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Economia

Isolamento total pode gerar mais desemprego

De um lado, uma população que defende o isolamento preocupada com a disseminação da Covid-19, do outro, moradores e comerciantes que se preocupam com ...

Última atualização

De um lado, uma população que defende o isolamento preocupada com a disseminação da Covid-19, do outro, moradores e comerciantes que se preocupam com a economia. Em Guarapari, um isolamento total foi anunciado por nove dias, de 19h às 5h, e as entidades acendem o alerta para mais demissões. 

O município está entre as cidades que mais sofre com o impacto de perdas de empregos formais no Espírito Santo no período da pandemia.

De acordo com o presidente do Conselho de Relações Trabalhistas da Findes (Consurt), Fernando Otávio Campos, são mais de 1400 postos de trabalho perdidos, o que equivale a um índice até três vezes maior que as médias de outros municípios.  

Comércio de Guarapari (Foto: Roberta Bourguignon/AT)

O superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Guarapari (CDL), Aguinaldo Ferreira Júnior, a medida acaba atrapalhando a economia, mas se faz necessária. 

“A gente precisa manter as empresas, mas precisa desse momento para salvar vidas. As pessoas não podem ir na rua para passear. Ir na rua somente por necessidade. Aceitamos as medidas, com a esperança de adiar ou até mesmo evitar esse lockdown”, disse Aguinaldo.   

E o presidente do Consurt declara que mesmo que seja um lockdown parcial, a economia da cidade tende a piorar mais. 

“Nossa economia pode ser ainda mais prejudicada. Guarapari já perdeu 8% dos postos de trabalho desde o início da pandemia. Guarapari é o município que mais perdeu postos de empregos no ES. Não seria mais fácil controlar a aglomeração, do que impedir todos? O turismo é uma das nossas principais economias. Em Portugal, por exemplo, as famílias podem ir à praia e se sentarem separadas. Nós temos várias praias na cidade”, argumenta Fernando. 

De acordo com Fernando, em janeiro havia uma projeção de aumento de empregos, com muitos investimentos programados para os diversos setores que vão desde a construção civil até o turismo. “O setor de turismo estava comemorando que haveria muitos feriados, projetando um crescimento bem grande, houve investimentos nesse segmento, existia uma enorme expectativa”, afirmou.

As maiores perdas foram registradas pelas atividades diretamente ligadas ao setor de serviços como comércio, bares, turismo. Fernando chama atenção para um dado importante.

“Se considerarmos que cada posto formal de trabalho tem um a dois empregos de terceiros, de MEI ou informais que foram desligados, o número de desempregados pode ir a quase 5 mil pessoas. Se considerarmos ainda uma média de três pessoas por família, aproximadamente 15 mil pessoas tiveram a renda totalmente eliminada ou reduzida”, completou ele.

O presidente da CDL lembra que além da pandemia, tem o fato do pós verão e uma rede de supermercados que acabou demitindo nos últimos meses. “A rede de supermercados demitiu com o fechamento de lojas, e em Guarapari é recorrente um número de demissões após o fim do verão”, finaliza Aguinaldo.

“Sem saber os resultados de um lockdow, a sociedade não vai respeitar”

Além do isolamento total na parte da noite e madrugada, o comércio não essencial está proibido de abrir aos finais de semanas. 

O presidente do Conselho de relações trabalhistas da Findes (Consurt), Fernando Otávio Campos, declara que a sociedade vai acabar não respeitando, caso o município não venha a público esclarecer os possíveis resultados que serão alcançados com as medidas.

“Sem saber os resultados de um lockdow, a sociedade não vai respeitar. As medidas segundo a prefeitura são para reduzir a propagação do vírus, a partir dessa redução de pessoas circulando em um determinado horário. Mas se você reduz o horário do comércio, você concentra um maior número de pessoas no horário permitido. E quem está trabalhando não poderá ir ao supermercado após o serviço”, explica Fernando.

E completa. “Está faltando planejamento. Depois dessa semana de um lockdown, as praias já poderão voltar a abrir, o comércio começa a funcionar normalmente? Por que esse lockdow então? A população precisa entender o motivo e os resultados que isso trará, para que isso leve o morador a refletir: se eu sair, posso prejudicar a cidade”.

O superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Guarapari (CDL), Aguinaldo Ferreira Júnior, que participou das reuniões para execução do novo decreto que deve ser publicado hoje, relata que os crescentes números na cidade foram determinantes para adotadas as medidas mais restritivas de tráfego e circulação, intitulada pelo município de isolamento total.

“Diante dos números que foram apresentados após o dia 30, os números de contaminações aumentaram, o de mortes também, e percebemos que o índice de isolamento durante a semana é de 43%, enquanto o ideal seria de 70%. Já no final de semana, esse índice cai ainda mais, chegando a 39%”, explica Aguinaldo.

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