Cerca de 40 mil pessoas já pediram prorrogação dos prazos de pagamento de dívidas junto a bancos no Espírito Santo, aproveitando as medidas anunciadas ainda em março pelas instituições financeiras.
No Estado, mais de 747 mil pessoas estão com dívidas em atraso, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).
De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as medidas valem para financiamentos de imóveis, carros e outras dívidas. Elas não se aplicam a cheque especial, cartão de crédito e contas de consumo, como água e luz.
A exigência da maioria dos bancos é que as prestações estejam em dia, mas a Caixa aceita pausar pagamentos com até duas prestações em atraso. No banco, a pausa vale para contratos habitacionais pessoa física ou pessoa jurídica.
Os clientes do Banestes podem solicitar o reparcelamento, para até 180 dias, de operações de crédito pessoal (exceto o consignado), crédito imobiliário e financiamento de veículos, desde que estejam com as contas em dia. A proposta estará sujeita a análise.
Durante a pausa, em todos os bancos, será mantida a mesma taxa de juros, sem a cobrança de multa. Funciona assim: o cliente fica sem pagar aquela dívida e as prestações vão para o final do contrato. O prazo delimitado varia de 60 a 180 dias, conforme o banco.
O pedido para pausar as prestações pode ser feito nos canais eletrônicos, como o internet banking e a central de atendimento telefônica do banco em que a pessoa tomou o financiamento.
Mas não tem sido tarefa fácil acessar a pausa ou o reparcelamento de dívidas nos bancos.
Andrey Vilas Boas, coordenador geral de Estudos e Monitoramento de Mercado da Secretaria Nacional do Consumidor disse que os serviços de atendimento dos bancos estão com problemas em todo o País.
“A procura pela prorrogação dos prazos tem sido grande e gerou uma demanda que os bancos não estavam esperando. Isso está associado a algumas dificuldades dos canais de atendimento funcionarem por causa da epidemia do novo coronavírus. As agências de telemarketing estão passando por restrições de número de pessoas, por exemplo”, explicou.
Consignado

Servidor efetivo da Assembleia Legislativa, o ex-vereador Zezito Maio é um dos muitos funcionários públicos que esperam poder pausar também as parcelas de empréstimo consignado, com desconto direto na folha de pagamento.
“A gente não quer deixar de pagar, porque vira uma bola de neve. Então, a gente pede que as parcelas sejam suspensas por um tempo. O Sindicato dos Servidores Legislativos (Sindilegis) já fez essa solicitação”, contou.
Saiba mais
Prorrogação de dívidas
- A prorrogação de uma dívida com o banco não é automática e precisa ser solicitada pelos canais de atendimento ao cliente. As medidas não se estendem a dívidas no cartão de crédito e cheque especial.
- O prazo de reparcelamento ou a pausa nas cobranças varia de acordo com o banco, de 60 a 180 dias.
Banestes
- Para realizar a negociação, é preciso entrar em contato com o gerente, pelos canais oficiais de atendimento ou em uma agência. Pessoas físicas e jurídicas podem solicitar o reparcelamento para até 180 dias.
Caixa
- No aplicativo Habitação Caixa, pelo WhatsApp (o banco entra em contato com o cliente) ou pelos telefones 3004-1105, para capitais, ou 0800-726 0505, para demais cidades, de segunda a sexta feira, das 8h às 20h, exclusivamente, para contratos com pessoas físicas.
Banco do Brasil e Bradesco
- O cliente deve entrar em contato com o gerente ou utilizar os canais de atendimento eletrônico.
Itaú
- O cliente deve utilizar as Centrais de atendimento e os canais digitais (aplicativo Itaú, aplicativo Light, Itaú empresas e Itaú na interne).
Santander
- Buscar orientações pelo site www.santander.com.br/campanhas/santander-te-apoia.
Fontes: bancos consultados.