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Reconciliação com a música em família

“Se a minha mãe tivesse escolhido a música, eu não estaria aqui”. Essa é a conclusão do sambista Xande de Pilares, 50, sobre a decisão de Dona Maura, ...

Última atualização

 (Foto: Divulgação)

“Se a minha mãe tivesse escolhido a música, eu não estaria aqui”. Essa é a conclusão do sambista Xande de Pilares, 50, sobre a decisão de Dona Maura, que escolheu se tornar uma esposa, e não uma cantora, décadas atrás.

“O meu pai queria que ela levasse a relação adiante e abandonasse a música”, lembra Xande, afirmando que o samba ficou sem uma artista de enorme talento.

Mas, como dizem os antigos, o cavaco não cai longe do pau. Anos mais tarde, Xande é quem se tornou um astro da música. Primeiro, no Grupo Revelação e, há seis anos, em carreira solo.

E, agora, o sambista levou sua mãe a se reconciliar com o palco, participando do seu primeiro DVD solo, “Nos Braços do Povo”. “Sempre quis homenagear a minha mãe. Queria agradecer. Queria cantar isso olhando nos olhos dela”, salienta o músico, que cantou com Dona Maura justamente um samba, chamado “Mãe”.

Questionado sobre o que faria caso uma mulher pedisse para ele optar entre a relação e a carreira, Xande respondeu: “Dou até o dinheiro da passagem!”, diz, aos risos.


“Queria cantar olhando nos olhos dela”


Xande de Pilares (Foto: Divulgação)

AT2 – Você está em carreira solo desde 2014. “Nos Braços do Povo” é o seu primeiro DVD desde então. O que impulsionou esse projeto?

Xande de Pilares – Eu comecei minha carreira solo de uma forma muito consciente. Venho de um trajetória de 20 anos com um grupo de carreira sólida. Coincidentemente, lancei dois discos para que eu tivesse base para colocar nesse trabalho ao vivo. E seguindo a linha de clássicos do samba que eu gosto.
Isso tudo juntou e resultou nesse trabalho. Não existe melhor lugar do que os braços do povo, onde nunca deixei de estar. 

Teve a oportunidade de recordar coisas boas nessa vivência com a família participando do seu trabalho?

A minha mãe teve que optar entre a música e o casamento. O meu pai queria que ela levasse a relação adiante e abandonasse a música. Se minha mãe tivesse escolhido a música, eu não estaria aqui. Sempre quis homenagear a minha mãe.

Queria agradecer. Muitas das vezes que apanhei, ficava chateado, mas hoje entendo. Queria cantar isso olhando nos olhos dela. Foi uma experiência especial: mostrar minha mãe comigo e o grande talento que ela tem. 

Lembra muito do dilema dela?

Eu presenciei alguns momentos de minha mãe e meu pai que não foram nada agradáveis. Pude perceber por que ela decidiu. Minha avó passou pela mesma coisa…

Minha mãe estava sempre ao lado da música. Tanto que aprendi a cantar muita coisa com ela. Tive a vontade de criar uma história para ela sentir a sensação de cantar o que viveu. 

O seu DVD se chama “Nos Braços do Povo”. Tem sentido falta do palco?

Sinto, porque eu comecei aglomerado. Na minha época, a gente tocava e o público tinha sua maneira de cantar. Tomei um baque na primeira live que fiz. Às vezes, tem uma música que pede uma resposta, e ela não tem, em uma live…

Quando caiu a ficha da importância das suas canções na vida das pessoas?

Com “Grades do Coração”, lançada em 2002, pelo Revelação. Ali, não tinha nada nacionalmente conhecido na minha voz.

A música “Tá Escrito” ajuda muita gente. Tem alguma canção que fez o mesmo com você?

Uma música do Gonzaguinha, “O Que É, O Que É?”, me deu força. E pensava: será que um dia vou fazer uma música que possa causar nas pessoas o que ela me causou? Tenho uma ligeira ideia de que consegui com “Tá Escrito”. Ela foi gravada em 2007. Estou chegando à conclusão de que ela é assim. 

Você esteve boa parte da sua vida no Grupo Revelação. O que foi mais desafiador ao seguir carreira solo?

Foi recomeçar. Você está no palco, às vezes quer interagir, chama um companheiro ao lado… Na carreira solo, eu olhava e não tinha ninguém. Também tinha a coisa da sonoridade, de dar o primeiro acorde e todo mundo saber o que era. 

Tem uma inspiração para compor?

Às vezes, estou assistindo a um filme e uma frase é dita e me desperta. Outras vezes, um livro me desperta…
É um bagulho muito doido! Eu faço melodia toda hora. Deixo a melodia ali e depois escrevo. Muitas vezes, há ideias de outros parceiros. 

É verdade que compôs cerca de 200 músicas nos últimos meses?

Agora, são mais de 200! Para mim, é normal. Sou viciado em compor. Mas dou uma filtrada. Devem sobrar umas 70.

Com tantas composições surgindo, o tom e  a poesia delas serão diferentes ou o sentimento será o mesmo?

O sentimento será o mesmo. Mas cada música nasce de um jeito. Às vezes, o tom é o mesmo. Tenho feito muitas coisas com assuntos inesperados. Muita gente não conhece meu lado compositor porque tem uma coisa que tem que ser seguida. Se eu cantasse tudo que queria cantar, surpreenderia.

A minha vida inteira é sempre resgatando alguma coisa. Às vezes, meu filho não conhece João Nogueira, o que o Zeca cantou no passado… Sou responsável por trazer essas informações para ele, como trouxeram para mim. 

Tem alguém com quem você queira cantar junto e não teve a oportunidade?

O rei Roberto Carlos. Ele foi o primeiro artista que me foi apresentado pela minha família. Antes de me imaginar na música, eu fui flagrado dublando “Eu Sou Terrível”. Seria bacana dividir uma música com ele. 

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