O isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus mudou a rotina dos capixabas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a medida é importante para combater a proliferação da doença.
Mas para quem pode estar em casa de quarentena, o período de afastamento não precisa ser tedioso, basta usar a criatividade.
Séries, filmes, músicas e lives de diversos artistas são algumas das opções mais lembradas para a diversão em casa. No entanto, muitos capixabas estão decidindo investir no tempo livre de outra maneira: desenvolvendo novas habilidades.

A estudante de Jornalismo Gabriela Brito, de 19 anos, seguiu os passos de sua mãe, que é costureira, e está desenvolvendo a habilidade de costurar. Inicialmente, a ideia era praticar a atividade como hobby, mas, após produzir almofadas, Gabriela chega a pensar no ofício como uma fonte de renda extra.
“Eu já tinha essa vontade (de aprender a costurar). Já tinha até comprado um curso na internet, antes do isolamento, mas não tive tempo de iniciar. Com a quarentena, minha mãe está me ajudando a pegar na máquina. Vou aprendendo com ela e dando uma olhada no curso”, explicou Gabriela.
A estudante pensa em empreender. “Por enquanto é um hobby, mas aprendendo e gostando, imagino a possibilidade de iniciar o empreendedorismo e criar minha própria marca.”
A universitária vê no ramo da costura um nicho de mercado promissor, por causa da escassez de profissionais no mercado.
“Fiz algumas almofadas mas meu objetivo é fazer roupas, o que hoje é quase um artigo de luxo. Minha geração quase não sabe mais o que é uma roupa feita sob medida, com exclusividade.”
Aventura com farofa de pipoca
O médico Hugo Migliorini, de 35 anos, que trabalha com emagrecimento e ganho de massa magra, aproveitou o fechamento de seu consultório, neste período de isolamento, para se dedicar à cozinha.
Além de agradar à noiva, que está trabalhando, Hugo vai usar os pratos testados para montar um livro virtual.
“Tenho muitas ideias de combinações de alimentos e refeições, mas nunca testei fazer. Como estou dentro de casa, resolvi começar. Dessa nova aventura já saíram farofa de pipoca, bolinho de aipim fit, brownie vegano e outras coisas.”
Cozinhar para testar e economizar

Ele conta que sempre gostou de cozinhar, mas a relação com a prática de criar e testar novas receitas mudou durante a pandemia.
“Desde a infância, sempre gostei de cozinhar. Por ter uma vida muito corrida, nem sempre tenho tempo de cozinhar como gostaria, e a quarentena me proporcionou praticar esse hobby que amo.”
Algumas novas receitas que o estudante aprendeu foram pudim de tapioca, lasanha de panqueca, bolinho de batata doce com queijo, estrogonofe de soja, bolo de churros e pastel de pão de forma integral.
Além de economizar, ele agrada os amigos. “Moro com uma amiga, então sempre cozinho para nós dois, mas também gosto de cozinhar para amigos em ocasiões especiais.”
ANÁLISE
“Momento difícil, mas é oportunidade de aprendizados”
Neste momento de pandemia, é esperado que estejamos frequentemente preocupados, estressados e com sensação de falta de controle frente às incertezas do momento. Infelizmente o indivíduo torna-se mais vulnerável para um processo de adoecimento mental.
É um período que exige de nós muita resiliência, autocuidado físico e mental. Um bom jeito de fazer isso, além de manter hábitos adequados de sono, alimentação e exercícios, é aproveitar esse tempo em casa para ser criativo.
Uma sugestão é retomar habilidades do passado, explorar atividades manuais, como por exemplo corte e costura, na confecção de máscaras, bordado, crochê. Cuidar de plantas, aprender a cozinhar em casa ou tocar um instrumento musical também são alternativas.
Momentos de crise são muito difíceis, mas também oportunidades de aprendizados.
Aventura com farofa de pipoca