
Segundo a polícia, elas mantinham contato com o chefe do tráfico do bairro Divino Espírito Santo, que se encontra preso, e repassavam informações para quem estava à frente do tráfico na região.
As advogadas, de 27 e 34 anos, de acordo com a Polícia Civil, levavam informações sobre quem deveria ser executado, quem seria expulso e até mesmo quem entraria para o tráfico.
As informações são do titular Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, delegado Tarik Souki. Segundo ele, como o chefe do tráfico da região está na cadeia, um segundo líder, que seria um tipo de sócio do acusado, era o responsável por fazer cumprir as ordens repassadas pelas advogadas.
“Elas eram advogadas de recado, como são conhecidos quem faz esse tipo de trabalho. Essas advogadas conversavam diretamente com o chefe e com esse segundo líder. Assim era estabelecida essa liderança. Era um trabalho que contribui com o seguimento do tráfico de drogas da região”, comentou o delegado.
A polícia apreendeu os celulares e computadores das acusadas. Além disso, bilhetes foram encontrados e serão investigados pela Polícia Civil. A intenção é descobrir se foi através deles que foram repassados os recados.
Além das advogadas, outras duas pessoas foram presas na operação, que cumpriu ainda mandados de prisão de outros quatro detentos do sistema prisional, inclusive o chefe do tráfico da região. No total, sete pessoas foram detidas.
“Os quatro que já se encontravam presos estão envolvidos em outros homicídios e já pagavam pena por tráfico. Agora, se condenados, eles terão essa pena aumentada. Ainda há outros cinco foragidos. Então, vamos continuar investigando e buscando”, disse Tarik.
A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Espírito Santo (OAB-ES) informou, em nota, que os “casos pontuais de suposto envolvimento de advogados em condutas irregulares são acompanhados pela entidade e avaliados, para a tomada das providências cabíveis, observando-se o Código de Ética e Disciplina e as prerrogativas da Advocacia”.