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“A gente tem muita história para contar”, diz Gloria Groove

Quando Daniel Garcia, 25, se transforma em Gloria Groove, ele se mostra, revela a sua versão mais poderosa. Sua drag queen funciona como uma armadura ...

Gloria Groove diz que seu novo álbum está completamente interligado com um momento de solidão

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Gloria Groove diz que seu novo álbum está completamente interligado com um momento de solidão (Foto: Divulgação/Rodolfo Magalhães)

Quando Daniel Garcia, 25, se transforma em Gloria Groove, ele se mostra, revela a sua versão mais poderosa. Sua drag queen funciona como uma armadura para que ele possa mostrar sua arte.

Entre os desafios da montação e a luta contra o preconceito, já se passaram seis anos. E a artista, que acaba de lançar o EP “Affair”, acredita que ainda há muito para ser feito.

“Ser drag não é fácil. Mas acredito que temos conseguido fazer as pessoas entenderem que a gente tem muito a acrescentar à nossa cultura, que temos muito para fazer e história para contar. Fico feliz de fazer parte de um momento de transformação, onde a gente está ocupando a frente da cortina, onde drag representa uma revolução de gênero, expressão, comportamento e arte”, afirma, ao AT2.

No novo trabalho, cada uma das cinco faixas retrata alguma fase específica de um envolvimento amoroso.

“Como compositor, tentamos contar uma história que todos se identifiquem. Mas, se tivesse que associar o relacionamento que acontece no EP com o da vida, seria a minha relação com o Daniel, entre criador e criatura. Essa relação vem sendo de altos e baixos. Estou melhor quando existe um equilíbrio”, salienta ela, que é uma das apresentadoras de “Nasce uma Rainha”, da Netflix.


Entrevista – Gloria Groove, cantora: “Gloria é o meu Superman”


AT2 – O isolamento social te trouxe abertura para contar uma história de amor?

Gloria Groove– O álbum está completamente interligado com um momento de solidão, mais introspectivo, e isso tem tudo a ver com a decisão de escolher o R&B. Já tinha uma família de músicas boas nesse estilo, aí este ano algumas novas surgiram. A partir disso, reparei que essas faixas tinham algo em comum, a história de envolvimento amoroso.

Qual a sua relação com o R&B?

É um estilo que está na minha vida desde sempre, desde as referências da minha mãe, que também é cantora, até os artistas que gosto desde a adolescência. Sinto que sempre esteve ali, já era um sonho mútuo entre eu e meus fãs que essa fase acontecesse, porque eles já conheciam essa minha faceta através de músicas como “Apaga a Luz” e “Madrugada”.

“Sinal” é a música mais vulnerável do EP e o Daniel não aparece no clipe. Se esconde atrás da Gloria?

É um processo ao contrário. A Gloria é o meu jeito de me mostrar, de me descobrir ainda mais. Sinto como se fosse minha armadura, meu jeito de encarar o mundo e expor minhas ideias sem que elas pareçam descabidas e sem que eu me sinta exposto demais. Quase como se fosse meu Superman.

Se existe amor, temos que deixar os sinais? (Risos)

Consigo ser mais afetuoso quando conheço a pessoa há mais tempo. Sou capricorniana clichê! E que bom que tenho a música para demonstrar todo afeto e carinho nesse coração capricorniano. (Risos)

É uma das apresentadoras de “Nasce uma Rainha”. Qual mensagem queriam passar?

Gloria  e Alexia Twister: reality (Foto: Divulgação)O que mais me conecta com o programa é a missão de fazer com que outras pessoas encontrem suas melhores versões. Já vinha fazendo isso dentro do meu trabalho e, no programa, só tive que achar uma nova linguagem para mostrar isso ao lado de Alexia Twister, uma lenda drag.

O que mais te emocionou?

O mais emocionante é como o formato estava disposto a não explorar somente um tipo de drag. Por ser um programa de autoconhecimento, era interessante que tivesse essa pluralidade e fiquei feliz de mostrar essa diversidade artística. O que mais amei foi essa capacidade que o programa teve de expandir a discussão de drag para a família e para a nossa comunidade.

Ajudar pessoas a se transformarem em rainhas te causou uma certa nostalgia?

Definitivamente. Inclusive, todas as histórias das rainhas eram desafiadoras, pois remetiam a coisas que eu e a Alexia também vivemos. A nossa comunidade divide muito de experiências parecidas, então toda hora a gente se deparava com algum traço da personalidade ou alguma cicatriz que a pessoa trazia que se comunicava com coisas que a gente viveu. E é complexo você ficar imparcial nesse momento.

Você teve uma madrinha?

Sou uma drag queen de uma geração em que a mãe drag foi uma figura substituída pelo YouTube. (Risos) Comecei a me montar no auge de RuPaul, fase onde a cultura drag ainda estava sendo falada e expandida. Então, só fui ter madrinha drag depois de alguns meses que já me montava e comecei a ir pra boate.

O programa mostra pessoas que precisavam ser empoderadas de alguma forma. Sempre esteve nesse lugar?

Ninguém nasce num lugar empoderado. Quem vê a figura da Gloria como uma figura poderosa, altruísta, nem imagina que tudo isso são projeções. A Gloria Groove tem essa atitude porque é isso que estão projetando no mundo: é o altruísmo que eu, Daniel, gostaria de ter. Acredito que meu processo de empoderamento, de autoaceitação, veio muito com a ajuda da minha drag.

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