Uma das maiores esperanças no combate ao novo coronavírus pode estar disponível até junho de 2021.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pela produção no País da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, caso comprovada sua eficácia nos próximos meses, ela será capaz de produzir a imunização para toda a população brasileira ainda no primeiro semestre do ano que vem.

No mês passado, a farmacêutica AstraZeneca e o governo federal anunciaram um acordo para a distribuição e produção local da vacina, com entregas iniciando no final de 2020.
No acordo, o Brasil se compromete com a compra de 30 milhões de doses – com a entrega de metade deste volume prevista para dezembro deste ano e a outra metade em janeiro de 2021.
Após essa produção, ainda seriam necessárias etapas de registro e validação, antes de uma possível distribuição.
Ao término dos ensaios clínicos e com a eficácia da vacina comprovada, o acordo prevê uma segunda etapa, com a produção de mais 70 milhões de doses, ao preço de custo de U$ 2,30 (R$ 12,28) por dose.
“Num momento como esse, de emergência sanitária, já temos uma infraestrutura robusta e com capacidade produtiva para incorporar novas tecnologias e introduzir novas vacinas rapidamente no Sistema Único de Saúde (SUS)”, destacou a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.
Estudo
Na terceira e última fase, a vacina tem sido testada em diversos países. No Brasil, 5 mil pessoas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia vão participar desta etapa de testes.
Segundo a empresa, metade dessas pessoas receberá uma dose da agora chamada AZD1222, contra a Covid-19, e a outra metade receberá uma dose da meningocócica ACWY, um imunizante contra a meningite.
Antes disso, o produto já foi inoculado em animais, nos chamados testes pré-clínicos, e em humanos, nas fases um e dois, quando se testa sobretudo a segurança.
Autorizado o início da fase 3 de testes em São Paulo
Outra vacina contra o novo coronavírus em desenvolvimento deu um novo passo ontem. O governador de São Paulo, João Doria, anunciou em seu twitter que a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) autorizou o início da fase 3 de testes clínicos com a vacina desenvolvida pelo instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech.

A partir da semana que vem, o Instituto Butantan irá começar o recrutamento dos voluntários por meio de um aplicativo que ainda será colocado à disposição dos interessados.
De acordo com o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, a expectativa é de que, caso a vacina seja bem-sucedida, sua disponibilização ocorra a partir de meados de 2021.
“No mundo, são 136 vacinas sendo testadas, 12 delas em estudos clínicos. Dessas, três estão na fase 3, a mais avançada. Uma dessas é a que o Butantan fez esse acordo e é uma das que têm grande chance de chegar ao público”, afirmou Dimas Covas.
Na fase 2, realizada com mil voluntários na China, foi observada a eficiência da vacina em mais de 90% dos participantes do estudo.
No Brasil, Covas afirmou que a expectativa é de que uma análise preliminar dos resultados ocorra ainda este ano, o que possibilitaria o uso da vacina em meados do ano que vem.
“Essa é uma das vacinas mais promissoras e daí vem o meu entusiasmo. Estou muito entusiasmado que essa será uma das vacinas que chegará ao mercado com muita eficiência rapidamente – afirmou.”
Para participar do estudo, o profissional terá que estar trabalhando no atendimento de pacientes com Covid, não ter sido infectado pela doença, não participar de outros estudos de vacinas, não estar grávida ou planejar engravidar nos três meses de estudo, entre outros critérios.
SAIBA MAIS
Primeiras doses a partir de dezembro
Vacina
> A vacina foi desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e é considerada uma das mais promissoras no mundo.
> Ela usa um vetor viral de chimpanzé com deficiência de replicação, baseado em uma versão enfraquecida de um vírus do resfriado comum (adenovírus) e contém o material genético de uma proteína do novo coronavírus.
> Após a vacinação, se inicia uma resposta do sistema imunológico, produzindo anticorpos que devem ser capazes de atacar a Covid-19 se, posteriormente, infectar o corpo.
Acordo
> No final de junho, o governo federal enviou resposta à embaixada Britânica e ao laboratório AstraZeneca aceitando a proposta de acordo de cooperação no desenvolvimento tecnológico e acesso do Brasil à vacina para Covid-19.
> O acordo prevê a compra de lotes da vacina e da transferência de tecnologia. Se demonstrada eficácia, serão 100 milhões de doses à disposição da população brasileira.
> No Brasil, a produção será de responsabilidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Etapas
> O acordo tem duas etapas. Começa com uma encomenda em que o Brasil assume também os riscos da pesquisa. Ou seja, será paga pela tecnologia, mesmo não tendo os resultados dos ensaios clínicos finais. Serão 30,4 milhões de doses da vacina.
> Os dois lotes a serem disponibilizados à Fiocruz, de 15,2 milhões de doses cada, deverão ser entregues em dezembro deste ano e janeiro de 2021.
> A segunda fase, caso a vacina se mostre eficaz e segura, será ampliada a compra para mais 70 milhões de doses.
> O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, afirmou que, assim que confirmada sua eficácia, a Fiocruz terá capacidade de produzir a vacina para toda a população brasileira, ainda no primeiro semestre de 2021, por meio de sua unidade de produção Bio-Manguinhos.

> A partir de uma resposta de eficácia dos testes, o governo federal estima que, no início do próximo ano, possa ser realizada uma campanha de vacinação já definindo os públicos prioritários, aqueles que estão mais vulneráveis: idosos, portadores de outras doenças, profissionais de saúde e de segurança, professores, indígenas, motoristas de transporte público e presidiários.
Testes
> Os testes da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford estão na terceira e última fase, em que é analisada a eficácia da vacina.
> Para isso, estão sendo testadas 5 mil pessoas, sendo que os voluntários são profissionais de saúde que atuam em meio à pandemia, com idades entre 18 e 55 anos.
> Eles recebem as doses da vacina contra a Covid-19 e da meningocócica e são monitorados com frequência, tanto para a análise de sintomas, quanto para os testes sorológicos.
> Devem voltar aos locais dos testes: a Unifesp, em São Paulo, e o Instituto D’Or, no Rio (a instituição parceira na Bahia ainda não foi anunciada).
> O monitoramento ocorre semanalmente na primeira quinzena após a imunização. Depois, os voluntários são avaliados ao fim do primeiro mês e, então, depois de 90 dias, seis meses e, por fim, um ano.
Fonte: Especialistas consultados.