Enquanto a pandemia da Covid-19 avança para o quinto mês no Espírito Santo, cientistas britânicos detectaram seis “tipos” do vírus, cada um formado por um conjunto de 15 sintomas que uma pessoa infectada pode apresentar.
As conclusões são baseadas em dados de pacientes coletados por um aplicativo da universidade britânica King’s College London. No aplicativo, infectados informaram regularmente os sintomas apresentados entre março e abril.
A partir daí a equipe de cientistas usou um cálculo matemático para analisar dados de um grupo de cerca de 1,6 mil usuários infectados no Reino Unido e nos Estados Unidos.
Os grupos menos graves foram batizados de “gripes”, que são os que sentiram enxaqueca, perda de olfato, dor muscular, tosse, dor de garganta, dor no peito, mas sem febre. No grupo seguinte, o paciente tem quadro febril, que acompanha a rouquidão e a perda de apetite.
A gravidade aumenta num terceiro “tipo”, que é o do grupo “gastrointestinal”, que também sofre com diarreia. Desses grupos citados, apenas 3,3% precisaram de respiradores.
Os níveis graves são três – completando a leva de seis “tipos”. O nível um é o do paciente que sente fadiga, o nível dois compreende o infectado que sofre com sintomas de confusão mental e o terceiro enfrenta dor abdominal e dificuldade de respirar. Do último grupo, quase metade precisou ir para um hospital.
IMPACTOS

“A Covid-19 se manifesta de forma diferente e, conhecendo os níveis sintomáticos, é possível se antecipar com os grupos mais vulneráveis, como idosos”.
Também infectologista, o médico Carlos Urbano faz a ressalva de que um recorte brasileiro seria importante para a assertividade nos tratamentos no País.
“Aqui, a doença acomete mais jovens que na Europa, por exemplo. Como são estudos populacionais grandes, demora tempo, mas seria importante, até por fatores como a raça, por exemplo, que são distintos. De qualquer modo, esse mapeamento de sintomas evita agravamentos e ajuda o trabalho clínico no início da doença”.
Vírus preocupa porque tem muitas facetas, diz especialista
Doutor em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade de São Paulo, o médico Crispim Cerutti Junior lembra que os vírus, em geral, oferecem padrões que possibilitam relacionar a doença com o sistema do nosso corpo que é atingido, apesar de variações. Mas que, tratando-se da Covid-19, essa variabilidade é bem maior.
“Esse vírus tem muitas facetas diferentes. As pessoas se comportam clinicamente de manerias distintas. A Covid-19 não tem padrões muito definidos, o que não faz dele necessariamente tão mais perigoso. Acontece que é preciso ficar atento para todas as possibilidades de complicações, o que exige mais cuidado do profissional da saúde, já que há uma diversidade maior de fatores”, explicou.
Ele compara à influenza, por exemplo. “Há um padrão na influenza, com dor de garganta, tosse e febre. E que, às vezes, compromete o músculo e confere alterações neurológicas, mas é mais raro. A gente conhece mais o comportamento do vírus, ao contrário da Covid-19”.
