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“Ou abro a minha loja ou quebro”, diz comerciante

Lojas abertas e aglomerações de pessoas. Esse foi o cenário visto em muitas ruas e avenidas da Grande Vitória, durante a manhã e a tarde de ontem. ...

Devalci Neto não foi o único a abrir as portas em Campo Grande: “Arrisquei, pois não sei mais o que fazer”

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Devalci Neto não foi o único a  abrir as portas em Campo Grande: “Arrisquei, pois não sei mais o que fazer” (Foto: Leone Iglesias/AT)

Lojas abertas e aglomerações de pessoas. Esse foi o cenário visto em muitas ruas e avenidas da Grande Vitória, durante a manhã e a tarde de ontem. Comerciantes desafiaram o decreto do governo estadual e abriram as portas, depois de 45 dias fechados.

Um desses comerciantes foi o dono de uma loja de calçados, Devalci Neto, de 50 anos. “Ou abro a minha loja ou quebro de vez. Arrisquei pois não sei mais o que fazer. Mas o movimento caiu em cerca de 70% em relação ao que estava antes do isolamento”, disse.

O comerciante, que trabalha na avenida Expedito Garcia, no bairro Campo Grande, em Cariacica, revelou que permaneceu os 45 dias sem funcionar e que ainda não precisou demitir nenhum funcionário. “Mas está chegando o momento de desespero. O que eu estou fazendo é uma tentativa de salvar o meu comércio, de salvar empregos”.

Ele ressaltou que não tem muita esperança de ver a situação melhorar. “Tenho medo que a fiscalização chegue aqui, mas se eu não arrisco agora, minha alternativa seria fechar de vez. Estou atendendo quem chega à loja, e mesmo assim não tem entrado quase ninguém”, afirmou o comerciante.

Devalci não foi o único que abriu sem cumprir as determinações do governo, entre elas, a de atender um cliente por vez e de portas fechadas. Na tarde de ontem, era possível observar dezenas de lojas abertas em Campo Grande. Os comércios deixavam entrar várias pessoas ao mesmo tempo.

A reportagem de A Tribuna recebeu denúncias de comércios abertos na avenida Central, em Laranjeiras, na Serra, na Glória, em Vila Velha, além de Goiabeiras, em Vitória. Outros bairros também foram citados pelos leitores.

“Isso é o reflexo do desespero. Os compromissos estão vencendo e os comerciantes não têm onde apelar mais. A tendência é de que outros comércios comecem a desobedecer. Vai haver enfrentamento com a PM, a Guarda e isso pode trazer graves consequências”, afirmou o presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio), José Lino Sepulcri.

O secretário de Estado de Governo, Tyago Hoffmann, afirmou que a fiscalização está sendo feita. “Mas não conseguimos estar em todos os lugares ao mesmo tempo. A população pode denunciar”.

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