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Dengue mata pedreiro em Cariacica, diz família

O pedreiro Rubens Wingler, de 65 anos, morreu em Cariacica vítima da dengue. Segundo familiares, ele deu entrada no Pronto Atendimento (PA) de Alto ...

Mosquito que transmite a dengue

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Irmão de vítima, José Luiz Wingler, 66, também contraiu dengue e foi junto com o pedreiro pedir ajuda em posto (Foto: Dayana Souza/ AT)

O pedreiro Rubens Wingler, de 65 anos, morreu em Cariacica vítima da dengue. Segundo familiares, ele deu entrada no Pronto Atendimento (PA) de Alto Lage no domingo (8) e morreu na segunda-feira (9).

José Luiz Wingler, 66, irmão de Rubens contou que, na manhã de domingo, os dois foram juntos ao PA. Desde sexta-feira, eles estavam sentindo dores de cabeça e febre alta.

“Como várias pessoas estão tendo dengue na região onde moro, ficamos desconfiados de que poderia ser isso. Então, fomos ao PA e o médico disse que estávamos com dengue mesmo. Ele nos deu uma medicação na veia e nos liberou, mas eu sabia que meu irmão não havia melhorado com o remédio”.

Rubens voltou para casa, mas seu estado se agravou. No mesmo dia, ele foi levado de volta ao PA. O pedreiro foi atendido novamente e, em seguida, entrou em coma.

“O médico disse para eu rezar, porque dificilmente ele sairia vivo daquela situação. Na segunda-feira, ele morreu. Meu irmão saiu de casa vivo e voltou em um caixão”, disse José.

De acordo com o irmão, Rubens era diabético e essa foi a primeira vez que teve dengue.

Durante o enterro do pedreiro, na tarde de segunda-feira, a mãe da vítima, de 80 anos, passou mal e foi levada ao mesmo PA onde o filho morreu. Ela foi atendida e liberada no mesmo dia.

José disse que está desamparado e sem saber o que fazer sem o irmão. “Nós trabalhávamos juntos, ele brincava muito, me fazia rir. Agora, toda vez que fecho meus olhos, penso que ele está morto”.

Em meio à dor, familiares denunciam a situação do bairro Morro do Expedito, onde Rubens vivia, que, segundo eles, é de precariedade e abandono.

A sobrinha do pedreiro, Fabrina Wingler, de 20 anos, contou que vários casos de dengue têm ocorrido no bairro e em regiões próximas. Mas, de acordo com ela, há dois meses, o carro fumacê não passa em Morro do Expedito e a prefeitura não faz a limpeza adequada do bairro.

Para os moradores, a sensação é de abandono. “Deixaram a gente abandonado nesse bairro. A prefeitura sabe como é aqui. O bairro está em estado de calamidade, é lixo acumulado, é quintal abandonado e ninguém olha para nós, meu irmão pagou por isso”, disse José Luiz.

Prefeitura afirma que não recebeu notificação

Nenhum caso de morte por dengue foi registrado em Cariacica este ano, de acordo com a prefeitura.

A administração do município informou que a Coordenação de Vigilância Epidemiológica não foi notificada sobre nenhuma vítima fatal da doença e também que não há registro de caso em investigação com o nome do pedreiro Rubens Wingler, que morreu na segunda-feira.

Ainda de acordo com a prefeitura, em 2020, foram notificados 495 caos suspeitos de dengue, sendo 314 confirmados por clínico-epidemiológico (em consultório médico) e 16 confirmados por laboratório (com exame). Foram descartados 165 casos.

A reportagem de A Tribuna percorreu ontem ruas do bairro Morro do Expedito, onde morava o pedreiro e encontrou, além dos focos de mosquito nas ruas, lixo acumulado em terrenos, água parada em residências e também nas ruas, além de terrenos abandonados com vegetação alta.

A Unidade de Vigilância de Zoonoses de Cariacica (UVZ) informou que o carro fumacê passou ontem nos bairros Alto Boa Vista, Alto Lage, Itaquari e Sotema.

Carro fumacê seria usado no local (Foto: Arquivo/AT)Segundo a prefeitura, são priorizadas regiões onde há mais notificações de casos de dengue e que não há registro de moradores com a doença em Morro Expedito. Mesmo assim, o bairro está na rota do carro fumacê e, devido à proximidade com os bairros citados, também foi contemplado ontem.

A prefeitura disse ainda que Morro do Expedito conta com coleta de lixo às terças, quintas e sábados, sempre durante a noite, e que o morador pode solicitar o recolhimento de entulhos (que é feito somente em espaços e vias públicas) ligando para a Ouvidoria Municipal, no número 162, de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h.

“Se houver lixo acumulado em terrenos particulares, deve ser formalizada uma denúncia pelo telefone 3354-5113, de segunda a sexta-feira, das 8 às 16 horas”, ressaltou a Prefeitura de Cariacica em nota. Cabe ao proprietário do terreno fazer a limpeza adequada.

Mutirões de limpeza contra o mosquito na Grande Vitória

Somente na Grande Vitória, foram notificados mais de 14 mil casos de dengue em 2020. A capital segue sendo a recordista de casos, com 5.719, segundo a Secretaria de Saúde de Vitória.

Na Serra, foram registrados 1.981 casos de dengue. No mesmo período do ano passado, foram registrados 3.097 casas na cidade.

Já em Vila Velha, 1.205 casos de dengue foram registrados este ano. Em 2019, no mesmo período, foram 819 casos.

De acordo com as prefeituras, mutirões de limpeza são realizados nas áreas com mais casos de dengue. Além disso, há trabalhos de bloqueio dos focos, com aplicação de inseticidas ou larvicidas.

A orientação é que a população avalie e busque limpar as residências pelo menos uma vez por semana, para evitar focos do mosquito transmissor da doença.


Saiba Mais


Casos no Estado

  • De acordo com a Secretária de Estado da Saúde (Sesa), foram notificados 14.425 casos de dengue no Espírito Santo no período de 29 de dezembro de 2019 a 29 de fevereiro de 2020. O próximo boletim atualizado sai amanhã.

  • Não há mortes confirmadas este ano. Se for confirmada pela Sesa ou pela Prefeitura de Cariacica, a morte do pedreiro Rubens Wingler será a 1ª.

A dengue

  • Mosquito que transmite a dengue (Foto: Muhammad-Mahdi-Karim/ Divulgação)É uma doença infecciosa febril aguda, que apresenta quatro sorotipos denominados DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

  • Pode evoluir para dengue hemorrágica, quando a doença causa uma espécie de hipersensibilidade que leva à perda de líquidos, o que, por sua vez, acarreta queda da pressão arterial e choque, principal causa de morte.

  • A maioria dos casos de dengue hemorrágica ocorre em pessoas anteriormente infectadas por um dos quatro tipos de vírus.

Sintomas

  • Na chamada dengue clássica, a primeira manifestação é febre alta (39° a 40°C), seguida de dor de cabeça ou nos olhos, cansaço ou dores musculares e ósseas, falta de apetite, náuseas, tonteiras, vômitos e erupções na pele.

  • Tem duração de 5 a 10 dias, mas o período de recuperação, com grande debilidade física, pode se prolongar.

  • Pode provocar sequelas, como dores crônicas nas articulações por longo período de tempo.

Transmissão

  • É transmitida  pela picada do mosquito Aedes aegypti. A doença tem transmissão rápida, por isso, é necessário eliminar criadouros do mosquito.

Tratamento

  • É feito de acordo com os sintomas, com o uso de analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios para aliviar. febre e dores.

Fonte: Sesa.

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