Com mais diagnósticos de Covid-19 nos últimos dias, especialistas também estão preocupados com a possibilidade de mais pessoas estarem sendo reinfectadas pelo vírus. Somente no Estado, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) investiga 22 possíveis casos de reinfecção.
Os casos são de indivíduos com dois resultados positivos de RT-PCR em tempo real, ou seja, as duas amostras precisam estar disponíveis para análise, num intervalo igual ou superior a 90 dias.
“As amostras são analisadas no Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública) ou enviadas para laboratórios de referência nacional”, informou a Sesa, por nota. Questionada sobre quanto em tempo sai o resultado, a secretaria não respondeu.
No dia 21 de outubro, a Sesa já tinha analisado outras 22 amostras de pacientes. Na ocasião, a secretaria informou que “deste quantitativo, em 19 amostras não foi possível realizar análise devido à falta de material da primeira coleta. Nas demais, a conclusão foi de duas amostras descartadas e uma inconclusiva para reinfecção”.
A infectologista Rubia Miossi explicou que os 90 dias estipulados são necessários porque se admite que o vírus possa ficar na nasofaringe (tecidos do nariz e garganta) por até esse período.
A infectologista Polyana Gitirana, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Vitória Apart Hospital destaca que “resultados positivos anteriores de teste de sorologia ou teste rápido não permitem enquadramento no critério de suspeita de reinfecção”.
Ou seja, se a pessoa fez um teste rápido e deu positivo, e depois de 90 dias faz um PCR e dá positivo, não quer dizer que é reinfecção. O infectologista Crispim Cerutti explica que é preciso fazer a genotipagem do vírus– exame que informa o código genético.
“Para confirmar, só caracterizando os genótipos dos dois vírus. É visto o padrão da estrutura molecular dos dois vírus isolados. Se as moléculas forem bastantes diferentes uma da outra é porque é uma nova infecção”.
Crispim Cerutti alerta ainda que possíveis casos de reinfecção são preocupantes, visto que uma futura vacina pode não proteger.
“É preocupante do ponto de vista da avaliação de imunidade. Estamos prontos a vacinar, aí se tivermos episódios de reinfecção vem o questionamento: a vacina vai proteger durante quanto tempo? Ela vai proteger mais do que a infecção natural? São perguntas sem resposta completa”, analisa.
Entenda
Investigação
- A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) investiga 22 possíveis casos de reinfecção no Estado.
- Os casos em investigação são de indivíduos com dois resultados positivos de RT-PCR em tempo real, ou seja, as duas amostras precisam estar disponíveis para análise, em um intervalo igual ou superior a 90 dias.
- Especialistas afirmam que o prazo de 90 dias de um exame para outro é porque se admite que o vírus possa ficar na nasofaringe (tecidos do nariz e garganta) por até esse período.
Análise
- As amostras são analisadas no Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen) ou enviadas para laboratórios de referência nacional em pesquisa por métodos avançados.
Nota Técnica
- A Nota Técnica 52/2020 do Ministério da Saúde afirma que “algumas situações devem ser amplamente discutidas antes de ser considerada a suspeita de reinfecção pelo vírus SRAS-CoV-2, como erros na coleta do material para testagem diagnóstica, uso de testes com baixa sensibilidade e especificidade, diferenças na resposta imunológica dos indivíduos ao vírus e uso de medicamentos que podem debilitar o sistema imunológico dos pacientes, fazendo com que uma infecção que aparentemente estivesse curada corresponda à persistência de um mesmo episódio de infecção.
- A nota diz ainda que a reinfecção por cepas homólogas (semelhantes) também é uma possibilidade, mas no atual cenário, e em virtude do conhecimento de que o SARS-CoV-2 pode provocar eventualmente infecções por períodos prolongados de alguns meses, faz-se necessário determinar critérios de confirmação, como sequenciamento genômico, para comprovação de que se tratam de infecções em episódios diversos, por cepas virais diferentes.
Preocupação
- Para os especialistas casos de reinfecção são preocupantes do ponto de vista da avaliação de imunidade, podendo uma possível vacina não proteger contra a doença.
