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Eleições 2020

“Volta do voto impresso é retrocesso”, diz Barroso

Maior autoridade na condução das eleições deste ano, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ...

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, esteve em Vitória, participando do 8º Fórum Liberdade e Democracia, no Centro de Convenções.

Última atualização

Maior autoridade na condução das eleições deste ano, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, esteve ontem em Vitória, participando do 8º Fórum Liberdade e Democracia, no Centro de Convenções.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, esteve em Vitória, participando do 8º Fórum Liberdade e Democracia, no Centro de Convenções. (Foto: Beto Morais/AT)

Convidado a acompanhar as eleições nos Estados Unidos como observador na semana que passou, o ministro evitou dizer qual sistema eleitoral tem mais a ensinar ao outro: se o brasileiro, com a urna eletrônica, ou o norte-americano, que adota o voto impresso e ainda não conseguiu divulgar o vencedor da votação da última terça-feira.

Entretanto, Barroso destacou que retornar com o voto impresso no Brasil seria um atraso. “Mais ou menos como comprar um videocassete na era do streaming”, classificou.  

A declaração de Barroso foi dada um dia após o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), defender o voto impresso na eleição presidencial de 2022.

O chefe do Executivo prometeu para o ano que vem “mergulhar” na Câmara e no Senado para aprovar uma proposta que estabeleça o voto impresso para as eleições de 2022.
“Para que a gente possa realmente ter um sistema eleitoral confiável em 22”, disse Bolsonaro em transmissão realizada via rede social.

Bolsonaro já afirmou por mais de uma vez que a eleição de 2018, da qual saiu vencedor, foi fraudada. Sem provar, ele diz que venceu o pleito ainda no primeiro turno e não no segundo contra o candidato do PT, Fernando Haddad.

Barroso, por sua vez, disse ainda no evento em Vitória que, a partir do final dos anos 1990, quando as urnas eletrônicas começaram a ser implantadas (em 1996), o sistema eleitoral brasileiro superou uma época de muitas fraudes.

“Fraudes existiam na época do voto impresso. De 1996 para cá não se documentou nenhum tipo de fraude, coisa errada, associada às urnas eletrônicas. Nesse processo de apuração foi eleito o presidente Fernando Henrique (PSDB), o presidente Lula (PT) duas vezes, a presidente Dilma (PT) duas vezes e o presidente Bolsonaro sem que se documentasse alguma coisa errada”, disse.

O ministro explica que o único incômodo dele com as urnas eletrônicas é o custo com a troca de parte delas a cada dois anos, em torno de R$ 700 milhões. Segundo estudo do TSE, o voto impresso custaria R$ 2,5 bilhões.

O que Barroso disse

Eleições do futuro

“Temos um projeto agora chamado Eleições do Futuro, que testaremos nestas eleições. Chamamos empresas de tecnologia para apresentarem propostas de um novo modelo digital, se possível usando dispositivos pessoais de cada um, como celular, tablet ou mesmo o computador para que, com isso, a gente consiga baratear as eleições”.

“Ao todo 31 empresas compareceram. Algumas estão entre as maiores empresas de tecnologia do mundo. E vamos ver o tipo de propostas que eles vão apresentar. Vamos fazer um teste agora, no dia 15 de novembro”.

Fake news (notícias falsas)

“Nos preparamos para uma guerra e acredito que estamos vencendo. O que nós fizemos? Parcerias com todas as plataformas tecnológicas, como o WhatsApp, Twitter, Google, Facebook, Instagram e TikTok”.

“Fizemos parceria com eles, porque na verdade, em 2018, as plataformas tecnológicas e mídias sociais eram totalmente arredias com parcerias que interferissem na situação de notícias pelas redes sociais”.

“Mas, depois do que aconteceu com as eleições americanas, com as eleições na Índia, com o Brexit, essas empresas começaram a ter um problema grave de imagem, associadas à degradação da democracia. Elas mudaram de atitude e se tornaram mais cooperativas”.

Parceria com o WhatsApp

“Tivemos uma parceria extraordinária com o aplicativo, que é a fonte de informação de 70% dos brasileiros. E ele se comprometeu a derrubar todas as contas que detectassem não o conteúdo, mas comportamentos coordenados, por robôs, disparos em massa ilegais. Derrubamos um monte de contas”.

Polícia Federal na cola

“Fizemos uma grande campanha de televisão contra as fake news e, com isso, desestimulamos os difusores de notícias falsas inocentes júdice: a titia ou a vovó, que repassavam sem prestar atenção.

A campanha era: ‘Não repasse o que você não sabe. Se não é verdadeira, não faça aos outros o que não quer que faça com você’”.

“E, dessa forma, assustamos os amadores. Aí só ficaram os profissionais. Mas para esses a gente tem mandado a Polícia Federal”.
 

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