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“Precisamos viver o que há para viver”, diz ator Mikael Marmorato

Seria um novo começo de era? De gente fina, elegante sincera, como profetizou Lulu Santos em “Tempos Modernos”, de 1982?Pelo sim ou pelo não, o ator, ...

Amo a música e a dramaturgia”, diz Mikael

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Seria um novo começo de era? De gente fina, elegante sincera, como profetizou Lulu Santos em “Tempos Modernos”, de 1982?

Pelo sim ou pelo não, o ator, cantor e multi-instrumentista Mikael Marmorato, 22 anos, acredita que “precisamos viver o que há para viver, mesmo que, por enquanto, seja distante uns dos outros”.

No ar na reprise de “Malhação”, como o Juca, o jovem defende a tese de que precisamos nos manter ativos. Ainda que isolados socialmente.

“É tudo muito difícil, mas acho que o importante é não cair na ideia de que o mundo está parado, de que não há nada acontecendo. É necessário respeitar as recomendações de saúde, mas não é porque devemos ficar em casa que precisamos deixar a vida passar, esperando que tudo acabe. A vida continua, por mais que continue de uma forma um pouco diferente por hora”, justifica o menino nascido em Atibaia, interior de São Paulo.

Família

E, como o “bom filho à casa torna”, foi justamente para o antigo lar que o ator voltou, com o início da quarentena. “Meus pais, eu e meus irmãos estamos juntos em casa de uma forma que não ficávamos há anos”, comemora a oportunidade.

Mas Mikael reforça que seus livros e discos, companheiros inseparáveis de toda a vida, estão sendo cada vez mais fundamentais neste período.

Tudo bem que voltar para casa tem sido uma experiência diferente, mas o que o ator quer mesmo é aglomerar. “Abraçar meus amigos, tocar música. Fazer tudo aquilo que, em conjunto com quem amamos, é muito melhor”, garante.

Amo a música e a dramaturgia”, diz Mikael (Foto: Divulgação/Bureau de Fotos)


Entrevista – Mikael Marmorato Ator e músico: “Gosto da poesia na vida”


AT2 –  Você atua, canta e toca diversos instrumentos, do erudito ao popular. Como se enxerga? Um ator que ama música? Ou um músico que adora um roteiro?

Mikael Marmorato –  Eu não saberia escolher um para colocar no início da frase. (Risos) Amo a música e a dramaturgia. São dois elementos que fazem parte de mim e sem os quais eu não sei viver. Eu diria que eu sou só o Mikael e que tanto a música quanto a atuação estão inseridos nisso.

De que forma a arte se manifestava?

De todas as formas. Eu – quando pequeno – inventava histórias para representar em forma de teatro na sala de casa, desenhava muito naquela época. Mais tarde, eu era a criança que tentava fazer tudo o que via no “Art Attack”. (Risos)

E, desde cedo, era apaixonado por música. Então, aos cinco anos, comecei a trabalhar como ator, e, aos 8, comecei a estudar música, primeiramente piano.

Está acompanhando a reprise de “Malhação”? Hoje, faria o Juca diferente?

Estou acompanhando, sim. É engraçado, porque, muitas vezes, vejo minha atuação na novela e penso que, provavelmente, se fosse hoje, eu faria diferente.

Algumas vezes, eu penso que o que faria hoje seria melhor. Em outras, penso que, atualmente, eu não faria tão bem como fiz na época.

Juca é virgem e acredita no amor. Acha que é uma raridade nos dias de hoje?

Em partes, sim. O Juca romantiza bastante as relações amorosas e acredito que isso esteja começando a se tornar raro. Mas a história do garoto virgem que sente a pressão que isso gera é bastante comum entre os jovens dessa idade.

Considera-se um cara romântico?

Um pouco, sim. Eu gosto de viver um pouco da poesia do romantismo na vida. O romantismo é muito associado à delicadeza e à sensibilidade e essas são coisas pelas quais eu prezo muito – em qualquer tipo de relação, na verdade.

Mas acho que sempre temos de lembrar de pôr os pés no chão para não romantizarmos coisas erradas ou para que não façamos isso de tal forma que esqueçamos do que está presente, do aqui e agora.

É nerd, como o Juca?

Bem, meu gosto pelo estudo já me rendeu algumas vezes a alcunha de nerd! (Risos) Mas não sou tão familiarizado com o universo geek quanto o Juca.

Microfone aberto para um discurso em defesa dos nerds. Como seria?

Muito bom falar disso. Todos merecem respeito. Eu, sinceramente, não entendo o porquê de o gosto pelo estudo e o saber serem motivos de chacota. Cada um tem o seu jeito.

É amante da poesia. Como sua geração faz poesia?

Percebo que a geração de agora está fortalecendo o processo de aproximação com elementos da poesia de rua, repentes e arte urbana.

O Brasil tem um corpus poético invejável: Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Rachel de Queiroz, Gonçalves Dias e até Machado de Assis, que, embora fosse um romancista, cronista e contista excelente, também era um poeta de mão cheia.

Porém, não podemos deixar de olhar para os poetas contemporâneos. Nós temos muitos muito bons e que merecem ficar na parede histórica de nossa herança poética.

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