Apesar do aumento de casos da Covid-19 no Espírito Santo, a taxa de transmissão do novo coronavírus está caindo em todo o Estado. Isso significa que o contágio está menor entre as pessoas, tanto na Grande Vitória, quanto no interior.
Quem confirma é o Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos, que reúne pesquisadores do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) e do Corpo de Bombeiros.
Em abril, a taxa de transmissão no Estado era de de 3,78%. Ou seja, uma pessoa doente podia infectar quase quatro. Agora, neste mês, essa taxa de contágio baixou para 1,62 – um infectado pode transmitir para uma a duas pessoas.
“Isso mostra que há uma tendência de estabilização da doença no Estado. A expectativa é de que a taxa de transmissão reduza ainda mais. Mas é cedo para comemorar. O índice indica que estamos no caminho certo, mas não podemos relaxar, e precisamos manter o que está sendo feito para controlar a doença”, afirmou o diretor-presidente do IJSN, Pablo Lira.
É na Grande Vitória que a taxa de transmissão reduziu mais. Em abril, o índice estava em 4,06 (uma pessoa infectando outras quatro). Agora, neste mês, passou para 1,5 (um doente transmitindo para uma pessoa apenas).
Para Lira, essa queda maior na Grande Vitória é uma tendência natural da disseminação da doença, que cresce primeiro nas regiões metropolitanas, aliada aos hábitos, como o uso de máscara por grande parte da população e as medidas de isolamento e higiene.
“Os primeiros casos e as primeiras grandes concentrações sempre são nas regiões metropolitanas, que passaram a adotar o uso de máscara, suspender as aulas e aumentar protocolos de higienização. Isso contribui para que a taxa de transmissão caia primeiro na Grande Vitória”, ressaltou.
País
Em outros estados do País, essa taxa de contágio da doença vem crescendo. No Rio de Janeiro, por exemplo, o índice passou de 1,39 para 1,89, maior que do Espírito Santo.
Mas, apesar da redução no Estado, a taxa de transmissão em solo capixaba ainda é maior que a média nacional, que está em 1,3. De acordo com Lira, a taxa ideal é 1.
Dispara aumento de casos fora da Grande Vitória

O diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, ressaltou que a transmissão em alguns municípios ainda é grande, como os casos de Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Colatina e Aracruz.
“São municípios-polos, e a doença está concentrada na área urbana deles. A taxa de transmissão também está reduzindo nesses locais, mas de forma mais lenta que na Grande Vitória”, disse.
Em abril, a taxa de contágio no interior era de 2,93 (um doente infectando quase três pessoas). Agora, o índice é de 2,17 (um transmitindo para dois).