“Eu falei que não queria mais, mas ele não me ouviu. Ele não falou nada. Ele só seguiu fazendo o que queria fazer. Quando ele acabou, ele saiu, foi abrir uma cerveja, e eu fiquei olhando para a cama cheia de sangue. Faz muito pouco tempo que eu parei de achar que isso é culpa minha”.
Foi com esse desabafo que Larissa de Macedo Machado, 27, revelou, pela primeira vez, ter sido vítima de estupro aos 14 anos.
O relato foi exibido no primeiro episódio de “Anitta: Made In Honório”, que estreou na última quarta, na Netflix. O depoimento sobre essa noite de terror, ela fez questão de gravar sozinha, quase sem encarar a câmera. Foi um segredo que ela levou anos para tomar coragem e contar à família.
E, a partir daí, ela responde à pergunta que a persegue há 10 anos: por que Larissa virou Anitta? “A Anitta nasceu da minha vontade e necessidade de ser uma mulher corajosa que nunca ninguém pudesse machucar. E que nunca ninguém pudesse fazer chorar e magoar. Que sempre tivesse uma saída para tudo”, afirmou.
Daí uma explicação para sua dedicação louca à carreira, seus relacionamentos nada duradouros e a necessidade de se mostrar indiferente e de não se apegar.
Miriam Macedo, mãe da cantora, e Renan Machado, irmão, também falaram sobre a agressão. “Faz muito pouco tempo, ela chamou eu, meu pai e minha mãe pra conversar. Pediu que a gente nem olhasse pra ela. Estava começando a se boicotar, não comer, não estar feliz, criar defesas dentro dela para suportar esse segredo. Resolveu botar isso pra fora, nos contar”, diz Renan, na série “Made In Honório”, que tem seis episódios de 30 minutos cada.
Série mostra lado frágil e explosivo
Quem a vê no palco ou nos bastidores dando broncas, “demitindo” seu maquiador todos os dias, pode até achar que a garota de Honório Gurgel é uma fera, mas não é o que diz sua família na série.
“Larissa é frágil. Não é essa poderosa que é a Anitta”, afirma Miriam Macedo, mãe da cantora.
Na verdade, a produção da Netflix promete abordar um lado diferente da artista, mostrando sua relação com a família, as pressões da carreira, sua fragilidade diante das dificuldades e do amor.

Ela contou que foi uma decisão difícil revelar para o público detalhes sobre sua história, de como a menina Larissa, sonhadora, de Honório Gurgel, zona norte do Rio, se tornou a poderosa Anitta.
“Tudo feito com muito cuidado e acho que a galera vai entender bastante da origem do meu trabalho, os porquês”, salientou.
Ela contou que vai ter polêmicas e até um possível cancelamento dela pelo público em alguns momentos.
“Tem parte que eu assisto e falo: ‘Meu Deus, essa sou eu, que coisa horrível’”, brincou a cantora, que revelou terem ocorrido flagras de seus surtos com a equipe e até com fãs. “Eu só pedi que mostrassem o motivo do meu surto em vários momentos”, completa ela, para que o público a entendesse.
Censura
A única censura que Anitta disse ter imposto na série foi em relação a seus peguetes. Como estava solteira durante as gravações, ela admite ter sido um “troca-troca de boys” na época.
Por isso, pediu que fossem colocados emojis nos rostos de cada um, para preservá-los.
Desabafo e choro
“Relações meio abusivas”
“Sempre me coloquei em relações meio abusivas. Quando eu tinha 14 para 15 anos, eu conheci uma pessoa. Eu tinha medo dele. Ele era autoritário comigo, falava de forma autoritária. Eu era diferente quando eu era adolescente. Não era do jeito que sou agora”, desabafou Anitta sobre o estupro.
“Ele estava muito estressado”
“Um dia, ele estava muito, muito nervoso, muito estressado. Eu estava com bastante medo das reações dele. (…) E eu acabei perguntando se ele queria ir para um lugar só nós dois. Rapidamente, ele parou o estresse dele e perguntou se eu tinha certeza. E eu falei que sim. Mas hoje tenho plena certeza que falei sim porque estava morrendo de medo do estresse dele. Quando cheguei lá, eu vi que não era certo fazer aquilo por medo nem nada, e falei que eu não queria mais. Mas ele não ouviu. Ele só queria fazer o que queria fazer”, contou, na série.
Cerveja e sangue
“Quando ele acabou, foi abrir uma cerveja e eu fiquei olhando para a cama cheia de sangue”, disse, aos prantos.
“Medo do que as pessoas vão falar”
“Eu sempre tive medo do que as pessoas vão falar. ‘Como ela pode ter sofrido isso e hoje ser tão sensual, fazer tanta coisa?’ Eu não sei. Eu só sei que peguei isso que vivi e transformei em uma coisa para me fazer sair por cima, sair melhor”.

