
A situação se agrava para os estudantes do 3º ano, que podem ter todo o conteúdo do último ano do ensino médio prejudicado, como o caso da estudante Esther Rosindo da Silva, 17 anos, que vai tentar o Enem pela primeira vez.
“É revoltante. Ninguém sabe quando as aulas voltam. Vai ser impossível aprender todo o conteúdo do 3º ano em poucos meses”, reclama. “É uma decisão egoísta, que aumenta a desigualdade. Não pensam em quem não tem condições de estudar fora da escola”.
Eduarda Frazzi, 17, que faz o 3º ano na rede pública, está indignada. “Abrirá um abismo maior de desigualdade entre alunos de redes municipais, estaduais e privadas. Algumas escolas públicas estão se movimento só agora para ofertar estudo online”, diz ela, que tentará Língua Portuguesa.
Para Letícia Darfany, 19, que vai tentar Direito, serão favorecidos quem tem condição de fazer um curso a distância e estrutura em casa. “Já tem poucos alunos de baixa renda nas universidades, e deste jeito esse número vai diminuir bastante. Conheço pessoas que vão para o cursinho e usam a internet lá porque não têm em casa”.
Para Mayne Prates, 18, as plataformas online de estudo não oferecem o mesmo nível de preparação do que as aulas presenciais. “Muitos não conseguem se concentrar em aulas online. Além das distrações, é muita responsabilidade ter de estudar sozinho. E há também a questão que existem escolas que não estão tendo essas aulas”.
Bruna Alves, 18, que quer cursar Medicina, diz que o ano foi comprometido. “O que vemos é o cancelamento de aulas em todos os níveis. O ano foi por água abaixo. Não faz sentido manter a prova”.