
Mas, então, como tirar o dinheiro de lá e fazer render mais do que a inflação? A Tribuna ouviu especialistas no setor, que listaram 10 alternativas. Há opções que precisam de pouco investimento inicial.
A especialista em Gestão Tributária e conselheira do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo, Mônica Porto, explica que alguns investimentos estão se tornando inviáveis para aplicações de recursos, como é o exemplo da poupança. A origem do problema está na Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira.
“A taxa Selic que já bateu alta em mais de 14%, está em baixa. Este ano iniciou a 4% e neste mês chegou a 2% ao ano. A poupança hoje rende 70% da taxa Selic e mais a taxa referencial (TR, hoje zerada). Este rendimento este ano está na média de 1,4% ao ano. Em função disso, muitos investidores vêm buscando diversificar seus ganhos, com outras alternativas.”
Para quem é mais conservador e com idade avançada, Mônica sugere investir nas Letras de Crédito do Agronegócio e Imobiliário.
“Não causam muita preocupação e há isenção de impostos, além de render mais do que a poupança. Já para os que gostam do mercado, sugiro os fundos de investimento, que, se forem bem administrados, trazem rentabilidade muito grande”, completa.
Franco Carpes, sócio da Golden Investimentos, acrescenta que, neste momento, o investidor tem que sair da zona de conforto e fazer o dinheiro circular.
Entre as opções, está o financiamento da dívida pública, por meio de ativos do Tesouro Nacional, através de dívida bancária, com ativos emitidos pelo bancos. Ou sendo credor de empresas em geral.
“O investidor cede recursos às empresas por meio de operações bem estruturadas, diretamente a atividade fim de grandes instituições. Caso contrário, o recurso até crescerá nominalmente, porém de forma real perderá valor e o cliente perderá poder de compra”, enfatizou.
ANÁLISE
“Desconfie de ganho alto e rápido”
“Há uma máxima na área de investimentos que diz que aplicações financeiras com retornos maiores tendem a trazer riscos maiores de perdas.

Especialmente neste momento, em que a taxa de juros está muito baixa, a tendência do investidor é migrar de aplicações de renda fixa para produtos sujeitos a flutuações maiores.
É bom lembrar de que a rentabilidade passada não traz nenhuma garantia de retorno futuro. Por exemplo, muitas pessoas que compraram fundos de ações, em janeiro, por conta do bom histórico de desempenho viu seu capital se reduzir pela metade em apenas três meses. É preciso cuidado também com golpes ou empresas sem procedência.
Desconfie de promessas de ganhos elevados em pouco espaço de tempo. Sempre que possível, busque a opinião de consultor independente para lhe orientar.”
Eduardo Araújo, economista
AS OPÇÕES DE INVESTIMENTOS
1 – Certificados de Depósitos Bancários (CDB)
- São um tipo de investimento de renda fixa que são emitidos pelos bancos. É como se você estivesse emprestando um dinheiro para o banco recebendo uma taxa de rentabilidade para financiar as atividades deles.
- Dá para fazer por aplicativo, com a simulação de taxa, de quanto quer investir, e por quanto tempo. Não há quantidade mínima. Alguns bancos trabalham com o que chamam de “resgate automático”.
- O Rendimento pode ser baseado no CDI (Certificado de Depósitos Interbancários). Neste caso, o acumulado dos últimos 12 meses está em 3,53% ao ano (a poupança rende 1,4%), mas este valor pode ser negociado em cada operação já que alguns bancos pagam 100% ou até 120% do CDI baseado na quantia ou tempo da aplicação.
- Mas também pode ser pré-fixado, uma taxa estabelecida pela instituição financeira, ou mesmo híbrido com uma taxa fixa e uma variável.
- Por isso, é bom negociar. Tem incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), e o Imposto de Renda (IR) é regressivo, ou seja, quanto mais tempo você deixar menor será a taxa.
2 – Tesouro Direto
- Pode negociar direto no site do Tesouro Nacional ou por corretoras. São títulos 100% garantidos pelo tesouro nacional. Em termos de segurança, é indicado. É muito acessível, porque pode-se aplicar a partir de R$ 30 ou 1% do valor do título.
- Pode ser título com base na Selic, que é a taxa básica de juros da economia. É o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. A Selic que está muito baixa e é variável. Mas o título pode também ser pré-fixado (uma taxa é gerada antes) ou híbrido – que é o IPCA. Neste caso uma parte acompanha a inflação e outra é medida pelo IPCA.
3 – Letras de Crédito Imobiliário (LCI)
- É preciso ir ao banco ou corretora. É como se fosse comprar um título de dívida, de forma traduzida. São títulos de renda fixa isentos de imposto de renda e com alíquotas de IOF reduzidas a zero – é a vantagem.
- São atrelados a créditos imobiliários e garantidos por hipoteca. Podem ser renumerados com base em um percentual do CDI – que pode chegar a 90% – ou uma taxa pré-definida.
4 – Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)
- É preciso ir ao banco ou corretora. São títulos emitidos por instituições financeiras que renumeram com base em recursos atrelados ao setor do agronegócio, produtores rurais e cooperativas. Também são isentos de imposto de renda. Assim como a LCI, é um título de renda fixa e com as mesmas regras de remuneração.
5 – Fundos de Investimentos
- É preciso procurar corretoras e bancos. Investir num fundo, significa, de forma traduzida, você comprar cotas de um fundo ou os pedaços dele. É como se você fosse comprar algo junto com várias outras pessoas e assim conseguem melhores taxas, como se fosse um condomínio.
- A administração destes fundos é feita por especialistas visando maior lucro possível. Eles podem ser fundos de ações, fundos multimercados, fundos de renda fixa, fundo cambial e outros. O resgate também se negocia com quem gere o fundo.
6 – Letras de Câmbio
- É um investimento de renda fixa que se assemelha à poupança e letras de crédito. Assim como um título, você empresta o dinheiro para o banco e em troca recebe o valor emprestado e mais o valor de uma remuneração.
- Essa remuneração pode ser o CDI ou pode ser CDI + IPCA, 110% do CDI, dependendo da instituição. Normalmente, depende da quantia e o tempo que você vai aplicar. O banco é quem vai determinar as hipóteses que ele tem.
7 – Debêntures
- São títulos de dívidas que podem ser emitidos por empresas. É um tipo de investimento que pode ter rentabilidade superior aos investimentos de renda fixa. As empresas de capital aberto ou fechado com objetivos de capitar recursos e financiar seus projetos, lançam títulos de dívidas (como se fosse uma promissória), e dão ao investidor o direito de crédito sobre a empresa.
- Diferente da ação, que quando você compra você vira um acionista, na compra da debênture você vira um credor da empresa. Elas são negociadas em bolsa de valores. Precisa ter um banco ou uma corretora.
- A taxa dos ativos normalmente é bem superior a dos títulos públicos. Caso seja adquirida debênture de empresas de infraestrutura, o ativo ainda é inteiramente isento de IR.
8 – ETF – Exchange Trade Fund
- É um fundo de índices que busca retornos altos de um determinado índice do mercado. São as cotas que são negociadas em Bolsa de Valores e podem ser compradas e vendidas como se fossem uma ação. Por ser uma renda variável apresenta mais risco. Então ao comprar uma ETF você investirá em uma carteira de ações que tem um determinado índice no mercado.
9 – Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI)
- Parecido com as debêntures. São créditos privados, emitidos por sociedades securitizadoras (que fazem conversão de dívidas em títulos, como se fossem um conglomerado financeiro) como renda fixa e são baseados em créditos imobiliários. Securitização é a conversão de uma dívida em títulos lastreáveis e negociados em instituições financeiras, com um compromisso de pagamento futuro de principal e juros, assim como as debêntures.
10 – Certificado de Operações Estruturadas (COE)
- É uma aplicação que combina a segurança da renda fixa com a rentabilidade da renda variável através de diversificações de ativos. Serve para investidores que desejam aumentar rentabilidade, porém correndo poucos riscos. O COE é uma excelente opção para quem quer entrar no mercado de ações, porém não correndo os riscos. Também precisa de uma corretora. Alguns bancos também fazem.