Um ofício do governo do Estado enviado aos secretários municipais de saúde dá conta de que a pandemia da Covid-19 pode se arrastar até o final do mandato dos atuais prefeitos, podendo se estender até 2021.
O documento também recomenda que as cidades declarem emergência em saúde.
O ofício, obtido pela reportagem com fontes da Saúde dos municípios, é assinado pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, e explica que há uma expectativa de que o comportamento da pandemia seja de ondas, variando entre momentos de elevação e de queda de casos.
A previsão também é de que esse fenômeno perdure até que se consolide de fato a imunidade de boa parte da população capixaba ao coronavírus ou que surja uma vacina eficaz.
“A crise tende a arrastar-se até o final do mandato dos atuais prefeitos e do governo do Estado. A mesma estará acompanhada de crise de arrecadação e de financiamento do Estado e dos municípios”, diz o texto.
O ofício cita ainda a influência do clima no Estado na duração da pandemia: “A força de transmissão e prevalência da Covid-19 nos climas quentes, tanto secos como nos úmidos, é maior do que se esperava”.
À reportagem, Nésio explicou que esse “sobe e desce” de casos e óbitos pode causar uma confusão perigosa do ponto de vista do controle da pandemia. “Vamos precisar viver uma vida diferente”.
O envio do documento às prefeituras busca reorientar os municípios quanto às estratégias de enfrentamento à Covid-19 como “um desastre de duração de médio e longo prazo”. No texto, são recomendas algumas providências imediatas, como a criação de 30% de leitos e cadeiras com isolamento físico nas unidades de pronto atendimento, pronto-socorro, hospitais e, quando possível, até em unidades básicas de saúde.
O documento diz ainda: “Todos os hospitais, independentemente de serem referências para Covid-19, deverão adaptar estruturas com leitos isolados para pacientes suspeitos, até confirmação diagnóstica”.
O ofício pede que as cidades garantam “notificação e isolamento por 14 dias de todos os casos de síndrome gripal diagnosticados nos serviços”. Segundo Nésio, é preciso preparar toda a rede para conviver com a Covid-19. O ofício informa que “o momento exige que as medidas sejam ágeis, devendo ser iniciadas nesta semana”.
“Todo o mundo corre o risco de colapso”
Questionado pela reportagem, o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, disse ontem que “todo o mundo corre o risco de colapso” no sistema de saúde.
“Se não, não haveria necessidade de paralisar o mundo, de tomar medidas de distanciamento social e tantas declarações de emergência”, afirmou.
Para Nésio, “estamos num momento quente do coronavírus no Estado e, sem isolamento, estaríamos vivendo nosso pior momento”.
