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Estado investiga dever de casa com críticas a Bolsonaro

O governo do Estado está investigando um dever de casa com críticas ao presidente Jair Bolsonaro, que foi enviado para alunos de uma escola da Serra. ...

Estado investiga dever de casa com críticas a Bolsonaro
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Imagem do exercício proposto por professor de escola estadual da Serra. (Foto: Reprodução internet)O governo do Estado está investigando um dever de casa com críticas ao presidente Jair Bolsonaro, que foi enviado para alunos de uma escola da Serra. Na atividade, uma charge mostra um personagem dizendo que, para o Brasil vencer o coronavírus, “primeiro terá que vencer outro vírus mortal: Bolsonaro”.

O exercício da disciplina de Artes foi disponibilizado pela internet pelo programa EscoLar – plataforma em que as escolas da rede estadual aplicam atividades durante o período de isolamento social.

O dever de casa foi destinado a alunos do 5º ano da escola Prefeito José Maria Miguel Feu Rosa, em Manguinhos, na Serra.

O enunciado da atividade explica que cartum é um quadrinho que critica situações do cotidiano, e pede para que o aluno identifique a crítica que ele faz.

Em seguida, o exercício pergunta como a pandemia do coronavírus está influenciando a vida dos alunos e pede para que eles desenhem um cartum sobre o assunto.

A atividade, no entanto, não foi bem recebida por alguns pais, que criticaram o dever de casa que os filhos deveriam executar.

“Me nego a fazer e acho uma falta de respeito comigo como eleitora, com minha filha e com nosso Presidente”, escreveu nas redes sociais a autônoma Ariadnny Duarte, mãe de uma aluna de 10 anos.

Sindicância

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) afirmou que o exercício não seguiu as orientações da secretaria e nem da equipe pedagógica da unidade escolar.

A secretaria ressaltou, ainda, que a atividade foi retirada do Google Sala de Aula, plataforma online em que professores do mundo inteiro criam turmas e distribuem tarefas.

A secretaria disse que abriu “uma sindicância para apurar as circunstâncias em que o caso ocorreu”. A Sedu, no entanto, adiantou que o conteúdo foi enviado por um professor da escola, sendo retirado do ar “por não seguir orientações da Sedu”.

Questionada pela reportagem, a Sedu não respondeu o que pode acontecer com os responsáveis pela aplicação da tarefa.

Política não deve ser discutida em sala de aula, diz mãe de aluna

“O exercício foi colocado no portal do aluno na quarta-feira (6), mas eu não abri. Fui trabalhar na quinta e, quando estava chegando do serviço, a mãe de outro aluno me mandou mensagem dizendo que o filho a estava enchendo de pergunta. Abri o portal para olhar e realmente estava lá. Postei num grupo do Facebook, gravei um vídeo e repercutiu na internet.

Não foi porque a charge falava mal do presidente, mas se ele foi eleito, tem que ser respeitado. Não tem que perder tempo com essas coisas em sala de aula. Assim como não tem que debater futebol e religião em sala de aula. Poderia abordar outra coisa como o que os alunos têm feito com a família, como eles têm higienizado as mãos, ou outras coisas sobre esse período que estamos vivendo de pandemia.

O professor que passou o exercício é maravilhoso e a escola também é muito boa. Tenho outros dois filhos que estudam lá. Mas não acho suficiente essa resposta da Sedu. Não me procuraram para me dar uma satisfação da doutrina que estavam fazendo com a minha filha”.

Ariadnny Duarte, 32 anos, autônoma

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