A dor de quem perde um familiar pela covid-19 vai além da ausência que aquela pessoa vai fazer no dia a dia. O risco de contaminação faz com que essas pessoas tenham que usar roupas de proteção para liberar o corpo, e a despedida é feita de forma rápida, sem direito a velório, a chegar próximo ao caixão e sequer ver o rosto do parente pela última vez.
Em dois casos, essa dor se transformou em revolta depois que as famílias descobriram que os corpos dos pacientes foram trocados pelo hospital. Um dos casos aconteceu na segunda-feira (29), no Norte do Estado com a família do ex-vereador de Nova Venécia, Marcos Lima Jácome.
O outro caso aconteceu no Hospital Jayme Santos Neves, na Serra, na quinta-feira (25), onde os corpos de duas pacientes que morreram por covid-19 foram trocados e um precisou ser exumado.
Após esses dois casos, a reportagem do Tribuna Online foi atrás de informações para saber como é feito o procedimento para liberação dos corpos de pacientes que morreram com suspeita ou confirmação de covid-19.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou, em nota, que o reconhecimento do corpo é feito por um familiar no hospital. “Antes de entrar no local onde está o corpo, o familiar é paramentado com equipamentos de proteção individuais necessários, como máscaras, luvas e avental impermeável”, informou a Sesa.
Depois do reconhecimento, a secretaria explicou que o corpo é envolvido em saco impermeável, selado e identificado (com nome, data de nascimento e local de internação) para ser retirado pela funerária, que é contratada pela família.
Funcionários e donos de funerárias relataram que recebem o corpo já lacrado na sacola plástica no necrotério do hospital.
“O corpo é recebido dentro de duas sacolas fechadas, colocado dentro do caixão e vai para o cemitério ser sepultado, sem velório”, informou Luiz Carlos de Aquino, que trabalha em uma funerária de Vitória.
Dono de uma empresa que presta serviços funerários, em Vila Velha, Antônio Carlos Souza Olioza revelou que sempre pede para que um familiar da vítima o acompanhe até o hospital para realizar a liberação e translado do corpo.
“Antes, quando eram mortes por outras razões, a gente pegava o papel e ia no hospital. Agora, a gente prefere que a família esteja presente para conferir se o nome é o mesmo para evitar essa troca. Paciente de covid-19 a gente não vê o corpo”, disse.
Após os procedimentos de retirado do corpo do hospital, o carro da funerária segue direto para o cemitério onde o corpo será sepultado. No local, não é permitido que os familiares se aproximem ou toquem no caixão, apenas os coveiros com a roupa de proteção especial podem manuseá-lo.
A cerimônia dura poucos minutos, sem direito a velório e com poucas pessoas, que também precisam manter distância uma das outras.
Os funcionários das funerárias também precisam utilizar o traje de proteção, além de máscara e álcool 70%. Após o sepultamento, a roupa especial é descartada.
Saiba mais
Reconhecimento
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Após a confirmação da morte de um paciente por covid-19, a família é informada pelo hospital e chamada até a unidade para iniciar os procedimentos de liberação do corpo.
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Um familiar faz o reconhecimento. Antes de entrar no local onde está o corpo, o familiar é paramentado com equipamentos de proteção individuais necessários, como máscaras, luvas e avental impermeável.
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Depois que o reconhecimento é feito, o corpo é envolvido em saco impermeável, selado e identificado (com nome, data de nascimento e local de internação) para ser retirado pela funerária, que é contratada pela família.
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As normas da Sesa indicam ainda que o lado de fora desse saco plástico deve ser higienizado com álcool 70% e os profissionais que o manuseiam precisam estar paramentados com roupas de proteção, luvas e máscara.
Sepultamento
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A funerária recebe o corpo já na sacola lacrada e realiza apenas o translado para o cemitério. Não há preparo do corpo nem enfeite com flores, como em outras mortes. Tanto o caixão quanto o saco não podem ser violados.
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O lado de fora do caixão também precisa ser higienizado com álcool 70%.
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O sepultamento acontece em poucos minutos, sem direito a velório. Apenas poucos familiares podem participar da cerimônia e, mesmo assim, não podem se aproximar do caixão.
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Apenas os coveiros, que utilizam roupas de proteção, máscara, luvas e protetor facial, podem tocar no caixão para realizar o sepultamento.
Fonte: Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e entrevistados