O Ministério Público do Rio (MP-RJ) apontou indícios, no pedido de prisão preventiva de Fabrício Queiroz de que o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) quando ele era deputado estadual do Rio pode ter sido o responsável por até R$ 286,6 mil em pagamentos e transferências em espécie para cobrir despesas do parlamentar e de sua mulher, Fernanda Antunes.
Os valores se referem a repasses em 2011 e, sobretudo, a pagamentos de mensalidades escolares e do plano de saúde da família de Flávio, de janeiro de 2013 a dezembro de 2018. O senador nega irregularidades.
A partir do cruzamento de dados bancários com imagens de câmeras de segurança de uma agência na própria Assembleia do Rio (Alerj), o MP apontou que Queiroz pagou as mensalidades escolares das duas filhas de Flávio e Fernanda no dia 1º de outubro de 2018, no valor total de R$ 6,9 mil. O pagamento foi feito em espécie.
Ainda segundo o MP, Flávio e Fernanda não haviam feito nenhum saque nos 15 meses anteriores a este pagamento, “de forma que não haveria lastro financeiro lícito de dinheiro em espécie para efetuar a operação bancária”, segundo os investigadores.
“Conclui-se que o dinheiro utilizado pelo operador financeiro para pagar as mensalidades da escola das filhas do líder da organização criminosa não proveio das fontes lícitas de renda do casal, mas sim dos recursos em espécie desviados da Alerj e entregues pelos ‘assessores fantasmas’ a Fabrício José Carlos de Queiroz”, diz o MP.
Os promotores investigam outros 114 boletos bancários das escolas das filhas e do plano de saúde da família de Flávio cujos valores não foram debitados das contas do então deputado nem de sua mulher. O valor total desses boletos chega a R$ 261,6 mil. O MP suspeita que Queiroz possa ter feito parte ou todos esses pagamentos.
Queiroz foi assessor de Flávio entre 2007 e 2018 e deixou o gabinete em outubro. Dois meses depois, foi revelado um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontava que Queiroz movimentou em sua conta corrente R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017. O relatório fez parte de investigações do MPF e PF.
