
Os pais da criança são um vigilante de 45 anos, que está desempregado, e uma professora, de 37 anos. Eles moram em Vila Velha.
À reportagem, o pai contou que o parto foi prematuro, com 29 semanas de gestação, feito no dia 5 de novembro, e o bebê precisou ser mantido internado porque apresentou broncodisplasia, uma doença que apresenta alterações na função respiratória. Ele está na Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (Ucin).
“Ele é meu primeiro filho. Nasceu prematuro e até agora não veio para casa. A Ucin é um estágio mais próximo de receber alta, mas nosso mundo desmoronou agora. Ontem (quinta-feira) recebemos a notícia de que meu filho está com coronavírus”, contou o vigilante, que preferiu não ter o nome dele e da mulher divulgados.
Na última segunda-feira, segundo o pai, o bebê começou a ter febre e coriza e foi isolado no hospital. “Ele foi mantido em um quarto e a rotina desses cinco meses apertou mais ainda. A gente não podia usar o banheiro coletivo e não podíamos tomar banho no hospital. Ontem (quinta), deram a notícia a minha mulher de que o exame de coronavírus deu positivo”.
“A recomendação do hospital foi para que ficássemos em quarentena em casa”.
Entretanto, a Secretaria de Saúde de Vila Velha, segundo o pai, ligou pedindo que eles fossem ao Pronto Atendimento (PA) da Glória para fazer o teste.
“Fomos hoje (ontem) ao PA e disseram que não iam fazer o teste porque a gente não se enquadrava na categoria de risco. Nos mandaram assinar um termo de responsabilidade de que não podemos sair de casa. Eu não assinei! A gente não está isolado em casa, nós estamos com rotina de hospital. Minha mulher está com tosse seca. Eu estou com dor no corpo, sou asmático. Precisamos fazer o teste”.
A Secretaria de Saúde de Vila Velha informou, por nota, que pela resolução do governo do Estado os pais não estão incluídos no grupo de coleta de material para exame.
“O PA seguiu a norma. Provavelmente ocorreu um ruído na comunicação. Mas, ambos estão sob monitoramento e devem obedecer o protocolo da quarentena”.