No pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim, hospital referência no tratamento do novo coronavírus no Sul do Estado, mãe e filha médicas dividem o mesmo plantão e, juntas, estão na linha de frente no combate à doença que matou 320 pessoas somente na região.
Formada há seis meses, Caroline Brito Moulin, 25 anos, tem ao lado a sua mãe, a médica de clínica geral Adriana Abreu de Brito Rodrigues, 46, na batalha diária de tratamento dos pacientes, comemorando vitórias e lamentando perdas.
“Passamos os plantões tentando garantir a vida dos pacientes. Quando um paciente tem alta, é uma vitória. A gente fica nas nuvens. É muito gratificante. Mas quando morre, ficamos tristes, pensando se poderíamos ter feito melhor, se tentamos todas as opções”, disse Caroline.
Adriana atua na Santa Casa há 18 anos. Ela disse que é daquelas mães corujas e conta que ver a filha seguindo sua carreira é muito gratificante. “Tenho muito orgulho de tê-la comigo. Ela tem seis meses de formada e já está enfrentando tudo isso”, salientou.
Por estarem na linha de frente contra a Covid-19, os cuidados com a família tiveram de ser redobrados. Os encontros presenciais foram suspensos desde o início da pandemia.
“Estou sem ver meu avô desde março e nossas reuniões familiares, que a gente sempre fazia aos domingos, não estão acontecendo mais”, lamentou a filha.
A vontade de seguir a profissão surgiu na infância de Caroline. “Digo que a medicina me escolheu. Quando eu era pequena, minha escola era perto da Santa Casa e eu fingia que estava passando mal só para ficar perto de minha mãe. Isso me influenciou”.
Mas a história da família na área da saúde é mais antiga. Graças ao esforço do avô, um caminhoneiro que, junto com a mulher, conseguiu formar cinco de seus nove filhos em Medicina.
Caroline nunca imaginou que fosse enfrentar logo no início da sua carreira uma situação tão grave como a pandemia. Por isso, a troca de experiência com a mãe é uma vantagem.
“Uma recomendação do protocolo de pacientes com Covid é que se tenha um médico experiente no acompanhamento, e essa pessoa ser sua mãe dá uma segurança muito maior”, disse.