Uma viagem dos sonhos pela Europa para conhecer França, Inglaterra, Bélgica e Holanda terminou em isolamento para o engenheiro civil Lucas Endo Gardoni Rodrigues, de 25 anos, que aguarda resultado do exame para saber se foi ou não contaminado pelo novo coronavírus.
Morador da Serra, Lucas viajou para a Europa no dia 3 de março e retornou no último dia 16.
Mesmo sem orientação, ele optou por não ter contato com a mãe, de 59 anos, para preservá-la e não esconde a vontade de abraçá-la.
Por telefone, na casa de praia de um amigo, onde está isolado, Lucas conversou com a reportagem e confessou: “Tive muito medo.”
A Tribuna – Foi a sua primeira viagem ao exterior? Não ficou inseguro de viajar em meio ao avanço da doença?
Lucas Endo Gardoni Rodrigues – Sim, foi a minha primeira viagem ao exterior. Abri mão da minha festa de formatura para viajar. Quando embarquei, os casos de coronavírus estavam começando. Estava acontecendo na China e na Itália. Como eu não passaria por esses países, resolvi não cancelar ou adiar a viagem.
Depois, foi se espalhando, mas dei sorte porque os casos aumentavam quando eu estava indo embora de cada país. Consegui fazer todos os passeios, mas depois disso, tudo mudou.
Durante a viagem, vi muitas pessoas de máscaras nos aeroportos e nos metrôs, mas nas ruas aparentemente estava tudo normal. Usei máscara no avião no retorno para o Brasil e me surpreendi, pois não passei por triagem ou recebi orientação para fazer isolamento.
O isolamento é voluntário?
Sim, por saber que os países que passei, principalmente França e Inglaterra, estavam com muitos casos de pessoas infectadas.
Quando teve sintomas?
Depois de dois ou três dias, em casa, percebi que não estava sentido cheiro e gosto dos alimentos. Fui comer chocolate que trouxe da Bélgica e não senti nenhum gosto.
Como ainda não tinha lido nada no Brasil que a perda de olfato e paladar eram sintomas, não me preocupei. Até que pesquisei em sites de fora do País e descobri que já estavam sendo considerados como possíveis sintomas do vírus.
Por precaução, continuei isolado em casa e os sintomas foram ficando piores, senti dificuldade em respirar acompanhado por tosse seca.
Na semana passada, acordei todos os dias com uma leve pressão no peito e fiquei mais atento. No último sábado, acordei com muita dificuldade de respirar e tosse.
Liguei para a UPA de Castelândia (Serra) e fui orientado a ir até lá, com máscara. Me isolaram em uma sala e fizeram coleta de material para realizar o exame. Tiraram as minhas dúvidas sobre os sintomas, me informaram como devo agir caso ocorram e disseram que o resultado sairá em sete dias.
Todos os dias, uma pessoa da unidade de saúde perto da minha casa liga para saber como passei as últimas 24 horas e me orienta sobre as medidas que devo tomar caso os sintomas evoluam. Desde sábado, estou em isolamento obrigatório, por mais 14 dias.
Sentiu medo?
Tive muito medo quando comecei a sentir falta de ar. Foi quando a ficha caiu.
Meu medo, além de ser internado e piorar, era de passar para alguém do grupo de risco, como minha mãe. Tenho preocupação, pois a gente não tem certeza sobre a evolução desse vírus.
E agora, como está?
Hoje (ontem) acordei com um pouquinho de dificuldade de respirar, tosse e pressão no peito. Não tive nenhum sintoma de gripe durante esses dias. O paladar começou a melhorar no domingo, mas ainda não está 100%.
Você mora com quem?
Com a minha mãe e meus dois irmãos, mas decidi ficar na casa de praia de um amigo. Tem um mês que não abraço a minha mãe. Vou manter os 14 dias de isolamento. Enquanto isso, aguardo, ansioso, o resultado do exame.
