital Evangélico, onde fizeram outra tomografia e viram que o meu quadro era grave. Fui direto para o isolamento, onde fiquei por 10 dias.

Qual foi a reação da senhora quando recebeu a notícia de que estava com coronavírus?

Quando o médico falou, disse: “Amém. Tenho a certeza que vou sair dessa”. Disse que era muito forte e iria passar por isso, pois tinha fé em Deus e Deus abençoou.

Sentiu medo?

Não senti medo porque Deus é maior. A gente tem um Deus que cuida da gente em um momento especial como esse. Mas, claro, chorei antes de ser levada para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), pois vi minhas filhas chorando e achando que eu não voltaria mais para casa. Mas foi só ali que chorei.

Como foi o isolamento?

Isolamento total, não via nem os outros doentes. Só os funcionários, a equipe toda que cuidou de mim. Estava muito bem assistida.

O que fazia para passar o tempo na UTI?

Estava deitada, cheia de aparelho no braço, coração, oxigenação. Durante esse tempo eu dormia e orava muito. Pedia a Deus para colocar anjos naquele lugar. Tinha a certeza de que não estava sozinha.

Por isso, só tenho a agradecer a Deus, a todos que oraram comigo. Sou evangélica e a minha igreja e família estiveram comigo em oração durante todo esse tempo.

Como descreve o momento que deixou a UTI e foi para a enfermaria?

Foi de muita alegria, a equipe bateu palmas. Quando fui para o quarto, achei que ia ficar mais tempo no hospital, mas foi só uma noite. Quando soube que estava de alta, perguntei: “Como assim?”. A equipe ainda brincou e perguntou se eu queria ficar mais (risos).

Liguei para as meninas (filhas) logo. Na UTI eu não podia falar com ninguém da família, nem pelo celular. Estava desligada do mundo, você não sabe hora, dia, não sabe nada, mas tinha a certeza que todos estavam torcendo por mim. Tenho cinco filhos, sendo quatro mulheres, além de nove netos e duas bisnetas.

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Nos aplausos, o que sentiu?

Não tenho palavras, foi um momento de muita benção. A minha vontade de era de abraçar a todos, mas acenava e agradecia.

Chorou?

É preciso ser forte. Sou uma leoa. Se a gente não tiver força não vence. Já passei muitas coisas na vida e venci tudo. Lógico que essa foi a pior experiência da minha vida, mas voltei com tudo, firme e forte.

Imagina como pegou o vírus?

Não tenho noção. Moro no Retiro do Congo (Vila Velha). É um lugar tranquilo, só mata, lagoa, um lugar de benção. Eu ainda sinto um pouco de fraqueza, pois só conseguia comer gelatina no hospital. Perdi seis quilos. Por isso digo às pessoas: se cuidem, essse vírus não é brincadeira.

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