
Os proprietários, contudo, ainda não estão repassando o índice integralmente. Mesmo assim, já há no Estado imóvel residencial com repasse no aluguel de 70% do IGP-M, segundo Charles Bitencourt, corretor imobiliário e diretor comercial da Betha Espaço.
Ou seja, há residências com alta de até 16% no aluguel. “Reajustar é algo que deve ser analisado, porque é preciso ver se há a necessidade e também se uma mudança não fará o inquilino desistir do imóvel.”
Os aumentos de até 16% ocorrem normalmente, segundo ele, com imóveis que não eram tão valorizados, mas acabaram ganhando valor, devido a mudanças nos arredores, como estabelecimentos comerciais e obras.
O advogado imobiliário Diovano Rosetti explicou que o IGP-M é reflexo de índices ligados à construção civil, que apresentaram alta por conta do aumento na procura durante a pandemia da Covid-19.
“Há falta de material de construção e o preço dos alimentos aumentou. Tudo isso influencia na alta desse índice, e acaba sendo determinante para o aumento do preço do aluguel”, enfatizou.
O presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado (Sindimóveis-ES), Ary Barbosa Bastos, destacou que é possível para o inquilino não ter de pagar mais. E alertou que o locador deve ser flexível, pois é melhor ter um acordo do que perder o inquilino.
“O locador tem de entender que a pior hipótese é perder um inquilino e ter de pagar meses de condomínio de um imóvel vazio. Se o inquilino é bom pagador, não dá problemas e não tem algo que justifique um estresse desse, é melhor buscar um acordo. Judicializar não é recomendado, porque se trata de uma questão que se alongaria demais. O melhor é conversar e chegar num meio-termo”.
Para o inquilino, a recomendação dos especialistas também é o diálogo. “Pode ser mais vantajoso pagar um pouco a mais do que fazer todo o processo da mudança e ter de ir atrás de outro imóvel.”
SAIBA MAIS
Aumento de acordo com inflação
- O valor dos aluguéis poderá ter um aumento com base no Índice Geral de Preços do Mercado (IPG-M), utilizado para atualizar valores anuais dos alugueis residenciais.
- O IPG-M, apresentou, nos últimos 12 meses, alta de 23,79%, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas.
- Esse índice é maior do que a própria inflação oficial atual, que nos últimos 12 meses foi de 3,92%.
Negociação é essencial
- Especialistas lembram que é possível ficar livre do reajuste ou ter um aumento mais brando, já que é possível buscar negociação com o proprietário para evitar ou ao menos diminuir o aumento do aluguel.
- Para os proprietários não é vantajoso ficar com o imóvel vazio, tendo que arcar com as despesas da unidade. O motivo é que, enquanto o inquilino está no imóvel, é responsável por pagar as taxas de condomínio e o IPTU. Ao sair, a obrigação passa para o proprietário do bem.
- Levar às vias judiciais não é recomendado, porque a situação pode ser alongar demais e ser onerosa para ambas as partes. O ideal é buscar o consenso em acordo.
Deixar o imóvel pode não ser vantajoso
- Ao mesmo tempo, pode não ser vantajoso para o inquilino deixar o imóvel, porque os gastos com a mudança e pintura do imóvel acabam sendo maiores que o reajuste. Além disso, a busca por outro imóvel na mesma faixa de preço é incerta e pode ser demorada.
Pesquisa
- Para convencer o locador a manter o preço ou fazer um aumento menor do que o proposto, o inquilino pode pesquisar valores praticados no mercado, como nos imóveis vizinhos, e mostrar que o aumento é exagerado, se for o caso