
“Eram 99% de chance de eu morrer, mas me agarrei no 1% de chance de vida que eu tinha”, desabafou Regis, após ter entrado no mar na Barra do Jucu e ter saído na areia da praia de Ponta da Fruta, ambas em Vila Velha.
O caso aconteceu no fim da tarde da última segunda-feira (21), com o desfecho apenas à noite, por volta das 21h30. Mas Regis não estava sozinho. Ele e um adolescente, de 14 anos, voltavam de uma pescaria entre amigos quando decidiram andar pela areia da praia da Barra do Jucu.
O garoto, Douglas Iuna, foi puxado por uma onda, segundo Regis. Quando viu o adolescente sendo arrastado, o auxiliar de obras foi tentar ajudar, mas também acabou sendo puxado para o mar.
Regis contou que os dois ficaram boiando juntos no mar, mas que, por conta da agitação da água, acabaram sendo separados.
“O Douglas ficou boiando junto comigo por duas horas, mas a força do mar nos separou e eu o perdi de vista. O mar estava bastante agitado”, relatou.
Douglas conseguiu chegar à areia e pedir ajuda. Naquele momento, o Corpo de Bombeiros já havia sido acionado pelo pai do adolescente, que, só depois, foi avisado que o filho havia sido encontrado.
Enquanto isso, Regis ainda ficou boiando por mais duas horas até que conseguiu chegar à areia, na praia de Ponta da Fruta.
De lá, ele andou até um shopping, localizado na Rodovia do Sol, e conseguiu uma carona, de ônibus, até onde mora, no bairro Castelo Branco, em Cariacica.
Agora em casa, mas ainda se recuperando do susto, Regis disse que viu a morte de perto, mas que está feliz por ter conseguido se sair bem diante do perigo.
“Na hora, passou de tudo na minha cabeça. Pensei que iria morrer, mas eu tenho fé, e me agarrei a ela. Ainda estou me recuperando, pois sinto algumas dores no corpo e estou muito cansado. Minha garganta também está doendo, engoli muita água do mar”, completou.
“Pensei que iria morrer”
O auxiliar de obras Regis Ferreira Alves ficou à deriva no mar da praia da Barra do Jucu, em Vila Velha, após tentar ajudar um adolescente com quem caminhava pela areia. Ele só conseguiu sair da água depois de ficar boiando durante quatro horas .
A Tribuna – O que passou por sua cabeça quando se viu no mar sozinho com Douglas?
Regis Ferreira – Passou muita coisa na minha cabeça. Pensei que iria morrer. Eu tinha 99% de chance de morrer ali no mar, mas tenho fé, e me agarrei ao 1% de chance de vida que tinha.
Como você e o adolescente foram parar no mar?
A gente estava voltando de uma pescaria entre amigos e familiares. Eu e o Douglas decidimos andar na areia da praia, perto da água, na praia da Barra do Jucu. Mas uma onda veio e o arrastou para o mar. Eu fui tentar ajudar, mas acabei sendo puxado também.
Como foi o tempo em que ficaram perdidos no mar?
A gente ficou junto, boiando, mas o mar estava muito agitado. Então nos afastamos, por conta da força da água, e o perdi de vista. Não sabia se ele iria achar uma praia ou se afogar. Mas ele encontrou antes de mim.
Eu continuei boiando por mais duas horas e só consegui encontrar uma praia por volta de 21h30, quando cheguei na praia da Ponta da Fruta.
Como conseguiu voltar para casa depois de ter encontrado terra firme?
Quando consegui alcançar a praia da Ponta da Fruta fui andando pela faixa de areia até a Rodovia do Sol, onde tem um shopping. Fui para um ponto de ônibus ali perto e consegui pegar carona em um ônibus, que me trouxe para casa, aqui em Castelo Branco, Cariacica.