O diretor-executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, analisou o quadro atual do novo coronavírus no Brasil, em entrevista em Genebra, na Suíça, na sexta-feira (17).
Segundo ele, o número de casos da doença se estabilizou na casa dos 40 mil nas últimas semanas, mas ainda não apresenta uma tendência de queda sustentada. “O vírus ainda dita a regra em muitos países, inclusive no Brasil”.
Ryan destacou que o crescimento da epidemia no País já não é exponencial, como em abril, maio e junho. Ele explicou que a taxa de reprodução, conhecida como R, recuou da faixa de R1,5 a R2 para cerca de R1, o que significa que, na maioria dos estados, uma pessoa contaminada já não infecta mais do que um indivíduo.
“Mas não há nenhuma garantia de que os casos vão começar a diminuir sozinhos”, ponderou, lembrando que 11% dos diagnósticos estão em profissionais da saúde.
Ele exortou governos a comunicarem os riscos de transmissão da Covid-19 “de forma clara”.
Sobre a missão de especialistas da OMS que investiga a origem do vírus na China, ele disse que não há um prazo para a divulgação dos resultados das apurações.
O diretor também afirmou que “os profissionais de saúde estão pagando muito caro pela epidemia” no Brasil – são funcionários da saúde cerca de 10% das mais de 77 mil mortes por Covid-19 já registradas no País.
Segundo a OMS, a taxa de transmissão no Brasil chegou a 2 em abril, e agora varia de acordo com a região, entre 0,5 e 1,5. Já o cálculo feito nesta semana pelo Imperial College aponta uma taxa média para o País de 1,03.
O número indica para quantas pessoas, em média, cada contaminado transmite o coronavírus. Uma taxa de transmissão acima de 1 significa que o contágio está acelerando e a epidemia está fora de controle. O Brasil está há 12 semanas com o indicador acima de 1.
Ryan repetiu que a epidemia pode ser controlada se governo e população adotarem um conjunto de medidas básicas, como usar máscara, evitar aglomerações, manter distância mínima de 1,5 metro dos outros, proteger o rosto ao tossir e lavar as mãos com frequência.
“Governos precisam comunicar os riscos de forma cuidadosa e trabalhar para que os lugares estejam seguros. Cabe a cada um de nós também avaliar nosso risco e tomar as decisões corretas”, disse.
