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Coronavírus

Servidora capixaba em Portugal relata drama de não conseguir voltar ao Estado

De férias, no dia 24 de fevereiro deste ano, a servidora da Assembleia Legislativa do Estado Emilly da Fonseca Reis, 25 anos, viajou para Lisboa, em ...

Ela está e férias em Portugal

Última atualização

Ela está e férias em Portugal (Foto: Acervo pessoal)

De férias, no dia 24 de fevereiro deste ano, a servidora da Assembleia Legislativa do Estado Emilly da Fonseca Reis, 25 anos, viajou para Lisboa, em Portugal.

Embarcaram com ela nessa viagem, sua mãe, a diretora de autoescola Adriana da Fonseca Soares, 48, e a irmã, a estudante Ellen da Fonseca Castiglioni, 17.

A previsão de retorno a Valparaíso, na Serra, onde residem, era ontem (segunda-feira). Contudo, as três capixabas juntam-se a cerca de 1,6 mil brasileiros que estão “presos” em Portugal por causa da pandemia do novo coronavírus.

Depois de uma tentativa frustrada de embarcar nesta terça-feira (24), ela conversou com a reportagem e relatou o drama vivido. A viagem foi remarcada para o dia 17 de abril.

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A Tribuna – No começo, como foram os dias de vocês em Lisboa?

Emilly da Fonseca Reis – Logo quando a gente chegou estava tudo funcionando normalmente. Não tinha nenhum caso de coronavírus aqui. A gente conseguiu aproveitar bem as duas semanas, mas depois da terceira semana já começaram muitos casos e ficou todo mundo de quarentena e está tudo fechado. A situação está bem crÍtica.

– Vocês estão de quarentena também?

Sim. Há uma semana e meia. Estamos na casa de uma amiga, junto com a família dela. Todos nós estamos de quarentena, mas ninguém apresentou sintomas de gripe.

– Como descreve o cenário na cidade?

Está tudo deserto. Na verdade, parece um filme de Apocalipse Zumbis. Nos supermercados, as pessoas fazem uma fila do lado de fora, é preciso manter distância entre as pessoas na fila e entra só um pouco de pessoas, não é permitido aglomerações dentro dos supermercados.

– Sente medo de estar aí?

Sim. Estou bem preocupada porque já estamos ficando sem recursos, a gente trouxe dinheiro para ficar um mês. Mesmo estando de quarentena, sentimos medo quando temos que ir em uma farmácia, em um supermercado ou até mesmo ao aeroporto.

– A previsão de retorno era quando?

Era ontem (segunda), dia 23. Depois cancelaram e colocaram para hoje (terça) e cancelaram de novo. Agora consegui falar com a companhia aérea e a previsão deles é dia 17 de abril.

– O que eles justificam?

Emilly está de férias e não consegue retornar ao Estado (Foto: Acervo pessoal)Falam que é uma pandemia, que não tinham como prever. Realmente não é culpa deles, mas começaram a cancelar e não deram justificativa do cancelamento, sendo que até domingo estavam saindo os voos normais. Se entrar no site tem passagem sendo vendida a R$ 10 mil. Como eles ainda estão vendendo passagem se alegam que não tem mais voo para o Brasil? Eles dizem que não tem voo em hipótese alguma, nem fazendo escala em qualquer lugar do País.

– E a Embaixaba, tem ajudado?

Nem a Embaixaba, nem o Consulado. Eu enviei dois e-mails e as respostas são automáticas, dizendo que estão fazendo de tudo, que estão em contato com o Itamaraty, com o Ministério das Relações Exteriores, com o de Turismo e que é para termos paciência e tentar remarcar com as empresas aéreas.

– Sua mãe e sua irmã, como estão emocionalmente?

Estamos todas preocupadas, já beirando ao desespero de ficar sem dinheiro e passar necessidade. Eu e minha mãe fazemos tratamentos e tomamos antidepressivos. Temos depressão, ansiedade e a minha mãe tem síndrome do pânico. E ficar de quarentena assim é ainda pior, sem saber quando vamos conseguir voltar. Só queremos voltar para a nossa casa.

– Tem outros capixabas aí na mesma situação?

Não sei se ainda tem algum aqui, muitos já conseguiram voltar porque compraram outras passagens.

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