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“Acredito no poder da gratidão”, diz ator Gui Agustini

Perda do pai para o coronavírus e fim de um casamento de 7 anos. Como se não bastasse, ter que lidar com diversas crises de ansiedade. Em resumo, ...

Gui: “Por mais que eu não seja religioso, acredito muito no universo. Aceito esse ciclo da vida: a gente nasce e morre”.

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Perda do pai para o coronavírus e fim de um casamento de 7 anos. Como se não bastasse, ter que lidar com diversas crises de ansiedade. Em resumo, 2020 tem sido um ano difícil para o ator paulista Gui Agustini.

Mesmo assim, o ex-tenista de 32 anos, que há 10 vive nos Estados Unidos, procura sempre focar o lado positivo da vida através da gratidão.

“A gratidão é um esforço diário, e eu acredito muito no seu poder”, explica o galã, que interpretou o empresário espanhol Miguel na comédia brasileira “Solteira Quase Surtando”.

Gui: “Por mais que eu não seja religioso, acredito muito no universo. Aceito esse ciclo da vida: a gente nasce e morre”. (Foto: Divulgação)

Gui conta que, em certo momento, bater na tecla da gratidão se torna atitude automática. E é justamente aí que coisas boas acontecem. “É como um efeito dominó. Contagiante”, diz o também cineasta, que está produzindo filme com história bem pessoal.

“É o projeto de um drama, que comecei com meu pai, baseado numa história de amor. Conta a história da ex-namorada do meu irmão – ele morreu há 10 anos”, adianta, sobre “Sonhadora Acordada”.

“Gosto de dar esperança”

AT2 Vive nos EUA há 10 anos. Qual o motivo da mudança?

Gui Agustini Vim primeiro para uma cidade pequena na Carolina do Sul. Eu jogava tênis. Estudei teatro e comecei minha carreira no mercado latino. Fiquei três anos. Em 2013, me mudei para Nova Iorque e fiquei sete anos. Atualmente, vivo em Los Angeles, para onde me mudei há um mês e meio.

Como foi a transição do esporte para a carreira de ator?

Fiquei três anos em Caracas, na Venezuela, me preparando. O meu foco era só tênis. Lá, conheci um treinador que me ajudou muito. Ele me fez compreender que eu não tinha o que era preciso para seguir carreira no esporte.

Nos últimos seis meses na Venezuela, comecei a fazer testes para modelo. Nos últimos quatro meses lá, comecei a criar essa paixão pela atuação. Eu tinha 19 anos.

Levou o foco de tenista para a carreira de ator?

Com certeza. Minha dedicação, esforço e o foco. Acho que esses são meus pontos fortes. Comecei a atuar com 20 anos e fiz essa transferência do esporte para a arte.

Quando decidiu deixar Miami, onde estava crescendo no mercado latino, para ir estudar em Nova Iorque?

A vida me trouxe outras oportunidades. Decidi me casar. Recebi a proposta de estudar em Nova Iorque. Deixei tudo para poder focar no mercado americano e ter um treinamento próprio. Até então, eu tinha feito diversos cursos em Miami. Mas nunca uma faculdade. No conservatório, foram dois anos de atuação. Todos os dias. Decidi abdicar dois anos de qualquer trabalho profissional.

Prefere, seja atuando ou dirigindo, roteiros baseados em fatos reais?

Quando é algo pessoal, realmente mexe conosco, artistas. É colocar as frustrações, as dificuldades da vida real e expressar de uma forma criativa. Como positivo que sou, gosto de dar esperança. De colocar esse toque, esse detalhe de otimismo, na vida em geral.

Essa semana fez oito meses da morte do seu pai. Como encara a ausência dele?

Foi a maior perda da minha vida. O jeito que as coisas aconteceram, com a Covid… Foi um impacto muito forte. Este ano, aqui, tem sido porrada atrás de porrada. Muitas mudanças. Tenho trabalhado com um terapeuta, porque estou tendo crises de ansiedade e lidando com sensações que variam a cada semana, a cada mês. É uma bola de neve.

Acredita que há um lado positivo nisso que está vivendo?

Por mais que eu não seja religioso, acredito muito no universo. Aceito esse ciclo da vida: a gente nasce e morre. Tenho uma tranquilidade a respeito disso. Isso não tira a dor, a saudade. São processos, e eu sou muito agradecido. Tento focar na minha gratidão pelos anos que vivi com meu pai, por tudo o que ele me proporcionou. Por ele poder ter me visto no “Solteira Quase Surtando” na tela do cinema, antes do início da pandemia. Então, é triste, mas a gente segue em frente.

O que espera do futuro?

Tenho feito alguns trabalhos de voz. Tenho feito bastante testes de voz. Testes para uma série de TV. Nada está definido. O que eu tenho são alguns curtas que dirigi e atuei junto da minha ex. Estamos juntos em alguns festivais. Um se chama “Roses are Blind”, que estamos transformando em longa. Ganhamos prêmio de melhor roteiro original em Los Angeles. Outro curta foi gravado em Nova Iorque sobre uma sereia que comia os pescadores. É um suspense, terror. 

Há intenção de dirigir um filme baseado na sua trajetória?

Quem sabe. (Risos) Mas a próxima história real é um projeto que comecei com meu pai, baseada na ex-namorada do meu irmão, morto há dez anos. Meu pai tinha uma ideia e estava fascinado. Começamos a trabalhar e agora estou aqui trabalhando junto da Meire Fernandes e do esposo dela.  A gente fez uma parceria para escrever. Estamos trabalhando nesse roteiro, com foco para fazer em inglês.

E contar essa trajetória do que ela viveu. É uma história baseada em amor, superação e perda. E tem a cereja do bolo, que era  a ideia do meu pai, que é a filha. Hoje a ex do meu irmão é casada. E a filha dela é praticamente a neta. 

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