A técnica do time feminino do Rio Branco-AC, Rose Costa, pediu demissão do cargo logo após o clube anunciar a contratação do goleiro Bruno Fernandes, condenado a mais de 20 anos de prisão pela morte da modelo Eliza Samúdio, em 2010.
A contratação de Bruno foi confirmada pelo presidente do time, Neto Alencar, no domingo (26), em vídeo publicado nas redes sociais. Na gravação, o presidente do Rio Branco-AC classificou a negociação como uma das “maiores da história”.
Em entrevista ao UOL, Rose revelou que, assim que soube pela imprensa da contratação do goleiro, ainda no domingo, pediu o desligamento da equipe feminina.
Rose estava à frente da equipe feminina do time desde outubro do ano passado e esperavam o início do campeonato acreano, que foi adiado por conta da pandemia do coronavírus. Ao UOL, ela destacou que se sentiu triste, revoltada e que sua ética profissional a impediu de compactuar com a decisão do reforço.
“Sou profissional de Educação Física há mais de 30 anos, sei que o esporte de rendimento —principalmente o futebol— tem uma conotação importante de formação cidadã. O atleta não é um mero profissional, ele é um exemplo para a sociedade, para os jovens. E como um homem que cometeu um crime bárbaro como esse pode ser exemplo para alguém?”, questiona ela durante a entrevista ao UOL.
Além do pedido de demissão da técnica da equipe feminina, o Rio Branco-AC também perdeu o principal patrocinador da equipe, que apoiava o time há 14 anos, assim que Bruno foi anunciado como novo reforço. A seccional do Acre da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protestou contra a contratação do goleiro.
Bruno tem 35 anos e cumpre pena no regime semiaberto domiciliar em Varginha (MG). Recentemente, ele tentou voltar aos gramados, sendo anunciado pelo Boa Esporte (MG) e pelo Operário-MS, mas nos dois casos a contratação foi rechaçadas pelas torcidas e não foi concluída.
