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Escolas começam a ampliar a carga horária em 2021

Com a proposta de melhorar o aprendizado e o interesse dos alunos pelos estudos, o novo ensino médio já começa a ser implantado em escolas do Estado ...

Escolas começam a ampliar a carga horária em 2021
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Última atualização

 (Foto: Beto Morais - 13/10/2020)

Com a proposta de melhorar o aprendizado e o interesse dos alunos pelos estudos, o novo ensino médio já começa a ser implantado em escolas do Estado a partir de 2021.

Mudanças na carga horária e no currículo foram estabelecidas após alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Para todos os estudantes do ensino médio da rede estadual, a partir de 2021 haverá aumento da carga horária, que passará a ter, no mínimo, 1.000 horas anuais.

A subsecretária de Atenção Básica e Profissional da Secretaria de Estado da Educação, Andréa Guzzo, explicou que as escolas de tempo parcial da rede passarão a ter seis aulas por dia de 50 minutos.

Ela frisou que a regra estabelecia, antes, um mínimo de 800 horas. “A gente já vinha aumentando a carga horária, chegando a 916 horas. Agora estamos ampliando”.

Já o novo currículo será implantado na rede em 2022 para a 1ª série do ensino médio. Em 2023, será a vez da 2ª série, com a possibilidade dos itinerários formativos, que seria um currículo flexível com disciplinas voltadas para os interesses de cada estudante. Em 2024, será a vez do 3º ano.

Diretor pedagógico do Centro Educacional Leonardo Da Vinci, Mário Broetto (Foto: Divulgação/Assessoria de Imprensa)“Para 2021, estamos adiantando a oferta da disciplina de Projeto de Vida, estudo orientado, e a possibilidade de disciplinas eletivas”.

O diretor pedagógico do Centro Educacional Leonardo Da Vinci, Mário Broetto, contou que, a partir de 2021, a instituição começa a adotar o novo modelo nas turmas do 1º ano.

Em 2022, mudam as primeiras e também as segundas séries. Já em 2023, todas, das primeiras às terceiras séries.

Para ele, o primeiro desafio das instituições é o aumento da carga horária, que passa de 800 para mil horas anuais, sendo 60% de formação básica e 40% de itinerários formativos até o final do ensino médio.

“No Leonardo Da Vinci, como só temos a modalidade integral, já oferecemos em torno de 1.500 horas anuais. No nosso caso, o que muda é a distribuição de carga horária e itinerários formativos”.

O Centro de Ensino Charles Darwin também irá implementar a mudança de forma gradativa: em 2021, para a 1ª série do ensino médio; em 2022 amplia para a 2ª série; e em 2023, para a 3ª série.

No Sesi-ES, o novo ensino médio começou com a implementação, em parceria com o Senai, em 2018, em uma das unidades. Em 2021, será ampliada para todas.

Família considera grande avanço

Carlos Bressan, 57 anos, e Marlene Bressan, de 53, e a filha Victoria, de 15. (Foto: Divulgação/Giovanni Albino)

Ano que vem, a estudante Victoria Bressan, de 15 anos, irá cursar o 1º ano do ensino médio no Centro Educacional Leonardo Da Vinci no novo formato. Seus pais, o engenheiro eletrônico Carlos Bressan, 57, e a empresária Marlene Bressan, 53, classificam essa mudança como grande avanço na educação do País.

“Fico me perguntando o quanto as escolas já estão preparadas para esta nova abordagem, o quanto os professores e equipes estão mudando seu mindset (modelo mental) para enfrentar este desafio”, indagou Carlos.

Outro destaque é o fato de o aluno, já no 1º ano, ter os estudos direcionados para uma área de seu interesse.
“Penso que os alunos devam ser preparados para a tomada de decisão, pois é muito cedo para decidirem o que desejam ser como profissionais. Este acompanhamento deve ser feito pelas escolas junto com os pais”.


Tire suas dúvidas


1 O que é o novo ensino médio?

  • Trata-se de uma ampla mudança nessa etapa de ensino, estabelecida por uma lei de 2017.
  • A legislação alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ampliando o tempo mínimo do aluno na escola, que era de 800 horas, para 1.000 horas anuais. A mudança deve ser implantada até 2022.
  • Além disso, também define um novo currículo, mais flexível, que contemple uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a oferta de diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, chamados itinerários formativos.
  • Cada itinerário terá foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional.

2 O que é a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)?

  • É um conjunto de orientações que deverá nortear a elaboração dos novos currículos das escolas das redes públicas e privadas de ensino de todo o Brasil.
  • A Base trará os conhecimentos essenciais, as competências, habilidades e as aprendizagens pretendidas para crianças e jovens em cada etapa da educação básica.
  • A carga horária da base comum deve ter até 1.800 horas (nos três anos). A carga horária restante deverá ser destinada aos itinerários formativos, espaço de escolha dos estudantes.

3 O que são os itinerários formativos?

  • São o conjunto de disciplinas, projetos, oficinas e núcleos de estudo que os estudantes poderão escolher no ensino médio.
  • Os itinerários formativos podem se aprofundar nos conhecimentos de uma área do conhecimento (Matemáticas e suas Tecnologias, Linguagens e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas) e da formação técnica e profissional ou mesmo nos conhecimentos de duas ou mais áreas.
  • As redes de ensino terão autonomia para definir quais os itinerários formativos irão ofertar aos alunos, considerando um processo que envolva a participação da comunidade escolar.

4 Quais serão os benefícios para os estudantes?

  • O objetivo do novo ensino médio é fortalecer o protagonismo juvenil na medida em que possibilita aos estudantes escolher o itinerário formativo no qual desejam aprofundar seus conhecimentos.
  • Dessa forma, o governo federal acredita que uma formação geral e com itinerários formativos contribuirá para maior interesse dos jovens em acessar a escola e, consequentemente, para sua permanência e melhoria dos resultados da aprendizagem.

5 Os estudantes serão orientados para a escolha dos itinerários formativos?

  • A lei estabelece o desenvolvimento de projetos de vida dos estudantes, o que será o momento para refletir sobre o que cada estudante deseja e conhecer as possibilidades do novo ensino médio.
  • A escola deverá criar os espaços e tempos de diálogo com os alunos, mostrando suas possibilidades de escolha, avaliando seus interesses e, consequentemente, orientando-os nessas escolhas.
  • Ou seja, é fundamental trabalhar o desenvolvimento do projeto de vida dos estudantes, para que sejam capazes de fazer escolhas responsáveis e conscientes, em diálogo com seus desejos e aptidões.
  • Muitas escolas da rede pública e particular já iniciaram disciplinas de projeto de vida.

6 Como será a formação profissional e técnica do estudante?

  • A formação profissional e técnica será mais uma alternativa para o aluno. O novo ensino médio permitirá que o jovem opte por uma formação profissional e técnica dentro da carga horária do ensino médio regular.
  • Ao final dos três anos, os sistemas de ensino deverão certificá-lo no ensino médio e no curso técnico ou nos cursos profissionalizantes que escolheu.

7 O novo ensino médio exclui disciplinas?

  • Não. A proposta atual da Base Nacional Comum Curricular contém conhecimentos de todos os componentes curriculares em suas competências e habilidades.
  • Os currículos de referência das redes e os projetos pedagógicos das escolas irão definir a organização e a forma de ensino dos conteúdos e conhecimentos de cada um desses componentes, considerando as particularidades e características de cada região.

8 Como será a oferta de Língua Portuguesa e Matemática?

  • Será obrigatório nos três anos do ensino médio, assegurada às comunidades indígenas, também, a utilização das respectivas línguas maternas, independente da área de aprofundamento que o estudante escolher em seu itinerário formativo.

9 Como ficará a oferta da língua inglesa? Por que foi escolhida como obrigatória?

  • A legislação anterior não trazia a língua inglesa como estudo obrigatório. Agora, torna o inglês obrigatório desde o 6º ano do ensino fundamental até o ensino médio.
  • Os sistemas de ensino poderão ofertar outras línguas estrangeiras se assim desejarem, preferencialmente o espanhol.

10 Como ficará o Enem com a implementação da nova estrutura do ensino médio?

  • A Lei do novo ensino médio não trata especificamente do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O MEC compreende que o exame deverá se adequar à Base Nacional Comum Curricular, portanto a mudança será gradual.

Fonte: MEC e especialistas consultados.

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