A abertura de salões de beleza e clínicas de estética preocupa médicos. Para o clínico geral e colunista de A Tribuna João Evangelista Teixeira, os serviços prestados nesses locais, além de não serem essenciais, exigem proximidade entre profissional e cliente.
“Não dá para você fazer a unha, o cabelo ou a sobrancelha de uma pessoa mantendo uma distância de um ou dois metros. Por isso, a abertura desses estabelecimentos preocupa os profissionais da área da saúde e pedimos que precauções sejam tomadas”.
Ele afirmou que é indispensável que os profissionais usem máscaras e luvas. “Isso não pode faltar. Eu recomendo que o cliente use máscara também, quando o procedimento a ser realizado permitir”.
Outra recomendação é que conversas sejam evitadas durante o atendimento. “As pessoas costumam conversar muito nesses ambientes, mas temos que lembrar que, quanto mais a gente fala, mais gotículas de saliva são liberadas no ambiente, o que aumenta o risco de contaminação”.
O clínico geral também falou sobre os cuidados com a higienização do ambiente. “Recomendo que seja atendida uma pessoa por vez e que, entre um cliente e outro, haja um intervalo de tempo que permita que o ambiente seja higienizado. A limpeza pode ser feita com água sanitária ou com o álcool em gel”.

O médico defendeu que, neste momento, o ideal é praticar o isolamento social. “Quem pode, deve ficar em casa. Sei que muita gente precisa trabalhar e, para essas pessoas, a recomendação é que, no restante do tempo, fiquem em casa. Cada um precisa lembrar que, ao fazer isso, está protegendo a si, a seus familiares e a toda a população.”
Sindicato teme prejuízos no setor
Presidente do Sindicato dos Salões de Beleza do Espírito Santo (Sindibel-ES), Aridelmo Camilo Pereira diz que a entidade espera que na capital o decreto que proibiu o funcionamento dos salões de beleza não seja renovado, seguindo o posicionamento do governo estadual.
De acordo com ele, a capital tem entre 1,5 mil e 2 mil empresas do tipo. Em todo o Estado, são cerca de 11 mil salões, que temem grandes prejuízos se continuarem com as portas fechadas.
“Os salões maiores estão sofrendo mais porque têm que pagar empregado parado em casa. Os donos destes salões não têm como continuar mantendo os trabalhadores em casa se o decreto for renovado em Vitória”, disse o presidente do Sindibel-ES.
Procurada, a Prefeitura de Vitória informou que o decreto número 18.047/2020, publicado no dia 20 de março, com medidas que estabeleciam a suspensão do funcionamento de estabelecimentos comerciais, venceu sábado e será reavaliado pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) e pela Secretaria Municipal de Saúde hoje.
O órgão não adiantou, ontem, se existia um entendimento prévio para que as atividades dos salões e outros estabelecimentos sejam liberadas, dado o posicionamento do governo estadual.
