
Essa será a segunda música do artista, que assina o projeto como Vitu, como é conhecido por pessoas próximas.
Há quase quatro meses, Vitor lançou “Deixa Sossegar”, canção que reforça a importância da amizade. No clipe, gravado em casa, amigos e artistas capixabas ouvem e reagem à canção.
O projeto traz uma estética sonora diferente da que o artista desenvolve no Moreati, grupo que já dividiu palco com My Magical Glowing Lens e André Prando, The Baggios, Deb and the Mentals, entre outras bandas do cenário independente do País.
“Com o tempo, fui criando algumas composições que não tinham a ver com a proposta da banda. Quis dar um escape para elas. São mais íntimas, mais voltadas para a MPB e o folk”, explica o artista.
Segundo Vitor, o empurrão para essas composições ganhassem vida foi a pandemia do novo coronavírus.
“Veio a pandemia, e impulsionou isso. A gente estava impedido de trabalhar como banda. Foi um momento oportuno que dependia mais de mim”, salienta ele.
É nesse contexto que “Contraste” será lançada nos próximos dias. O primeiro contato entre a dupla aconteceu de forma virtual.
“A Érika é de Vitória e tem um single chamado ‘Camburi’. Nosso contato aconteceu após ‘Deixa Sossegar’, quando busquei artistas daqui que tinham uma sonoridade parecida com a minha”, recorda.
Daí em diante, os dois passaram a trocar ideias pela internet e a canção ganhou corpo. “Nessa nova música, incluímos algumas teclas, programações e baterias gravadas pela Thaysa Pizzolato”, adianta.
Mesmo ainda sem ter lançado o novo single, tanto “Contraste” quanto “Deixa Sossegar” servem de laboratório para seu primeiro EP.
Não há data para o lançamento, mas o trabalho tem nome: “Reencontro”. “É um reencontro comigo, com quem já fui e nunca deixei de ser”, ressaltou o artista, que tem como influência nomes como Rodrigo Amarante, Tim Bernardes e Cícero, entre outros.
“Tento passar o sentimento mais cru através da música”, Vitor Locatelli músico
AT2: Como surgiu a ideia de “Deixa Sossegar”? Foi durante o período da quarentena?
Vitor Locatelli: Apesar de ter composições antigas, “Deixa Sosessegar” foi uma canção que fiz durante a quarentena.
O clipe caseiro foi um ‘react’ das pessoas. Foi um jeito que encontrei de estar próximo das pessoas, e também de elas participarem desse momento. Foi o primeiro single que lancei com clipe. Muitas pessoas não conheciam esse meu lado. Teve um resultado legal.
AT2: Sempre teve esse lado introspectivo?
Vitor Locatelli: Sempre tive os dois lados da moeda. Há dias em que estou em um astral, em outros, diferente. Essa parte das composições intimistas, mais particulares, sempre esteve comigo.
Comecei compondo dessa forma. Mas aí a banda surgiu. A sonoridade da Moreati veio junto. Quando começamos a tocar, acabou surgindo e virando o que é.
AT2: E para essas novas composições? O que tinha em mente?
Vitor Locatelli: Tinha em mente o que eu queria, como eu queria que soassem essas músicas. Tento passar o sentimento mais cru através da música. Queria fazer como se estivesse ao lado da pessoa tocando. É um escape para essa parte mais sentimental e sensível.
AT2: Por que essas músicas não foram lançadas com a Moreati?
Vitor Locatelli: Achava que podia passar uma mensagem confusa do que era a banda. Achava que tinha algumas coisas que eram vertentes diferentes. Por isso, que acabei guardando essas composições. Neste momento, resolvi colocar no mundo de outra forma.
AT2: A ideia é que esse projeto seja apenas voz e violão ou no futuro incorpore mais elementos?
Vitor Locatelli: Pretendo explorar mais, colocar alguns elementos de guitarra mesmo. Mas, como ainda tem uma limitação de estar produzindo em casa, eu também quis fazer uma produção mais simplificada.
“Deixa sossegar”, realmente, era para ser desse jeito: violão e voz. Em “Contraste”, consegui ir um pouco além. Encaixamos elementos que não precisassem sair do estúdio.
AT2: Está preparado para subir ao palco só você e o violão, sem os amigos da banda ao lado?
Vitor Locatelli: Uma vez, li uma entrevista do Rodrigo Amarante falando que se sentia mais rock’n’roll do que com banda. Ao mesmo tempo que há vantagens de tomar decisões sozinho, também tem esse lado de não ter o apoio com as ideias e a força que a banda traz. É meio arriscado, meio novo. Eu estou gostando desse desafio de fazer tudo sozinho.
AT2: Acha que, com o fim do quarentena, quando puder se reunir com outros músicos, o seu som vai ter a mesma linguagem?
Vitor Locatelli: Não tenho a noção do que vai ser. Quero ter a oportunidade de tocar sozinho, mas quero ter uma banda comigo. Quero conversar com pessoas que topem essa empreitada. No futuro, quando fizer um disco ou EP, pretendo trazer mais pessoas, para poder executar composições e arranjos.
AT2: Qual mensagem pretende passar nesta nova empreitada?
Vitor Locatelli: A mensagem é de se conhecer, se ouvir. Aceitar o amor em volta de você, o amor das pessoas. E tentar evoluir como pessoa.