Defendido pela maior parte dos médicos como medida mais segura para conter o avanço da Covid-19, o isolamento social foi questionado pelo infectologista Aloísio Falqueto, durante manifestação, realizada em Vila Velha, no último domingo (3).
A afirmação foi rebatida pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde o médico é professor. No vídeo, que tem circulado pelas redes sociais, o médico afirmou que não existem provas científicas de que o isolamento total impede a transmissão do coronavírus.
“Não existe, no mundo, nenhuma prova científica que esse isolamento total barra a transmissão de vírus de alta infectividade. Essa é a verdade e ponto final”, afirmou.
Em entrevista ao jornal A Tribuna, o infectologista explicou que teria de ter um modelo de estudo experimental para aplicar diferentes modelos e ver qual seria eficaz no combate à pandemia.
“Para compararmos os modelos, as cidades teriam de ser idênticas, e na prática isso não existe. É impossível produzir um trabalho científico que prove que o isolamento é melhor, pior ou igual. Do ponto de vista científico, não consigo dar essa resposta”, afirmou.
Ele afirmou que cada vírus tem uma característica diferente. “Vírus de alta infectividade é aquele que tem alta capacidade de atingir novas pessoas, ou seja, tem uma força de transmissão grande”.
“Quando o vírus tem essa característica e transmissão por vias respiratórias é impossível mudar o curso natural de uma epidemia em uma população urbana. Isolamento total não é uma verdade científica”, completou.
Já a Ufes informou que lamenta que seu nome seja usado para disseminar inverdades.
“Diante de informações inverídicas e sem amparo científico que circulam nas redes sociais, nossa posição é em defesa do isolamento social como medida para preservar vidas e proteger a população contra a disseminação do coronavírus”, disse, em comunicado.
A universidade ressaltou que todas as decisões tomadas “têm sido amparadas em fontes científicas que gozam de credibilidade e nas recomendações da Organização Mundial de Saúde e das autoridades estaduais e municipais”.
CRM diz que é a favor da realização de quarentena
Sobre as declarações do professor e infectologista Aloísio Falqueto, o Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-ES) informou, por meio de nota, que adota as orientações das sociedades de especialidades médicas e das autoridades sanitárias do Brasil para controlar o avanço do coronavírus.
“Alguns países adotaram o isolamento vertical como estratégia; o Brasil adotou o horizontal, quando é recomendado que todos fiquem em casa. Qualquer medida de isolamento é dura, mas necessária para deter o avanço de uma doença”.
Já o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia do Estado Alexandre Rodrigues pontuou que o isolamento social não foi assumido como única medida de controle da pandemia. “Sua eficácia não é de 100% para impedir a transmissão do vírus”, afirmou.
Segundo o médico, a medida tem contribuído em todos os países e regiões aonde foi seguida, para a redução da velocidade de propagação do vírus ao reduzir o encontro de indivíduos infectados e suscetíveis.
Ele também destacou que é importante outras medidas para evitar a propagação, como o uso de máscara, distanciamento de 2 metros entre pessoas e a higienização das mãos. De acordo com Alexandre, com o isolamento há menos chances do sistema de saúde ficar saturado.
O presidente afirmou que os infectologistas são livres para se expressarem, podendo ou não concordar com as recomendações, embora a maioria concorde que o isolamento seja o mais adequado.
